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A cultura no mundo líquido moderno, de Zygmunt Bauman

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Zygmunt Bauman | Foto: Periódicos 

BAUMAN, Zygmunt (2013). Rio de Janeiro: Zahar Editores. 111p.
Resenha por: Aluizio GUIMARÃES


Nascido na Polônia e radicado na Inglaterra desde 1971, professor das Universidades de Varsóvia e Leeds, ZygmuntBaumané considerado um grande pensador da contemporaneidade, cunhou o conceito de “liquidez”, recorrente em várias de suas obras, que dentre outras se destacam “O Mal-estar da Pós-Modernidade” e “Amor líquido”, um importante olhar sobre as relações afetivas no mundo atual.Com posicionamento contrário a globalização e a pós-modernidade, Bauman, aqui se apresenta através de seu livro “A Cultura no Mundo Líquido Moderno.

No primeiro de seis capítulos, denominado de “Apontamentos sobre as Peregrinações Históricas”, o autor historiciza a cultura e a classifica sob seu olhar de posicionamento rígido, apontando-a como um dispositivo que assinala as diferenças de classe, tendo a beleza como um elemento social de separatismo, sendo ela o resultado de uma opressão e imposição da classe dominante, que não só a consome, como também produz e chancela seu conceito. Sendo um acordo entre quem tinha o conhecimento e quem não o tinha, a cultura era vista como uma estratégia voltada a educar as massas e aproximá-las daqueles que estavam no topo. O Iluminismo confiou às mãos da classe educada o papel construtor de uma nação que provocou um crescente excedente de indivíduos, gerando a necessária busca por novos territórios. Citando o filósofo Pierre Bordieu, que em suas obras se posiciona contra o liberalismo e a globalização, Bauman expõe, de forma contextualizada, o pensamento do francês, apontando a cultura como uma serviçal do status quo, no que ele chama de Modernidade Sólida, dando lugar à Modernidade Líquida, quando nenhuma das formas consecutivas de vida social é capaz de manter seu aspecto por muito tempo, deixando de ser serva de uma hierarquia social para se concentrar em atender às expectativas e necessidades dos indivíduos.

A Modernidade Líquida passa a ser o começo de uma era pós-pragmática em que sua cultura serve a um mercado orientado à rotatividade, com clientes a seduzir em meio a um mar de ofertas excedentes, para atrair uma elite cultural que tem o máximo de tolerância e o mínimo de seletividade,diante de uma cultura que não estápara saciálas, mas sim provocar inúmeras outras. O generalizar, quase agressivo, com relação às elites pensantes que formam, inclusive, a base conceitual do pensamento de Bauman, parece ser demasiado, atingindo não só o próprio,por está contido nas delimitações por ele mesmo indicadas, como também, outros muitos pensadores que ele utiliza para corroborar com seu pensar.

“Sobre Moda, Identidade Líquida e Utopia nos Dias Atuais: Algumas Tendências Culturais no Século XXI” é o segundo capítulo que se inicia com a tentativa, nada didática, de a partir de uma analogia com fenômenos físicos, se ilustrar a moda, apontando-a como uma intensificadora de distinções, que a própria promete suavizar.Afirma, ainda no início, que “Quanto mais aspectos do empenho e do habitat humanos se sujeitam à lógica da moda, mais a regulação e a estabilidade de ambos se tornam inatingíveis”. Há, neste mundo, segundo o autor, situações contraditórias que bem resumem o conflito entre a necessidade por segurança e a necessidade por liberdade, o medo de ser diferente e o medo de perder a individualidade, sendo esta “segurança” e esta “liberdade” fontes inesgotáveis de energia criativa. Demonstrar estar na Vanguarda exige adquirir, em velocidade atlética, os símbolos para isso ofertados. A moda passa a ser definida pela colonização e exploração, sendo um dos principais motores do “progresso”, não no sentido de elevar nosso status, mas sim de evitar o fracasso, pois a forma de continuar mudando as roupas, mobília, casa, decoração... é uma boa forma de não “afundar”.

