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[RESENHA #278] A perpetuação da espécie, por Fernando Andrade

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Foto: Penalux | Divulgação

A PERPETUAÇÃO DA ESPÉCIE. ANDRADE, Fernando. Penalux: Guaratinguetá; SP: 2018, 68p. ISBN 978-85-5833-385-6 / R$34

SINOPSE


 “A perpetuação da espécie” parece significar padronização, frivolidade, animalidade, e do contrário pouca utopia, otimismo, no entanto, as questões trazidas por questionamentos que se originam do mais âmago das incertezas humanas, trazem profunda reflexão.
            Na abertura da obra o autor traz uma proposta, um desafio para o leitor de que ele concentre o seu olhar em questões que atualmente são desprezadas devido a se sombrearem no automatismo do cotidiano. Se o pensar for intenso, a observação das manias e padronizações de estilos de vida serão associadas a uma dor primeira e universal, o viver sofrido, pungido, desperdiçado em estilos de existência condenados a vontade de sobrevivência.
            Esse marasmo do viver tem algo de assassino, pois em sua maioria é experimentado pelas pessoas distanciadamente, sem emoção, sem o aproveitamento dos prazeres e da felicidade, neste sentido a própria vida se torna somente um acaso mantido pelo instinto da espécie. O autor enquadra a vida no filme fotográfico de “uma câmera mortuária”, o filme das fotografias revela o movimento da existência monótona, tumultuada nas trilhas de trens que conduzem “humanos fugidos de guerras Persas”.
            Feito atavismos, a perpetuação da espécie é uma lei, uma conduta seguida por gerações que transmitem os mesmos valores de: brevidade, de sequestro, de roubo, de fugacidade. Não há espaço e oportunidade para se olhar a vida nos seus fenômenos mais universais, “por que o sol nasce às seis?”. Não importa, seria até mesmo irônico querer filosofar e refletir quando as condutas dos homens revelam tanta frivolidade em relação a tudo o que os rondeia, casa, poltronas, esposa, família.

RESENHA

          Fernando Andrade expressa à pluralidade de toda uma vida em cinco cantos que ressignificam a existência do eu. Não existe uma receita de vida a ser vivida, mas a receita daquilo o que se foi vivido (bom ou ruim) está pronta, e você pode ou não querer dar continuidade ou segmentação aos fatos ou simplesmente encerra-los, a vida nos dá oportunidades de melhorar situações, nunca de mudá-las, por que o ato da mudança é sempre feito em primeira pessoa, sou sempre eu o indivíduo responsável pelas mudanças que quero alcançar em minha vida, sou sempre o responsável pelos caminhos que tomo e pelos atalhos que pego, e claro, também sou o protagonista e o coadjuvante de todo meu sucesso (ou fracasso) ainda que eu tenha recebido ajuda ou incentivo, ainda sim, sou eu.
Esta obra está elaborada e dividida sabiamente em cinco partes, cada qual com sua importância. O detalhe que importa está nas entrelinhas, está na capa, está no prólogo e até mesmo (sobretudo) nos sentimentos do leitor que navega por estas páginas tempestuosas. Uma obra que recorre a todas as etapas nas quais somos submetidos, a primeira, narra toda experiência de vida vivida no ato de nossa existência (prole p.14) e das experiências que acumulamos de acordo com o desenvolvimento. Neste primeiro capítulo são abordadas questões sociológicas, racionais e emocionais voltadas para a existência e para vivência que cada indivíduo coleciona com o fluir da vida.

Sou ou não sou a minha sombra?
 Estou ou não dentro deste filme?
 Qual?
É minha quarta parede, e onde acho a saída?
— /2 caixa

A segunda divisão desta obra retrata uma tragédia da qual não irei falar. Esta é a parte mais breve da obra e por este motivo não será analisada minuciosamente, porém, deixarei um trecho para que haja uma profunda reflexão:

Perdeu pequeno
Dos dedos, sobrou gestos.
 Cresceu perto
 Do que pode ser a próxima.
Revelou a casa
 E a máxima
Aproximação, contigo.
 Cresceu, usou a caça e o vinho,
Subiu em árvores
 Flores, acolheu.
                                                Dos dedos, sobrou os gestos.      
— infância p.32

