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[Resenha] A cor da coragem - Julian Kulski

sábado, setembro 17, 2016

/ by Vitor Lima
Titulo: A cor da coragem
Autor: Julian Kulski
Editora: Valentina
Ano: 2016 
Páginas: 416
ISBN: 9788565859721
Avaliação: 10/10
COMPRE: Loja da Valentina


"Afinal, o que fica para um homem, além da sua honra… e da coragem de viver por ela?" Julian Kulski Em 1º de setembro de 1939, a Alemanha invade a Polônia. É o início da Segunda Guerra Mundial. Em poucos dias, Varsóvia se rende aos alemães, soldados poloneses depõem suas armas, a cidade já é um amontoado de escombros. Julian Kulski é um menino polonês de apenas 10 anos de idade. Filho do vice-prefeito de Varsóvia, escoteiro ousado e entusiástico, ele tem a firme convicção de que deverá lutar contra o Invasor. A cor da coragem é o diário de Julian Kulski, a história de seu amadurecimento durante os cinco anos da brutal ocupação alemã. 
Diferentemente do diário de Anne Frank, narrado a partir da sua clausura no esconderijo de um prédio em Amsterdã, o de Julian Kulski se passa nas ruas de Varsóvia, no front, no combate cara a cara com o inimigo, no infame Gueto onde se encontram seres humanos famintos, desesperados e doentes à mercê de todo tipo de tortura, do enforcamento, do fuzilamento, da câmara de gás... "Este diário, escrito com o coração e pela mão de um adolescente, nos proporciona uma visão única e comovente da Segunda Guerra Mundial". Lech Walesa, Prêmio Nobel da Paz.


Vocês se lembrar que eu já mencionei este livro maravilhoso aqui, né? Caso não, você pode dar uma olhada clicando aqui e ficar por dentro. 

EU estou APAIXONADÍSSIMO por este livro, de verdade. A cor da coragem é um dos poucos livros com mais de quatrocentas páginas que eu li em um dia e algumas horas. 

A cor da coragem é um dos melhores livros que trazem em seu enredo um contexto dramático real, que foi a segunda guerra mundial. O livro foi escrito por Julian Kulski, que narra o início da segunda guerra a vários outros acontecimentos que a antecederam. O início dos relatos se inicia das primeiras lembranças de um garoto de apenas dez anos, que quer lutar por seus direitos e pelo direito de seu povo durante a invasão alemã à Polônia em 1939. 

Julian foi encorajado por amigos a publicar o livro com seus relatos após a segunda guerra mundial, o que poderia ajudar muitos historiados em vários quesitos para obtenção de resposta. O diário de Julian é um dos mais usados por historiados para compreender os acontecimentos e o rigor militar na época da ocupação nazista. Assim como em "O menino do pijama listrado", Julian se sente confuso, mas quer ajudar, quer estar presente, quer ir avante, quer defender sua cidade, seu país, seus amigos e tudo o que acredita, mas sua pouca idade não lhe permitem compreender a magnitude do que estava de fato acontecendo, ele só lembrava das ruas cheias de escombros e de casas sendo evacuadas e pessoas sendo deliberadamente expulsas de suas propriedades. 

Devido ao fato do livro ter sido iniciado e publicado após a guerra, o que não falta em suas páginas é referência. É possível ter acesso à vários mapas que explicam por onde as tropas nazistas chegavam, saiam, quais as terras que eles já haviam conquistado e onde era localizada toda e qualquer frota, esconderijo. 

O livro é de fato um diário de relatos. Os relatos são feitos com maestria, sempre datados e ricos em detalhes, então a dor de Julian pode ser sentida por todos que se atrevem a se aventurar em suas páginas. 

Julian nos conta com todos os detalhes possíveis os acontecimentos da segunda guerra mundial, desde o início ao fim. As perdas, pessoas sendo desalojadas de suas próprias casas, pessoas sendo levadas para trabalhos forçados em campos de concentração, regras ditadas por um exército rigoroso e impiedoso, e a incerteza e insegurança que circunda a mente de um garoto de apenas dez anos de idade. 