Assim como a moda, Bauman indica que a cultura no mundo líquido exige de nós a aptidão para mudar de identidade e não se apegar as coisas do passado, pois estamos inseridos em uma economia baseada no descarte. Não podendo esperar mudar o mundo para melhor, a fuga passa a ser a principal utopia, é preciso fugir da necessidade de pensar sobre a sua condição infeliz, vivendo o fim da utopia da modernidade sólida, em que se buscava uma trégua em relação ao caos de eventos. De forma rápida e, em alguns momentos confusa, o autor demonstra, a partir da moda, a condição humana no Ano X, n.12 – Dezembro/2014 - NAMID/UFPB -http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/tematica 263 mundo líquido, imposta por uma estrutura complexa e regida pelos ditatoriais mercados de consumo

Em seu terceiro capítulo: “Cultura: da Construção da Nação ao Mundo Globalizado”, Bauman inicia indicando que é necessário tratar, de forma diferenciada, a imigração no processo de globalização. Sendo parte da modernidade e da modernização, os dejetos da ordem e do crescimento econômico compuseram a história da migração em três partes:
 — A imigração de mais de 60 milhões de pessoas para terras vagas ou indígenas;
— Após o declínio dos impérios coloniais, as populações nativas (educadas e com uma certa sofisticação cultural) tornaram-se minoria, como objeto de cruzadas culturais e missões proselitistas, ao seguir os colonialistas que retornavam para suas terras natal;
 — E a terceira forma, a era das diásporas, que migram em busca da distribuição dos recursos vivos e das chances de sobrevivência, sem escolha, isolam-se compulsoriamente em guetos.

Hoje a migração ou emigração não é exclusividade de um país ou região, em todos há a possibilidade de se questionar a identidade e nacionalidade, sua vizinhança física (que passa a ter fronteiras ondulantes, flutuantes e porosas) e sua identidade cultural. Cercado de diásporas, hoje conviver com a diferença é um problema do cotidiano, devendo se adquirir habilidades para facilitar a coexistência. Os direitos humanos, substituto dos Direitos Territorialistas é, em sua essência, o direito a diferença. Bauman critica-os como possível estabelecedor da tolerância mútua, mas não da solidariedade mútua (fenômeno muito bem destacado). De forma exacerbadamente ideológica e, até utópica, o autor diz que “...nenhuma cultura pode exigir ou ter direito a subserviência, a humilhação ou a submissão, em decorrência a uma cultura presumidamente superior ou de caráter progressivo”, algo contrário ao que costumeiramente vemos assistir através dos meios de comunicação de massa e das intervenções militares, além fronteiras, em todo o mundo. Mais à frente, ele aponta ainda que dividir para governar é uma antiga estratégia e indica um pensamento do filósofo pragmatista estadunidense Richard Rorty em que “...quanto mais os pobres do mundo estiverem ocupados em hostilidades étnicas e religiosas e em debates sobre costumes sexuais, longe de seu próprio desespero, os ricos terão pouco a temer”.

O “não engajamento” é uma estratégia voltada ao não-surgimento de grupos políticos dispostos a contrabalancear as forças mundiais. Não engajados e sob a batuta do multiculturalismo, que defende a “coexistência harmoniosa” mesmo que apoiando teorias separatistas e distantes do olhar da elite intelectual que rejeita o papel de educador, líder e professor, buscando para si mais espaço e não se engajando nos assuntos dos outros. As vítimas do pluralismo cultural que se apresenta como indiferente à diferença, em uma prática política definida por multiculturalismo, inspirado na tolerância liberal, transformam desigualdade social em “diversidade cultural”, recurso linguístico que faz da feiura moral da pobreza um apelo estético da diversidade cultural.

Tourraine, citado, aponta a ideia do multiculturalismo como algo a ser substituído pelo multicomunitarismo, em que o indivíduo é leal por causa do seu pertencimento a sua comunidade de origem. No culturalismo novo, busca-se minar a consciência moral e aceitar a desigualdade humana, sem interferir, em respeito aos Valores Culturais. Bauman encerra este capítulo, se posicionando de forma ideológica e provocante, focando as classes instruídas, que, segundo ele, se refugiam no multiculturalismo, que é a “ideologia do fim da ideologia”. Ainda, nestes momentos finais, ele acusa que o enfrentamento ao status quo“exige coragem, porém, os intelectuais perderam em suas novas empreitadas em busca de novos papéis e novos “nichos” como especialistas, gurus acadêmicos e celebridades midiáticas”, concluindo que, de forma não solitária neste “delito”, as classes instruídas repartem-no com as forças econômicas extraterritoriais. Provocando!