A terceira parte ganhou uma titulação que nos causa inquietação “Lembranças”.
O tempo é fala o tempo é folha

O templo do sono, árvores idôneas.
Sai deste castelo cavalo lustroso
E diz que as palavras que te dou: anarquizam.
Lira revira o canto
Atravessa o avesso da folia
De um arlequim triste.
— p.38

A quarta parte desta obra recorda imagens, momentos, sentimentos de outrora. (p. 44)


Parte da louça
Virou vidraça.
Uma parte só aqueceu
A outra, quebrou silenciosa.
A que sobrou viciou-se em analgésicos.
A parte que partiu uma carta destinou-se,
A outra feriu-se na despedida.
Cacos, e silêncios se ouviram...
E por falar em solavancos físicos.

E a quinta divisão desta obra retrata uma espécie de "despedida":

Nunca nos movemos
De uma morte
Agora nós temos é
Muita sorte
Alguma vez Vimos a que porte
Chega o que queremos.
— p.56


Confesso que quando recebi este livro em mãos eu não tinha ideia do que tinha por vir. Geralmente quando lemos um número superior à cinco de obras por semana, acostumamo-nos a acreditar que livros com poucas páginas parecem-nos mais breves e mais fáceis de serem finalizados, quando na verdade ao fazermos este julgamento estamos tirando a credibilidade - de certa forma - de um gênero que exige uma profunda reflexão e amadurecimento psíquico e sentimental: O poema. Ler uma obra que retrata uma tragédia ou a vida como sendo nunca é uma tarefa fácil. É sempre mais fácil para o leitor agarrar-se à suas esperanças de que o conto de fadas é mais divertido e simples de se encarar, mas existem linhas que nos rasgam e nos dilaceram de uma forma com a qual nós não estamos habituados — ou simplesmente não esperamos.

SOBRE O AUTOR
Fernando Andrade, 50 anos, é jornalista, poeta, e crítico de literatura. Faz parte do Coletivo de Arte Caneta Lente e Pincel. Participa também do coletivo Clube de leitura onde tem dois contos em coletâneas: Quadris no volume 3 e Canteiro no volume 4 do Clube da leitura. Colaborador no Portal Ambrosia realizando entrevistas com escritores e escrevendo resenhas de livros. Tem dois livros de poesia pela editora Oito e Meio, Lacan Por Câmeras Cinematográficas e Poemoemetria , e Enclave ( poemas) pela Editora Patuá. Seu poema "A cidade é um corpo" participou da exposição Poesia agora em Salvador e no Rio de Janeiro.

CRÍTICA | Elite, uma mistura de Gossip Girl com How to Get Away With a Murderer

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Imagem: NETFLIX
Elite é a mais nova série espanhola de sucesso Netflix. A série foi produzida pela Zeta Producciones para a Netflix e foi criada por Carlos Montero e Darío Madrona. A primeira temporada consiste em 08 episódios, e ao que tudo aparenta, ganhou o coração do público.  A série segue a vida de três jovens que receberam uma bolsa para estudar em Las Encinas, um instituto de prestígio na Espanha após o colapso sofrido por seu instituto anterior. A chegada de Samuel, Nadia e Christian não será fácil, porque os estudantes que estão nesse instituto não tornarão suas vidas simples. Mas entre a humilhação e o bullying ocorre o assassinato de um dos adolescentes, e só restará descobrir quem foi o assassino.
Da esquerda para direita: Jaime Loreto / Maria Pedraza / Miguel Herran | Imagem: NETFLIX
É claro que a série tem tudo para alavancar na plataforma com milhares de fãs, e nós podemos citar dois ótimos motivos, sendo eles: 1. A série é bem parecida com o seriado americano Gossip Girl, não somente por se passar em um colégio, mas também pela imensa cadeia de intrigas que se forma quando três novatos ingressam em um colégio privado intitulado ‘elite’, e como sabemos, Gossip Girl ficou por anos em terceiro lugar na plataforma como uma das séries mais assistidas de todos os tempos, perdendo apenas para Supernatural e Grey’s Anatomy. 2. A série também possui três incríveis atores da série La Casa de Papel, que também fez o maior sucesso na plataforma, nela podemos contar com a atuação de Miguel Herran (Como Christian), Maria Pedraza (como Marina Ramírez) e Jaime Loreto (como ‘nano’).
Esta série parece uma mistura de tudo o que já vimos, só que de um jeito novo. Podemos observar sob a perspectiva de que ela possui um pouco de Gossip Girl, por conter um cenário totalmente escolar, mas também se parece bastante com diversas séries policias que narram um assassinato, onde a história sempre corre “por trás dos panos”, e claro, também se parece — e muito — com ‘How to Get Away With a Murderer’, também conhecida como “como defender um assassino” ou “como fugir de um assassinato”.

