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    quinta-feira, janeiro 05, 2017

    [RESENHA] Achados e Perdidos - Stephen King

    Título: Achados e Perdidos (Trilogia Bill Hodges #2) 
    Título Original: Finders Keepers
    Autor: Stephen King
    Editora: Suma de Letras
    Páginas: 400
    Lançamento: 2016
    “— Acorde, gênio.”
    Assim King começa a história de Morris Bellamy. O gênio é John Rothstein, um autor consagrado que há muito abandonou o mundo literário. Bellamy é seu maior fã e seu maior crítico. Inconformado com o fim que o autor deu a seu personagem favorito, ele invade a casa de Rothstein e rouba os cadernos com produções inéditas do escritor, antes de matá-lo. Morris esconde os cadernos pouco antes de ser preso por outro crime. Décadas depois, é Peter Saubers, um garoto de treze anos, quem encontra o tesouro enterrado. Quando Morris é solto da prisão, depois de trinta e cinco anos, toda a família Saubers fica em perigo. Cabe ao ex-detetive Bill Hodges e a seus ajudantes, Holly e Jerome, protegê-los de um assassino agora ainda mais perigoso e vingativo.

    Opinião:

    Segundo livro da trilogia policial onde Stephen King dá vida ao policial aposentado Bill Hodges, já apresentado no seu romance anterior: Mr. Mercedes.

    Logo nas primeiras páginas o livro apresenta o peso habitual de King: uma invasão à residência do famoso e recluso escritor John Rothstein, comandada por um grande fã, chamado Morris Bellamy. Sabendo que fazia tempo que o autor estava afastado e sem lançar um novo livro, ele e seus comparsas invadem a casa do autor que pensa que os ladrões querem somente suas economias. Mas não, Bellamy sabe muito bem o que procura, obriga Rothstein a entregar-lhe seus cadernos, com mais histórias escritas a mão, incluindo uma do seu principal personagem, Jimmy Gold.

    Bellamy mata seu ídolo rouba suas anotações e economias. Ele sabia que poderia ganhar muito dinheiro vendendo aqueles livros originais, ainda inéditos. Mas sua idolatria era maior que sua ganância e ele queria aquelas obras somente para ele. Então as esconde dentro de uma caixa embaixo de um tronco de árvore perto da sua casa.

    Mas um belo dia, Bellamy é preso, por outro terrível crime. Condenado, espera 35 anos para rever seus bens mais preciosos. Quando ganha sua liberdade condicional vai procura-los imediatamente e encontra a caixa onde tinha guardado os cadernos e o dinheiro roubado de John, porém não existe mais nada dentro dela, alguém o roubou.

    Esse alguém é um garoto chamado Pete Saubers, que usa o dinheiro achado para ajudar sua família a superar uma grave crise, além de ter a ideia de vender os livros inéditos para algum dono de Sebos literários.

    É onde tudo começa a dar errado para o adolescente.

    Este segundo livro se liga muito bem ao primeiro, a sequência se encontra com a parte inicial de uma maneira fluida, sem coisas bizarras acontecerem para que Hodges, Jerome e Holly se unam novamente para resolver mais uma história, nem que algo difícil de se acreditar os liguem ao garoto Pete, para ajuda-lo.

    Porém, mais uma vez senti falta daquele terror da maioria dos livros de King. Assim como não é um livro de terror, este romance policial também não envolve nenhum mistério, King nunca esconde nada do leitor, buscando somente que fiquemos apenas ansiosos para saber como a história se desenrolará. E é nisso que King é um mestre, a cada palavra ele consegue deixar você mais agitado para saber como cada personagem ficará no capítulo seguinte e se no próximo instante algo de ruim poderá acontecer, e como sempre nos livros de King: ALGO DE RUIM ACONTECE!

    O livro tem um enredo bastante enrolado e cansativo, na minha opinião. Stephen King demora muito para deixar a história emocionante, fica longe das grandes publicações do autor, mas é indispensável lê-lo para continuar por dentro da trilogia do Detetive Hodges.


    O livro foi lançado em 2015, nos Estados Unidos, com o nome de “Finders Keepers”, uma expressãoque traduzida para o português seria o famoso ditado “Achado não é roubado”, e que faz todo sentido para o livro, assim como a capa americana do livro, uma árvore com uma caixa entre seus galhos. Mais uma vez as editoras BR deixam a desejar, mudando o titulo para algo que acham que venderia melhor e deixando de lado a real intenção que o autor teve ao intitular sua obra. Achados e perdidos não faz o MENOR sentido para o livro e você jamais entenderia o porque do título em português. Como já se tornou comum em filmes, parece que agora estragam os nomes dos nossos livros, na hora de traduzi-los, também.

    O livro chegou a ficar na primeira posição da lista de mais vendidos do jornal americano, The New York Times, mostrando que vendeu muito bem por lá, se tornando mais um best-seller de King.

    “End of Watch”, algo como “Fim do Turno” será lançado ainda em 2016 para encerrar a trilogia. Vamos torcer para que desta vez a tradução não estrague o significado do titulo e que tenhamos uma capa brasileira melhor.

    King segue diferente dos escritores comuns e consegue fazer mais um bom livro policial sem precisar que ele envolva mistério. É incrível como ele consegue prender o leitor sem que você sinta a necessidade de descobrir quem é o assassino misterioso, como na maioria dos livros do gênero.

    Longe de ser um dos seus melhores trabalhos, “Achados e Perdidos” é nada mais que um livro de transição da sequência, que liga o primeiro livro ao que ainda virá, provavelmente fundamental para a história.

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