“A cultura no Mundo de Diásporas” intitula este novo capítulo que de supetão relembra que o multiculturalismo e sua ideologia do fim da ideologiaé um explícito resultado dos círculos descritos como “Criadores de Cultura”. Formatados pela ausência de engajamento, sendo uma forma de adequar o local, o papel e as tarefas das Classes Instruídas que têm o direito, segundo Taylor, de decidir sobre qual cultura é inerentemente valiosa e merece sobreviver, Bauman se posiciona mais uma vez contrário aos direitos dos membros nominais da comunidade a exercerem escolhas que prejudicariam a sobrevivência dessas diferenças, propondo limitar ou até mesmo negar de vez estes direitos.

Neste universo do multiculturalismo, a sociedade não tem outra preferência, a não ser deixar as pessoas criarem suas próprias preferências. No mundo multicultural se permite que culturas coexistam, mas a política do “multiculturalismo”não torna isso nada fácil.Bauman, mais à frente defende o direito exercido por algumas comunidades de utilizar a “força” para garantir o futuro de uma determinada cultura, como o compulsório ensino da língua francesa nas escolas de Quebec, porém, aponta que a generalização destas conclusões também parece ser um duvidoso empreendimento.

De um lado, cabe o direito da comunidade proteger seu modo de vida e, do outro, o direito de escolha do indivíduo, “uma Sociedade autônoma é inconcebível sem a autonomia de seus membros”, reforça CorneliusCastoriadis, sendo citado. Indicando que a universalidade da espécie humana não é antagônica a pluralidade de suas formas de vida, o multiculturalismo e a prática do não engajamento provocam e fornecem a convicção de que devemos buscar a humanidade comum, pois enquanto os imigrantes perceberem que suas tradições culturais originais forem respeitadas no país de adoção, mais atraente a eles será a cultura daquele novo país, e menor será o apego à distinção, lembrando o que já fora dito antes, que o conceito de multiculturalismo, sob o sentimento de ameaça e incerteza, tende a transformá-lo em multicomunitarismo, daí para a construção de trincheiras é só mais um passo e, em caso de guerra, nenhum dos lados poderá ter a expectativa de segurança, nem mesmo depois de uma possível “vitória”, muito pelo contrário, enquanto estes lados se ocupam em planejar novos choques futuros no campo de batalha multicultural, ajudando assim aimpossibilidade da construção da comunidade humana, as forças globais mais lucram e se fortalecem.

Neste penúltimo capítulo, Bauman discorre sobre “A Cultura Numa Europa em Processo de Unificação”, mostrando que reconhecer os direitos humanos e de reconhecimento é um convite ao diálogo e, neste, há a possibilidade de se debater os méritos e os defeitos das diferenças. Com o declínio do modernismo não há falta de diferenças, mas sim o surgimento,em cada canto de nossas cidades decadentes, de fronteiras que reforçam os processos de guetificação e nada chamam a atenção da nova elite global e extraterritorial, que não tem compromisso algum com as elites do Estadonação, sem objetivar a “Ordem Perfeita” nem criar ordem e administrá-la no cotidiano.

Exageradamente, Bauman, aponta a Europa como um laboratório de pesquisa e uma escola em que se ensina todos a aprenderem com todos, citando Hans Georg Ano X, n.12 – Dezembro/2014 - NAMID/UFPB -http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/tematica 266 Gadaner, diz que a Europa oferece hoje para o mundo o tesouro abundante da diversidade e através do pensamento de Willian Blake que chama de “A Santidade do Momento Particular” apontando a diversidade linguística, cultural e social europeia, Baumanprofetiza que a mesma pereceráse não lutar por estas línguas, tradições locais e autonomias sociais, com isso, a Europa: continente/mosaico de diásporas, pode se fortalecer mutuamente. E conclui afirmando que os danos provocados pela globalização, desintegrando os alicerces da independência territorial, são diminuídos pelo sustentáculo de solidariedade encontrado na União Europeia.