Imagem: NETFLIX

E       para você quer saber um pouco mais sobre nossos protagonistas, ai vai um gostinho:
Imagem: NETFLIX
SAMUEL — Trabalha como garçom em período integral para bancar a casa desde que seu irmão Nuno foi preso. Samuel é uma das peças chaves da série. Samuel também se envolve amorosamente com uma personagem de extrema importância do enredo, Marina, ao qual  pertence à uma família que está sempre metida em problemas de corrupção.
Imagem: NETFLIX

NADIA — Nadia é muçulmana e vem de uma família rigorosa e tradicional. Ela, Christian e Samuel foram os contemplados com uma bolsa de estudos na Las Encinas, após o desabamento do antigo colégio. Nesta nova fase sua vida, ela enfrentará uma situação pior do que a outra. Ela e seu irmão, Omar, serão responsáveis por grande parte do clímax da primeira temporada desta série. 
Imagem: NETFLIX
CHRISTIAN — Christian é muito próximo de Samuel e seu irmão, Nuno, porém suas ideologias são basicamente as mesmas. Christian acaba se envolvendo amorosamente em um circulo amoroso após envolver-se com uma aluna chamada Carla e seu namorado Polo. Ele é um dos personagens mais cativantes e interessantes da série, ah, e claro, também protagoniza todas as cenas picantes da série.

O roteiro desta série é realmente interessantíssimo. A série se inicia apresentando os três protagonistas principais — Christian, Samuel e Nádia —, suas vidas, conflitos e a forma com a qual acabaram ingressando em um colégio privado. A vida de cada um destes integrantes possuem particularidades a serem analisadas, porém, todos eles possuem um atributo em comum: a origem humilde. Enquanto os protagonistas nos são apresentados, uma história corre em segundo plano, a vida dos personagens secundários, cada qual com seus problemas. A maior problemática dentro deste roteiro é a desigualdade financeira e o bullying com o qual os estudantes são submetidos.

A série percorre uma linha tênue como em um documentário, onde tudo flui perfeitamente para ilustrar um segundo ato que não está explícito – a morte de um aluno —  onde cada um dos envolvidos estão constantemente narrando sua versão do ocorrido, fazendo com que as cenas ganhem em vidas, claro, tudo muito bem dosado e sem exageros. Aqui, poderemos observar quatro personagens que com certeza darão um gás na próxima temporada: Guzman, Carla, Marina e Christian. Ok, citei apenas um dos três protagonistas, mas creio que estes personagens são os que realmente trazem vida ao roteiro, são os que trazem aquela carga emotiva-reflexiva acerca da vida e das banalidades que ela carrega. De um lado temos Guzman, branco, loiro, olhos azuis, alto, rico, irmão de Marina e completamente explosivo, depois temos Carla, namorada de Polo, a responsável pelas cenas mais quentes da série ao lado de seu namorado Polo e do novato Christian, ao qual “brincam” sempre podem. Depois Marina, irmã de Guzman, uma das alunas mais inteligentes de todo o colégio, ela se envolve em uma encruzilhada amorosa com Samuel e Nuno, também é uma das alunas mais problemáticas do colégio, sem contar os inúmeros problemas que ela atrai para si tentando acertar, e para finalizar, Christian, de origem extremamente humilde, está sempre de bem com a vida, sorrindo, mas é um safado de primeira, e isso faz com que a atração pelo personagem só aumente, pois ele tem tudo o que gostamos de ver em uma cena: safadeza, sorriso maroto e duas caras, tudo o que aumenta o clímax de um enredo.  

