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Da cadeia para política, "Minha Luta", o livro de Adolf Hitler

terça-feira, janeiro 03, 2017

/ by Vitor Lima
Mein Kampf

“Minha Luta”, o livro de Adolf Hitler, entrou em domínio público em janeiro deste ano, e a Geração Editorial preparou uma edição especial com 278 comentários de 10 historiadores norte-americanos dos anos 1930, atualizados e enriquecidos por 48 de um historiador brasileiro e mais 28 do tradutor William Lagos. Os comentários ocupam cerca de 400 páginas, quase metade da presente edição. Além de quatro apresentações de profissionais reconhecidos. Conhecer na fonte as ideias de Hitler pode ser útil para se combater aqueles que podem se inspirar nele para tentar destruir a democracia.

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Minha Luta ou "A bíblia do Holocausto" é um dos livros mais populares de toda história da humanidade. O livro foi escrito por Adolf Hitler em 1923, após fracassar na tentativa de organizar um golpe de estado para tomada do poder no Partido dos Trabalhadores Alemães, ao qual tornou-se líder anteriormente no ano de 1921 e deposto no ano seguinte. Durante o período de cárcere Hitler redigiu o que chamou de “Minha luta”, o livro que promovia todo pangermanismo, antissemitismo, e anticomunismo, que tomou forte apoio militar e social do lado de fora das grades da cadeia. Devido ao seu forte carisma e um grande marketing, seu livro difundiu-se e todas as suas ideias antissemitas foram muito bem aclamadas e recebidas pelo público, o que ocasionou sua saída da cadeia no ano seguinte (1924).

Hitler acreditava seriamente que tanto o comunismo quando o capitalismo como sendo constituinte de uma conspiração judia. Em 1933, o Partido Nazista se tornou o maior partido eleito no Reichstag, com seu líder, Adolf Hitler, sendo apontado Chanceler da Alemanha no dia 30 de janeiro do mesmo ano. Após novas eleições, ganhas por sua coalizão, o Parlamento aprovou a Lei habilitante de 1933, que começou o processo de transformar a República de Weimar na Alemanha Nazista, uma ditadura de partido único totalitária e autocrática de ideologia nacional socialista. Hitler pregava a eliminação dos judeus da Alemanha e o estabelecimento de uma Nova Ordem para combater o que ele via como "injustiças pós-Primeira Grande Guerra", numa Europa dominada pelos britânicos e franceses.

Em seis anos de mandato Hitler reergueu a economia alemã do pó, após a grande depressão sofrida na primeira grande guerra mundial, isso fez com que sua popularidade só crescesse entre os alemães étnicos. É importante ressaltar que as ideias propostas em Mein Kampf não surgiram com Hitler, mas são oriundas de teorias e argumentos então correntes na Europa. Na Alemanha nazista, era uma exigência não oficial possuir o livro. Era comum presentear o livro a crianças recém-nascidas, ou como presente de casamento. Todos os estudantes o recebiam na sua formatura. Hitler começou a ditar o livro para Emil Maurice enquanto estava preso em Landsberg, e depois de Julho de 1924 passou a ditar para Rudolf Heß, que posteriormente, com a ajuda de especialistas, aos poucos editou o livro. Por sua peculiar natureza verbal, a obra original mostrou-se repetitiva e de difícil leitura, por isso precisou ser editada e reeditada antes de chegar à editora. Ele foi dedicado a Dietrich Eckart, membro da Sociedade Thule.

As principais ideias do livro são aquelas que mais tarde foram aplicadas durante a Alemanha nazista e a Segunda Guerra Mundial. Hitler desejava transformar a Alemanha num novo tipo de Estado, que se alicerçasse com o conceito de raças humanas e incluísse todos os alemães que viviam fora da Alemanha, estabelecendo também o Führerprinzip - conceito do líder -, em que Hitler dita que ele deveria deter grandes poderes, estabelecendo uma ideologia universal (Weltanschauung). O livro é dominado pelo antissemitismo. Hitler diz, por exemplo, que a língua internacional Esperanto faz parte da conspiração dos judeus, e faz comentários a favor da antiga ideia nacionalista Alemã do "Drang nach Osten": a necessidade de ganhar o Lebensraum (espaço vital) para o leste, especialmente na Rússia. Outro aspecto importante é o posicionamento político claramente anticomunista, e uma preocupação evidente com a expansão da ideologia marxista, tida pelo autor como "uma ideia tão judaica quanto o próprio capitalismo". Hitler usou como tese principal o "Perigo Judeu", que fala sobre a conspiração dos Judeus para ganhar a liderança na Alemanha. No entanto, o livro também é autobiográfico: dá detalhes da infância de Hitler e o processo pelo qual ele se transformou em um nacionalista, depois num antissemita, e finalmente num militarista, tendo sido marcado pela sua juventude em Viena, Áustria.

Os direitos do livro, que pertenciam a Adolf Hitler, foram entregues ao Estado da Baviera, por ordem do mesmo. O Estado da Baviera recusou-se a republicar e permitir republicações do livro, por isso o mesmo não se encontrava mais à venda, porém tais direitos caíram em domínio público no dia 31 de Dezembro de 2015, podendo ser editado e traduzido por outras editoras. Ainda assim, a divulgação de uma obra de impacto tão negativo ainda causa polêmica, com direito a uma versão digital sendo retirada de lojas brasileiras em janeiro de 2016 após uma ação judicial.

Em Portugal, em Junho de 2016 o célebre Mein Kampf – A Minha Luta, de Adolf Hitler, foi o maior êxito de vendas da editora Guerra & Paz durante a Feira do Livro de Lisboa. A obra onde estão enunciados os princípios ideológicos do nazismo deixou de ter direitos de autor em dezembro de 2015, o que inspirou a editora a lançar uma trilogia: além da obra de Hitler, Manuel S. Fonseca, o editor, publicou ainda o ‘Manifesto Comunista’ de Marx e Engels e o ‘Pequeno Livro Vermelho’ de Mao Tsé-Tung. Mas foi a obra de Hitler que mais interesse suscitou.


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