Submeter a atividade cultural aos mercados de consumo é exigir que as obras de arte aceitem as condições de qualquer bem de consumo, sendo inclusive transitórias, perdendo sua noção de critério estético e de qualidade. A arte bem sucedida é aquela que muito vende e as razões para os seus valores estratosféricos está muito mais no nome da galeria ou no programa de televisão que a promoveu, que em sua qualidade artística. Bauman no seu último capítulo“A Cultura entre o Estado e o Mercado” não responde se com a mudança dos gerentes a Cultura ganha ou perde, ou ainda, se as obras terão mais que uma vida efêmera e quinze minutos de fama, mas se faz enfático quando diz que a função do Estado deveria ser de igualar as oportunidades de participação, como fez o antigo Ministro da era Miterrand, Jack Lang, que por decreto impôs as instituições do Estado o dever de apoiar iniciativas de grupos, de movimentos, de práticas amadoras independentes e não institucionalizadas.

O autor encerra enfatizando que o foco do “Estado Cultural” deve ser a promoção das artes, provocando o encontro permanente entre os artistas e seu público, e como o mesmo ressalta bem no início deste capítulo, duzentos anos antes de ser cunhado o termo “Cultura” já existiam os primeiros exemplos de financiamento das artes pelas autoridades, e sentencia que no estado contemporâneo o patrocínio da criatividade cultural espera o “subsídio”. Bauman só não discorre sobre “quem paga a conta?”. Nem que arte será essa que, ao ser subsidiada, terá que qualidade estética e que comprometimento ideológico para com quem (Estado Cultural) a subsidia?

[DROPS #4856]David Copperfield por Charles Dickens (1850)

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Joanne Page como Dora Spenlow e Ciaran McMenamin como David Copperfield em uma adaptação da BBC em 1999 do romance que Dickens considerou o seu melhor. Foto: John Rogers / BBC ONE

David Copperfield foi o primeiro livro que Sigmund Freud deu a sua noiva, Martha Bernays, em seu engajamento em 1882. Foi o presente de um anglófilo ao longo da vida para sua amada, um livro encriptado com significado peculiar a um homem com um fascínio especial para a relação complicada de autobiografia para contar histórias.
A escolha de Freud — e a própria opinião de Dickens de que David Copperfield era de todos os seus livros aquele de quem ele gostava o melhor — ajuda a esclarecer uma seleção impossível na metade do século XIX. No começo, alguns aficionados de Dickens ficarão desanimados. Por que não os papéis da Pickwick (1836) ? Ou, melhor ainda, grandes esperanças (1861)?  Ou A pequena Dorrit ? E porque não, aqui na época festiva, aquela festiva A Christmas Carol ? Ou o brilho de granito do Hard Times ? Sim, de maneiras diferentes, todas as obras-primas. Todo mundo tem seu favorito. E a pequena Dorrit, é a minha obra favorita.
Eu amo David Copperfield porque é, de certa forma, tão não-Dickensiano. A história - tão atraente para Freud - é a de um menino fazendo seu caminho no mundo, e se encontrando como homem e como escritor. No primeiro semestre, antes que a irreprimível narração de Dickens se inicie e o motor do romance comece a se contorcer com o incidente, nós o achamos quase meditando em seus primórdios literários. Dickens é um dos primeiros a reconhecer a inspiração do emergente cânone inglês: Robinson Crusoé , As Aventuras de Roderick Random e Tom Jones , os livros que ele encontra na biblioteca de seu pai. Seus próprios romances antigos ( Oliver Twist , Nicholas Nicklebye assim por diante) são em grande parte cômicos. Mas aqui, ele se concentra na vida interior de seu herói, como se estivesse salvando a trama para mais tarde.
A segunda metade de David Copperfield mostra Dickens em seu magnífico, e muitas vezes irregular, melhor. Há os arpejos de prosa característicos, os virtuosos símiles e metáforas e o desfile de personagens intemporais: Sr. Micawber, Sra. Gummidge, Betsey Trotwood, Barkis, Uriah Heep, Steerforth, Sr. Spenlow (de Spenlow e Jorkins) e Miss Mowcher.
Ao mesmo tempo, Copperfield e Dickens, autobiógrafo e romancista, tornam-se tão indistinguíveis, um do outro, que o romancista não tem mais o distanciamento necessário de seu material. Quando os encantadores e tranquilos reflexos sobre a infância das páginas de abertura são substituídos pelas exigências urgentes da trama, o protagonista e o autor se transformam de maneiras que não são completamente bem-sucedidas, embora sempre reveladoras. Enquanto o romance chega ao clímax, no qual Heep é aprisionado e Micawber, livre de suas dívidas, encontra a redenção como um magistrado colonial na Austrália, Dickens sucumbe à pressão para agradar a um público faminto com um satisfatório banquete fictício. Doravante em seu trabalho, Dickens se tornará o supremo artista e moralista vitoriano, o autor daquelas obras-primas maduras e mais escuras, como Casa sombria , tempos difíceis e grandes esperanças.
E assim, como um texto-chave de transição, David Copperfield se torna a antecâmara de sua subsequente maestria. Mas a porta para o passado está fechada para sempre; ele nunca pode voltar. O jovem sonhando com a literatura entre os livros antigos de seu pai foi substituído pelo escritor best-seller “O Inimitável”. Talvez essa fosse à verdade comovente sobre a criatividade que tanto moveu Freud.