Elenco de "Elite" | Foto: NETFLIX

Ainda não viu? 10 excelentes motivos para se ver Atypical

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Sam é um garoto autista de 18 anos, que encorajado por sua psicóloga, decide procurar uma namorada. Além de buscar mais independência e autoconhecimento, também começa a se ver envolvido na sua primeira história de amor, enquanto vários problemas ocorrem em torno do dia a dia da família.
Na primeira temporada, Sam está em busca de uma namorada, por motivação de sua psicóloga Júlia, quem o aconselha. Cursando o ensino médio, ele não tem muitas amizades, além de Zahid, seu amigo de trabalho — um galanteador muito divertido — e sua irmã, corredora e um tanto protetora.
Na segunda temporada, os pais de Sam — Elsa e Doug — encaram os desdobramentos de uma crise no casamento. Caisey tenta se adaptar à nova escola e fazer novos amigos. Sam se prepara para a fase pós-formatura.
É infinito o número de motivos pelos quais você deve assistir Atypical, e pensando nisso, separamos aqui dez excelentes motivos pelos quais a série deve ser levada a sério.

1)   SÍNDROME DE ASPERGER
Imagem: NetFlix

Você sabe a diferença entre a síndrome de asperger e autismo? O autismo e a síndrome de asperger possuem similitudes, porém, na síndrome de asperger (ou T.A) os jovens possuem uma capacidade cognitiva maior com relação aos diagnosticados com autismo, que chegam a possuir uma base cognitiva a ser trabalhada com paciência e aos poucos, e há um atraso no retorno comunicacional na linguagem. Saber diferenciar um do outro é o primeiro passo para se compreender o universo do outro com relação ao diagnóstico, é muito fácil julgar o próximo quando se ele é diferente, porém, isso se torna ainda mais fácil quando procuramos nos habituar e pesquisar sobre o assunto. Não é? O primeiro motivo é este: conhecimento acerca da vida de um garoto dentro do espectro e suas limitações. Conhecimento é tudo.

2)  ALTERIDADE 
Imagem: NetFlix
Alteridade é o termo que define o sentimento de um ser pelo outro, colocando-se sempre a mercê de suas necessidades, ou seja, alteridade é ser humano, colocando-se na posição do outro sem julgamentos precipitados. Nesta série, o protagonista, Sam, está passando por uma fase importante em sua vida, e isso, claro, evoca suas limitações, uma vez que ele precisará vencer uma infinidade de barreiras que uma pessoa fora do espectro não possui. Sam terá que trabalhar sua sociabilidade mais do que nunca, uma vez que sua vida está apenas voltada para família, psicóloga e escola. Aqui, iremos notar que o espaço do outro deve ser reconhecido e valorizado SEMPRE, afinal, nunca se sabe de fato pelo o que o outro está passando.

3)  ADÉLIA, ANTÁRTICO, IMPERADOR, GENTOO 
Imagem: NetFlix
Não são nomes comuns em nosso dia a dia, mas fazem todo sentido para Sam. Adélia, Antártico, imperador e Gentoo são as quatro maiores raças de pinguins do antártico. Elsa, mãe de Sam, o ensinou desde cedo pronuncia-las para quando estivesse em situação de estresse, e aparentemente, funciona. O motivo da escolha das palavras não foi aleatório, Sam é apaixonado por pinguins, gelo, ártico e tudo o que envolve o frio. Se você também é fã, está ai um excelente motivo para assistir, né non?


4)  REALIDADE PARALELA 
Imagem: NetFlix
Chamamos de paralelo tudo aquilo o que está diagonalmente oposto ao que vivemos em nosso cotidiano. E com toda certeza esta série está paralelamente oposta a tudo o que estamos habituados, aliás, para quase todos nós. Enxergar a vida alheia além do normativismo imposto pela sociedade é o primeiro passo para se compreender a existência da diferença na sociedade. Pessoas com diagnosticadas dentro do espectro possuem um comportamento diferenciado, e este comportamento, rendem muitos olhares feios e pré-conceitos acerca dos indivíduos. Compreender os sintomas, o modo de agir e a existência da pluralidade é o primeiro passo para se estabelecer a ponte da igualdade.

