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[RESENHA] Iracema - José de Alencar

Google Images | Divulgação

IRACEMA
. Alencar, D. J. São Paulo: Scipione, 1992, 82p. ISB 978-854-020-625-0 / R$ 17,90
Iracema | José de Alencar
Neste romance José de Alencar faz uma alegoria da fundação do Ceará, resultando em uma obra essencial do indianismo. A potiguara Iracema, a 'virgem dos lábios de mel', encontra nas florestas da orla cearense o português Martim. É o início de um conturbado amor proibido que revela, com lirismo e aventura, a contradição e o embate entre civilizações.
Iracema (ou Lenda do Ceará) é um dos romances mais conhecidos do escritor José de Alencar. Iracema é o terceiro livro da trilogia indianista escrita pelo autor sendo os outros dois: O guarani e Ubirajara.

Iracema é um clássico que busca abordar em seu enredo uma explicação clara e direta de como era a submissão dos escravos para com os colonizadores na época da colonização européia. Todo o contexto é narrado em forma de prosa poética e poemas contendo uma narrativa lírica poética, o que faz o livro ser agradável de se ler e traz uma nova experiência para os usuários que ainda não tiveram um contato com livros do gênero. 

Tendo como cenário os primeiros anos do século XVII, Iracema nos conta em detalhes como era quando Portugal estava sob o domínio da União Ibérica e de suas forças militares, castelhana e filipinas, entre outras. 

O romance conta a história de Martim (que quer dizer civilização) & pela protagonista Iracema (que quer dizer Natureza). A relação construída em prosa por José de Alencar presente neste conto tem como foco nos mostrar como era de fato o relacionamento entre o branco colonizador e os índios entre a cultura européia - buscando assim a criação de um mito, história, narrar um acontecimento de como se sucedeu a identidade brasileira atual. 

Iracema | José de Alencar

Tudo começa em 1608 quando Martim se torna responsável por regularizar a colonização da região que mais tarde viria a se tornar o Ceará. A história se discorre repleta de fatos históricos, muita prosa e uma dose sensacionalista ficcional criada por José de Alencar com suas fortes inspirações no autor Walter Scott. 

Iracema é apresentada no segundo capítulo do livro como sendo uma índia pertencente a tribo dos tabajaras repleta de beleza natural contendo em si "lábios de mel e cabelos mais negros que a asa da graúna, e de mais longos que talhe de palmeira". Martim como sendo um colono é alvo de uma flecha atirada por Iracema, mas não acaba não morrendo por piedade da própria índia que decide o leva-lo até a sua aldeia para que receba os cuidados necessários.

Na aldeia Martin recebe todos os cuidados possíveis por parte de Iracema e do Pajé da tribo que lhe oferece abrigo, cuidados, mulheres e proteção, porém, Martim decide se declarar para Iracema, mas foi em vão. Iracema tem que se preservar virgem por manter-se contigo a sete chaves o segredo de Jurema.Essa foi a tática utilizada pelo autor para poder explicar de forma direta o amor e admiração que os europeus tinham sob as terras americanas. 

É claro que como todo romance este também tinha empecilhos. A índia e o português estavam condenados a viverem separados por milhares de motivos, e os líderes religiosos da aldeia cuidariam pessoalmente para que tal acontecimento fosse possível. A tribo dos tabajaras começa a ter uma desavença com o português (que antes era aliado) já que o mesmo se encontra apaixonado por Iracema e por seus lábios de mel.

É claro que o romance é um dos clássicos de José de Alencar e narra as lutas que o casal viveria já que os mesmos optaram por prosseguir com o relacionamento, mesmo com a tribo de ambos os lados estando protestando contra este amor. 


A ação inicia-se entre 1603 e o começo de 1604, e prolonga-se até 1611. O episódio amoroso entre Martim e Iracema, do encontro à morte da protagonista, dá-se em 1604 e ocupa quase todo o romance, do capítulo II ao XXXII. A valorização da cor local, do típico, do exótico, inscreve-se na intenção nacionalista de embelezar a terra natal por meio de metáforas e comparações que ampliam as imagens de um Nordeste paradisíaco, primitivo. É o Nordeste das praias e das serras (Ibiapaba), dos rios (Parnaíba e Jaguaribe) e da Bica do Ipu ou "bica".

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