Outros títulos essenciais de Dickens
Papéis de Pickwick (1837); Uma canção de Natal (1843); Casa Desolada(1853); Tempos difíceis (1854); Um conto de duas cidades (1859); Grandes Expectativas (1861); Nosso amigo mútuo (1865)

Os 7 poemas mais lindos e marcantes da literatura brasileira

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Foto: Stokphotos

A literatura brasileira está repleta de belíssimas obras dos mais variados e talentosos artistas. Pensando na quantidade de poemas belíssimos que existem por ai, optamos por reunis alguns dos poemas mais marcantes na literatura nacional. Confira abaixo.

1. Soneto da Fidelidade (Vinicius de Moraes)
De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

2. Via Láctea (Olavo Bilac)

Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…
E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.

3. Canção do Exílio (Gonçalves Dias)

Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar — sozinho, à noite —
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.

4. José (Carlos Drummond de Andrade)

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, Você?
Você que é sem nome,
que zomba dos outros,
Você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio, - e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse,
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja do galope,
você marcha, José!
José, para onde?


5. Amor (Álvares de Azevedo)

Amemos! Quero de amor 
Viver no teu coração! 
Sofrer e amar essa dor 
Que desmaia de paixão! 
Na tu’alma, em teus encantos 
E na tua palidez 
E nos teus ardentes prantos 
Suspirar de languidez! 

Quero em teus lábios beber 
Os teus amores do céu, 
Quero em teu seio morrer 
No enlevo do seio teu! 
Quero viver d’esperança, 
Quero tremer e sentir! 
Na tua cheirosa trança 
Quero sonhar e dormir! 

Vem, anjo, minha donzela, 
Minha’alma, meu coração! 
Que noite, que noite bela! 
Como é doce a viração! 
E entre os suspiros do vento 
Da noite ao mole frescor, 
Quero viver um momento, 
Morrer contigo de amor!

6. Timidez (Cecília Meireles)

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve…
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes…
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando…
e um dia me acabarei.

7. Versos Íntimos (Augusto dos Anjos)

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão - esta pantera -
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te a lama que te espera!
O Homem que, nesta terra miserável,
Mora entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera

Toma um fósforo, acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro.
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa ainda pena a tua chaga
Apedreja essa mão vil que te afaga.
Escarra nessa boca de que beija!

BÔNUS: Amor (Hilda Hilst)

Como falar de amor é sempre bom, fechamos a nossa lista com Hilda Hilst e todo o seu “Amor”.
Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua de estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas.
E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena.
E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.