5)  DURAÇÃO E INTENSIDADE
Imagem: NetFlix
Os episódios desta série não chegam a durar 35 minutos, o que a faz perfeita para quem deseja acompanhar uma série curta e intensa. Atualmente a série conta com duas temporadas e todos os episódios focam na vida de Sam e em como isso afeta sua família. Uma série intensa, repleta de aprendizados. Vale o Play.

6)  ATÍPICO
Imagem: NetFlix
Você já se perguntou o que o nome da série significa ou ainda não tinha pensado nisso? Atípico é o termo utilizado dentro da psicologia, neurologia e psiquiatria para designar pessoas dentro do espectro do autismo. Aqueles que não estão englobados dentro deste termo, ou seja, os que não estão dentro do espectro, são chamados de neurotípicos. O significado traz uma carga especial para a série agora, né non?

7)  ZAHID 
Imagem: NetFlix

Está ai um excelentíssimo motivo. Zahid é o melhor amigo de Sam e trabalha com ele na Techtrópoles. Quando Sam não está ouvindo os conselhos de sua psicóloga Júlia, Sam está ouvindo os sábios conselhos de Zahid, um amigo empenhado em ajudar sempre que necessário. O que mais cativa neste personagem é sua facilidade em tratar todos totalmente iguais, ele não faz acepção de pessoa para pessoa, ele é humano com todas, inclusive com Sam. Ele o entende e o protege sempre que necessário. Realmente, um exemplo de ser humano.

8) PAIGE 
Imagem: NetFlix
Paige é a segunda pessoa de toda a série a enxergar Sam além do autismo. Ela é simplesmente uma das alunas mais inteligentes da série, e claro, apaixonada por Sam. Durante a série iremos avaliar o comportamento de Paige com relação à condição de Sam, uma vez que ela está o conhecendo agora e não está habituada a sua sinceridade desenfreada e ao seu estilo diferenciado. Ah, e claro, não podemos esquecer de dizer que ela NUNCA abandona o Sam, nunquinha. Um amor genuíno.

9)    SINCERIDADE DESENFREADA
Imagem: NetFlix
Sam não mente, nunca, jamais, em hipótese alguma, ele é simplesmente autêntico e anti-mentira. Sam não é o tipo de pessoa que pensa no que vai dizer ou na forma como irá dizer, ele simplesmente diz. Isso é uma característica que rende boas risadas, uma vez que nem sempre ele tende a escolher os momentos apropriados para fazê-los.

10)           SAM É UM MOLDE A SER SEGUIDO
Imagem: NetFlix

Durante a série notamos que uma pequena porcentagem de alunos e pessoas que conhecem o Sam tende a buscar informações e conhecimento acerca de sua condição para uma melhor aceitação, mas estamos sempre presenciando Sam buscando conhecimento acerca de como funciona o mundo dos neurotípicos para se enquadrar na sociedade. Realmente, um modelo a ser seguido.

E ai, tá bom ou quer mais motivos para descer para o play?

[RESENHA #277] Revolucionário e gay: A extraordinária vida de Herbert Daniel

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GREEN, James N. Revolucionário e gay: A extraordinária vida de Herbert Daniel – Pioneiro na luta pela democracia, diversidade e inclusão. 1. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018. 378 p. v. 1.

