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    segunda-feira, janeiro 30, 2017

    [CRÔNICA] Pertencer-se para transcender. Seja você!




    Pertencimento é um estado de graça não muito habitual à nossa necessidade carente de ser de alguém. Das frases mais cruéis que ouvi na vida, a afirmação “sou teu” superou toda e qualquer outra coisa que um dia pudesse me causar mal. Ser, antes de mais nada é pertencer a si próprio, reconhecer desde a sua docilidade enquanto animal, até a sua brutalidade enquanto homem. Dizer a alguém que a pertence é uma mentira que usamos para nos consolarmos do peso que precisamos carregar ao reconhecermos a nossa individualidade.


    Sou eu, devia (deve) ser a frase mais utilizada no nosso dia a dia, e não só pronunciada como um mantra para que nos acostumemos com essa verdade, mas ser posta em prática. Pois, experimente se por em frente ao espelho, se mirar bem no fundo dos olhos e dizer “sou eu”. Se houver silêncio no lugar onde você fizer isso, a frase vai ressoar num eco uníssono e ubíquo e levemente vai cair no lugar mais escuro do seu interior fazendo com que grandes ondas e tempestades se formem. Pense na imagem de uma pena branca e luminosa caindo vagarosamente num escuro nada, e de repente ela chega a um ponto onde não pode mais cair, ao tocar o fundo ondas luminosas se formam e ganham dimensões extraordinárias. Será assim que vai acontecer.



    Grite “sou eu”. E se estiver em lugar barulhento verá como as pessoas ao redor se assustarão com o fato de você afirmar ser você mesmo. A maioria dos humanos temem reconhecer-se, por que o reconhecimento é uma ferida que depois de aberta não para de crescer. É um câncer que exige paciência e maturidade, para aceitar desde falhas até virtudes que se aproximam a milagres sacrossantos.

    Pertencimento é um estado de contemplação de si próprio. Você se volta para a sua figura e passa enxergar a sua beleza, a sua feiura, a sua dualidade, ambiguidade, a dicotomia que te compõe.

    Então vamos fazer um trato, um trato entre amigos, a partir de hoje eu decreto para mim mesmo que sou eu, e você, também, tem a obrigação (diga isso para você “eu me obrigo a ser eu”) de ser você. Garanto, haverá felicidade, melhor entendimento das coisas, e uma paz, uma paz que o homem só encontra nesta terra no momento da sua morte. Ser também é morrer. É deixar de ser, refazer-se para se encontrar. Pertencer-se é um nascimento. Seja você, por que eu, eu serei intensamente, eu!



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