[DROPS #4855] Alice no país das maravilhas, por Lewis Carroll (1865)

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"Beba-me": uma das ilustrações originais de John Tenniel para Alice no país das maravilhas. Foto: Bettmann / Corbis



CIDADE DE GOIÁS — Julho de 1862, um tímido matemático na Universidade de Oxford com um gosto para quebra-cabeças chamado Charles Dodgson remou as três filhas de Henry Liddell, reitor da Christ Church, cinco milhas do Rio tâmisa para Godstow (condado metropolitano de Oxfordshire). No caminho, para entreter suas passageiras, que incluía uma menina de 10 anos chamada Alice, com quem ele estava estranhamente apaixonado, Dodgson começou a improvisar as "Aventuras sob o solo" de uma jovem entediada, também chamada Alice. Jogo de palavras, enigmas lógicos, paródia e enigmas: Dodgson se superou e as garotas ficaram encantadas com o absurdo mundo dos sonhos que ele conjurou. O tempo para esta viagem foi supostamente "nublado", mas aqueles a bordo se lembrariam como “uma tarde dourada”.

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Imagem: Giphy

Essa história bem conhecida marca o começo de talvez a maior, possivelmente a mais influente, e certamente a mais famosa ficção vitoriana inglesa, um livro que paira entre um conto sem sentido e uma elaborada piada interna. Apenas três anos depois, estendida, revisada e renomeada como Alice no País das Maravilhas , agora creditada ao pseudônimo Lewis Carroll Alice no País das Maravilhas (seu título popular) estava prestes a se tornar a sensação editorial do Natal de 1865. Dizem que entre os primeiros e ávidos leitores de Alice eram a rainha Victoria e o jovem Oscar Wilde. Um segundo volume sobre Alice ( Through the Looking-Glass ) seguiu em 1871. Juntos, esses dois livros curtos ( Wonderland tem pouco mais de 28.000 palavras) tornou-se dois dos volumes mais citados e mais amados do cânone inglês.

Qual é o segredo do feitiço de Carroll? Todos terão suas próprias respostas, mas quero identificar três elementos cruciais para a magia de Alice. Primeiro, e mais enfaticamente, esta é uma história sobre uma criança bastante mal-humorada que não é realmente para crianças, enquanto ao mesmo tempo aborda preocupações infantis. (Quem sou eu? É uma questão que Alice repetidamente se vexa.) Em seguida, ele tem uma irrealidade onírica povoada por alguns dos personagens mais divertidos da literatura inglesa. O Coelho Branco, o Chapeleiro Maluco, a Tartaruga Falsa, o Gato de Cheshire e o Rei e a Rainha de Copas são simplesmente o mais memorável de um elenco do qual cada leitor encontrará seu favorito. Terceiro, Carroll possuía um gênio não-forjado para o absurdo, e claro, o diálogo deliciosamente louco. Com suas melhores linhas ("Qual é o uso de um livro sem imagens ou conversas?") Ele nunca é menos do que intensamente citável.
Assim como o encantamento da prosa de Carroll, ambos os volumes de Alice contêm numerosas canções e poemas, muitos deles paródias de originais vitorianos populares, que se transformaram em folclore, como a própria Alice: You Are Old, pai William; A lagosta da lagosta; Sopa Bonita; e (do Através do Espelho ) Jabberwocky; A morsa e o carpinteiro; e Canção do Cavaleiro Branco.
Finalmente, para os leitores do século XXI, é agora quase obrigatório assinalar que esses livros são pré-freudianos, com uma inocência estranha e ferida cujas auto-interrogações evocam também a atormentada banalidade da psicanálise.