SINOPSE

Herbert Daniel foi um importante personagem na luta pela democracia. Na juventude, em meados de 1960, integrou grupos políticos de esquerda, como o Polop, Colina, VAR-P e a VPR, da qual foi um dos líderes, ao lado do comandante Carlos Lamarca. Mas a atuação revolucionária no campo político contrastava com a repressão de sua homossexualidade, que sentia como um “exílio interno”, como descreveu depois. Apenas em seu segundo exílio, na Europa, na década de 1970, foi capaz de assumir o relacionamento com o homem que se tornaria seu companheiro e o amor de sua vida, Cláudio Mesquita. 
Um dos últimos brasileiros a serem anistiados, ao retornar ao Brasil em 1981, engajou-se na política eleitoral e no ativismo em defesa do meio ambiente e dos direitos das mulheres, dos homossexuais e da população negra e indígena. Foi ele também um dos responsáveis por articular em todo o país o movimento pela garantia dos direitos de pessoas que vivem com HIV/aids – ação que lhe deu reconhecimento internacional. Faleceu em decorrência de complicações causadas pela aids, em 1992. 
Herbert Daniel aparece como uma ponte vital que liga antigos revolucionários e novos ativistas de movimentos sociais. Neste livro, o historiador James N. Green apresenta a vida dessa extraordinária e incansável figura, que se dedicou a tornar o mundo melhor e mais digno para todos. Ao mesmo tempo, o autor oferece detalhes sobre como os grupos revolucionários contra o regime militar se articulavam, como era a vida durante a ditadura – no Brasil e no exterior – e como se deu e o que estava em jogo nos processos de anistia e abertura democrática. 

RESENHA

Herbert Daniel foi uma figura significativa e complexa na política revolucionária esquerdista e ativismo social de meados da década de 1960 até sua morte em 1992. Herbert revolucionou a luta pelos direitos democráticos e sociais ao defender mulheres, indígenas, negros, gays e por ser desfavorável à discriminação de pessoas com HIV/aids. Durante sua trajetória de vida, Herbert passou por dois exílios, o primeiro deles foi o exilio de ter que esconder sua identidade sexual de seus companheiros enquanto servia uma organização guerrilheira, este fato, Daniel chamou de “exílio interno”, o segundo exílio deu-se após uma repressão governamental, o obrigando a viver grande parte da década de 1970 na Europa, retornando ao Brasil em 1981 com ideais políticos fortes e uma militância que o fez conhecido ao redor do globo. Green utiliza a vida de Herbert como referencial para os novos movimentos sociais da atualidade que possuem uma mesma finalidade na busca pelo direito das minorias. Herbert é visto como o retrato completo e dinâmico do compromisso com a democracia e igualdade.
Green é conhecido por desenvolver diversos livros que abarcam a temática das problemáticas sociais, o livro sobre Herbert Daniel não foi à primeira obra do autor a retratar a imagem do homem gay do Brasil, o autor também escreveu um livro intitulado “Beyond Carnival: Male Homosexuality in Twentieth-Century Brazil” [tradução: Além do carnaval: a homossexualidade masculina no século XX no Brasil], onde o autor evoca o sentimento de compaixão por parte do leitor, os levando a identificar as inúmeras dificuldades enfrentadas pelos homossexuais brasileiros, desfazendo de todo aquele mito que se tem acerca da identidade libidinosa aflorada no carnaval brasileiro, onde tudo o que se vê é sol, areia, pão de açúcar e homens se pegando. Green é uma voz ativa na luta pela democracia e pela liberdade de direitos cívicos, seus livros trazem a tona um grito de socorro em nome da comunidade +LGBTQI do Brasil, seus manuscritos são sempre voltados para a valorização da figura masculina e desmistificação das identidades criadas falsamente por idealistas moralistas. Se levarmos este segundo manuscrito em consideração, poderemos estabelecer o paralelo da escrita de Green, onde o autor traz à tona a vida de Herbet Daniel como forma de expor a situação brasileira com relação à identidade sexual. Sim, muito já se foi conquistado, mas muito não é o suficiente. É necessário militar em busca de mudanças e vozes ativas, e estes livros trazem a tona toda coragem que necessitamos para irmos às ruas. O livro sobre Herbert Daniel é o primeiro passo para se desmistificar a fantasia que o estrangeiro tem acerca do homem homossexual brasileiro desinibido e libidinoso, onde se vive uma vida plena em uma sociedade que aceita uma identidade sexual fluida. É necessário trazer a tona os obstáculos sociais que confrontam os homossexuais. Desde o final do século dezenove até a ascensão de um movimento politizado esquerdista em favor de gays e lésbicas, a subcultura homossexual vem sofrendo drasticamente com estas mudanças no social. Todo este cenário estudado por Green sobre a perspectiva de vida de Herbert Daniel tem se mostrado prolífica, pois a escrita torna-se palpável do início ao fim e é possível compreender o preconceito arraigado no Brasil, e convenhamos, a vida de Herbet Daniel é realmente um marco a se comemorar e se recordar, ele foi um homem que esteve a frente de seu tempo e lutou em favor de uma classe que era (e ainda é) extremamente desvalorizada.
Esta biografia acerca da vida do ativista Herbert Daniel é de fato um emaranhado de questões a se pensar. A escrita cativa da capa à contracapa. A escrita de Green acerca de Herbert e da comunidade +LGBTQI é sublime e nota-se um cuidado minucioso ao abordar temas tão complexos e difíceis de desenvolver. O livro é realmente um guia de autoajuda para aqueles que desejam obter forças para se manterem firmes em favor de movimentos sociais — ou se engajar em algum —.