É impossível você identificar que fato te choca mais na narração de Julian, se é o fato do autor possuir apenas dez anos de idade, ou o fato de não saber nem um por cento de tudo o que estava acontecendo ao seu redor. Um dos trechos que mais me transmitiram dor e com toda certeza um certo "remorso" foi este:


Os efeitos do bombardeio durante a invasão de outono passado são sentidos até agora. Hoje mesmo acharam mais restos de corpos debaixo dos escombros, e as pessoas ainda estão tentando conseguir vidros para consertar as janelas [...] (Página 74)

É estranho você ler um relato destes e imaginar que quem escreveu tinha apenas dez anos quando viu o ocorrido. Como proceder? Como cresceu essa criança? E essa, nem é a pior parte.

Julian também fala das dificuldades que passara com os pais e com a irmã menor Wanda. No decorrer do livro ele discorre sobre o abuso de autoridade por parte das tropas alemãs em suas terras e do rigor imposto pelas autoridades nazistas. Não se sabia ao certo se acordar vivo no dia seguinte era algo bom, ou ruim.

A vida de Julian é sem sombra de dúvida um legado que ficará marcado não somente em páginas, mas na memória de todos os que se atrevem a aventura-se em suas páginas. Você nunca compreende cem por cento de um problema até enfrenta-lo, mas Kulski consegue te fazer sentir na pele o medo que ele passava todos os dias.

Julian possui dez anos e um desejo insaciável de lutar por algo que ele não tem a absoluta certeza do que seja, mas ele sabe que o país dele precisa dele. Toda ingenuidade de uma criança ainda habita Julian durante o período da invasão alemã, e a cada anotação feita em seu diário podemos descobrir o quão patriota Julian é. 

Um trecho de um de seus vários desabafos que nos toca profundamente é este relato presente na página 98, onde Julian narra o início da expropriação judaica de seus aposentos para o envio aos campos de concentração:


SEGUNDA-FEIRA, 30 DE SETEMBRO - Notei um novo aviso nos bondes: agora, alguns trazem uma placa com os seguintes dizeres Tylko dla Zydow (Só para Judeus). O que mais vão inventar? [...] A voz anunciou a divisão da cidade em três áreas habitacionais distintas e separadas: Alemã, polonesa e judaica. (Página 98).

A destruição da sua cidade natal, os escombros de uma rua que antes era um postal referência, uma cidade assombrada pelo medo e a incerteza de um amanhã. 

A cor da coragem é um dos títulos que com toda certeza irá entrar no top dez dos melhores livros em termos relativos à segunda guerra mundial.


Parabéns pela editora valentina por esta excepcional publicação.



Diagramação e detalhes técnicos
O livro está impecável em todos os sentidos. É possível observar a cada folhear que a linha editorial da editora valentina teve um cuidado especial no processo de criação, encadernação e arte do livro, do início ao fim. 

A tradução como sempre está impecável. As páginas contem destaques para as frases mais impactantes disponíveis nos capítulos. 

O livro possui diversos mapas explicativos que expressam o contexto do livro com relação a sucessão dos acontecimentos, o que auxilia o leitor mais leigo nos assuntos relacionados a segunda guerra mundial. 

O livro também acompanha uma série de mídias digitais que podem ser acessadas através do computador ou do celular. Vídeos e imagens auto-explicativas sobre os acontecimentos e alguns créditos estão disponíveis nas primeiras páginas para quem quer se aproximar mais no assunto, e isso é espetacular, nunca vi parecido.

O valor histórico desta obra é louvável, e merece uma atenção especial por não tratar-se apenas de um livro, trata-se de um documento.

ADICIONE este livro na sua estante do SKOOB (clica)

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SOBRE O AUTOR



Julian E. Kulski, nascido em 1929, em Varsóvia, Polônia, é descendente de um rabino-chefe de Varsóvia no século XIX, Dov Beer Meisels, e de um rei da Polônia no século XVIII, Stanislaw Leszczynski. Depois da guerra, Kulski estudou arquitetura na Inglaterra e nos Estados Unidos, bacharelando-se em 1953 e concluindo seu mestrado em 1955 pela Universidade de Yale, e vindo a concluir o PhD em planejamento urbano em 1966, pelo Instituto de Tecnologia de Varsóvia Membro do comitê diretor da Fundação Kosciuszko, Kulski recebeu várias condecorações do governo polonês, entre elas a prestigiosa Cruz do Heroísmo, a Cruz de Comandante com Estrela da Ordem do Mérito, a Cruz de Prata do Mérito com Espadas, a Cruz do Exército Nacional, a Medalha do Exército Polonês (quatro vezes) e a Cruz do Levante de Varsóvia. Kulski vive com a esposa em Washington, D.C.


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