Uma nota do texto

Em 26 de novembro de 1865, o conto do Reverendo Charles Dodgson foi publicado pela casa de Macmillan como Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carroll, ilustrado por John Tenniel, com quem Dodgson teve um relacionamento muito difícil. De fato, a primeira impressão, cerca de 2.000 cópias, foi retirada depois que Tenniel se opôs à qualidade de impressão de seus desenhos. Uma nova edição, lançada em dezembro do mesmo ano, mas com uma nova data, 1866, foi apressada para o mercado de Natal.
Mais tarde, a primeira edição descartada foi vendida com a aprovação de Dodgson à editora de Nova York, Appleton. A página de rosto da Alice americana tornou-se uma inserção cancelando a página de título original da Macmillan de 1865 e exibindo a marca do editor de Nova York com a data de 1866.  As aventuras de Alice no País das Maravilhas foram traduzidas para cerca de 100 idiomas, incluindo o latim clássico.

Outros títulos essenciais de Carroll
Através do Espelho e o Que Alice Encontrou Lá (1871); A Caça do Snark, Uma Agonia em Oito Ajustes (1876).


[RESENHA #258] A barraca do beijo, de Beth Reekles

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Foto: Divulgação
Elle Evans é o que toda garota quer ser: bonita e popular. Mas ela nunca foi beijada. Noah Flynn é lindo e um tanto quando bad boy – tá, o maior bad boy da escola – e o rei dos joguinhos de sedução. A verdade é que Elle sempre teve uma queda pelo jeito descolado de Noah, que, por coincidência, é o irmão mais velho de seu melhor amigo, Lee. Essa paixão cresce ainda mais quando Elle e Lee decidem organizar uma barraca do beijo no festival da Primavera da escola e Noah acaba aparecendo por lá. Mas o romance desses dois está bem longe de ser um conto de fadas. Será que Elle vai acabar com o coração partido ou conseguirá conquistar de vez o bad boy Noah?

Foto: Divulgação 

Antes de iniciar quaisquer considerações que eu tenha com relação a esta obra, vamos falar sobre como esta obra chegou até mim. Diferente de todos os livros que me são ofertados, este veio por intermédio de sua publicação no da Editora Astral Cultural. Após o anúncio da publicação do livro no Brasil e do filme baseado no romance homônimo de Beth Reekles no serviço de streaming NetFlix, fui correndo de imediato procura-lo, e o encontrei no iBooks, onde tive a oportunidade de lê-lo em inglês e precedentemente em língua portuguesa através desta belíssima edição.

Um ponto interessante com relação à leitura é a imaturidade de seus protagonistas, mas a própria autora revela que o nível de maturidade de seus protagonistas se deve à época em que escreveu a obra. Quando o livro foi escrito (e lançado) a autora tinha apenas dezessete anos, e como ela mesma diz: não tem como um autor de dezessete anos construir personagens maduros baseados em uma maturidade que o autor não possui.  Mas eu acho extremamente interessante o fato de Rochelle (ou só Elle) ter nascido no mesmo dia e no mesmo hospital que seu melhor amigo Lee. O acaso foi bondoso com Elle, ela conheceu um amigo extremamente amoroso – quase irmão – e construiu uma paixão avassaladora por seu irmão mais velho – Noah –. Beth possui uma escrita peculiar que acaba tornando a leitura bastante fluida.
Óbvio que como todo livro que tem uma obra cinematográfica baseada em seu enredo, este também possui detalhes, revelações e descrições que não são relatadas no filme. Aqui, a autora trabalha os sentimentos adolescentes em um jogo de amor para adultos (adorei esta definição haha). E é interessante como o amor amadurece primeiro Elle, depois Lee. O amor chega para ambos, mas age diferente em cada um, ela reconhece coisas que Lee não aceita, entende ou quer entender, e esta construção talvez seja o ápice mais maduro de toda escrita: o reconhecimento de que o crescimento pessoal de uma pessoa é diferente do crescimento e amadurecimento da outra. Reconhecer  que as pessoas possuem tempos distintos para amadurecer, talvez seja o ponto “x” do amadurecimento.
Crescer e amadurecer com esta leitura é algo tão certeiro. Entender as nuances de Noah e o que formula o seu caráter incompreendido, entender Elle, suas preocupações com o amigo e com o sentimento no peito com relação à Noah, e claro, entender como funciona os sentimentos de alguém que não quer perder uma amiga para o amor e não sabe lidar com esta situação. São três personagens com três dilemas diferentes, e cada um age de uma maneira e acrescenta em nós aquilo o que nos falta.