[RESENHA #276] O poder do ator: A Técnica Chubbuck em 12 etapas - Do roteiro à interpretação viva, real e dinâmica

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CHUBBUCK, Ivana. O poder do ator: A Técnica Chubbuck em 12 etapas - Do roteiro à interpretação viva, real e dinâmica. 1. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2018. 448 p. v. 1.

SINOPSE

Best-seller do Los Angeles Times, O poder do ator foi publicado em mais de dez países e revela como a Técnica Chubbuck foi capaz de lançar e aperfeiçoar a carreira de grandes artistas. Brad Pitt, Jim Carrey, Charlize Theron, Eva Mendes, Catherine Keener, Halle Berry, Jared Leto, Jessica Alba, Gal Gadot, Jon Voight, Meg Ryan, Terrence Howard e Travis Fimmel são alguns que receberam prêmios após terem sido preparados por Ivana Chubbuck.
Ivana fundamentou sua técnica nas tradições de ensino de atuação — que remontam a Constantin Stanislavski, Sanford Meisner e Uta Hagen — e em exemplos de textos clássicos e contemporâneos. Recorreu a relatos inspiradores sobre como atores notáveis dominaram seu ofício e alcançaram sucesso. Sua eficácia está em trabalhar diretamente o comportamento humano, em sua essência. Não se trata apenas de aprender a atuar, mas de recorrer a teorias contemporâneas da ciência comportamental e da psicologia para transformar dores e traumas em vitória. É sobre como reverter o fracasso em sucesso. É sobre empoderamento.
A Técnica Chubbuck tem sido usada também para ajudar na capacitação de executivos, incluindo muitos que compõem a lista norte-americana da Fortune 500. Ao trabalhar a acessibilidade emocional, o profissional se fortalece para correr riscos, tomar decisões mais ousadas, lidar com desafios e é encorajado a perseguir conquistas.

RESENHA

A autobiografia de Ivana Chubbuck. Ivana Chubbuck fundou a “Ivana Chubbuk Stúdios” há mais de vinte anos, tornando-se uma das treinadoras mais procuradas em Hollywood. Ela também trabalha como consultora de roteiros e é atualmente uma figura reconhecida no mundo inteiro.
Atuar não é para qualquer um, e Ivana sabe disso mais do que ninguém e foi por este motivo que ela escreveu “O poder do ator”, um livro complexo acerca do mundo da atuação, das filmagens, sets e das produções de um ator. O livro possui uma estruturação muito bem desenvolvida, onde a autora apresenta os pontos mais claros e compreensíveis por trás da atuação, utilizando argumentação e exemplos muito bem elaborados. O livro também possui uma carga psicológica forte, onde Chubbuk desenvolve técnicas especiais para quem tem medo de palco ou para aqueles que pretendem desenvolver ainda mais sua habilidade diante de uma plateia ou câmera. O interessante na escrita de Ivana é que ela não desenvolve discursos de que você precisa apenas fazer, mas ela ensina métodos de como alcançar aquilo que se é necessário fazer, ou seja, este não é um livro de achismos mecânicos, ele é um manual prático.
Ivanna Chubbuck definitivamente sabe do que fala quando escreve. Este livro/manual é riquíssimo em informações para atores e diretores. Sua escrita é objetiva naquilo o que se propõe, não é atoa que se tornou um best-seller. Incrível. Indicado para atores e diretores.
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