Eu estaria mentindo se dissesse que foi amor à primeira vista, não foi. Romance sempre me pareceu um gênero meio clichê, até o surgimento de Beth Reekles surgir e mudar minha concepção acerca do romance e do amor juvenil na literatura. Este livro tem dois pontos que me chamam muito à atenção quando o leio, o primeiro, talvez, seja a forma com a qual a autora trabalha o desenvolvimento da história utilizando o humor e outros artifícios para prender nossa atenção, sem falar de toda tensão que vem no pacotinho deste romance. O segundo ponto (e o mais interessante) é que este livro possui um enredo muito parecido com o do livro “Naomi & Ely e a lista do não beijos”, da escritora americana Rachel Cohn — que por coincidência (ou não) também tornou-se uma adaptação cinematográfica de grande sucesso —. Ainda que o enredo de um se pareça com o outro, ambos possuem suas particularidades que o tornam únicos sem que exista a presença da repetição. Em ambas as obras é perceptível que toda a trama gira em torno de dois grandes amigos que por um motivo ou outro se refreiam a possuir um relacionamento com uma classe “x” de pessoas estipulada por uma lista que rege a amizade. O sentido que faz com que o enredo trabalhe de forma magnífica e única está na forma como cada autora conduz sua escrita. Ambas as autoras trabalham na valorização da amizade e no amor que um nutre pelo outro independente dos problemas que surgem no caminho, só que uma toca em um ponto que a outra não consegue tocar: A realidade. Por trás das relações e do amadurecimento (ou ausência dele) por parte da realidade. Enquanto Rachel Cohn possui 49 anos e trabalha com sua experiência de vida para desenvolver um enredo voltado para sua visão amadurecida de mundo, temos nossa queridíssima Beth Reekles, de apenas dezessete anos, uma autora que se mostrou promissora e trouxe sua visão de mundo para sua primeira obra literária. A escrita de Beth possui algo que outras escritas de igual finalidade não possuem: uma visão adolescente de um relacionamento, de um convívio e de uma vida que somente um adolescente poderia ter, e isto, torna o livro deliciosamente delicioso de se ler.


Elle &Lee | NetFlix

Como mencionado anteriormente, esta obra é um romance juvenil, daqueles de despertar o nosso primeiro amor. A narrativa (muito bem humorada) narra à vida de Elle, uma jovem extremamente bonita e popular, porém, nunca beijada. Elle é melhor amiga de Lee, do qual nunca de separa. Lee é irmão de Noah, capitão do time de futebol do colégio e galã de toda escola. A amizade de Lee e Elle é regida por um conjunto preestabelecidos de regras, regras estas que causarão uma série de conflitos e atritos, uma vez que foram criadas na infância e agora estão tendo que lidar com emoções um pouco mais evoluídas já que estão prestes a ingressar na faculdade.  A narrativa criada por Beth gira em torno da evolução da amizade de Elle e Lee, da descoberta do amor e das belíssimas experiências que a vida nos proporciona quando nos entregamos verdadeiramente aos momentos de êxtase e paixão.
Elle & Noah <3 td="">
“Eu automaticamente me inclinei para trás, minha cabeça encaixando naquele ponto entre o pescoço e o ombro dele. Mais uma vez, o clichê romântico em mim se perguntou como parecíamos encaixar tão perfeitamente, duas peças de um quebra-cabeça, e ter personalidades tão diferentes e conflitantes... Eu não me importava com o quão ruim nós éramos um para o outro ou que ele seria fora para a faculdade em breve; Acabei de me lembrar de que estava apaixonada por ele.”



SOBRE A AUTORA


Beth mora na região sul do País de Gales. É uma leitora voraz e bebedora inveterada de chá. Apesar dos livros, Beth é uma garota de exatas, formada em Física pela Exeter University. A Barraca do Beijo é sucesso no Wattpad e já acumulou mais de 19 milhões de acessos e 40 mil comentários, além de vencer o PRÊMIO WATTY DE FICÇÃO ADOLESCENTE MAIS POPULAR.
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