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    quinta-feira, janeiro 12, 2017

    [RESENHA] A questão do Acre: um intricado tabuleiro na era dos impérios das encrencas à solução - Maikon Fabrício

    Titulo: A questão do Acre: um intricado tabuleiro NA ERA DOS IMPÉRIOS das encrencas à solução
    Autor: Maikon Fabrício Ferreira Viana 
    Data de publicação: Setembro de 2015 
    Número de páginas: 234 
    ISBN: 978-989-51-5425-8 
    Colecção: Compendium 
    Género: Ensaio

    Se o ilustre leitor deseja aprender sobre algo complicado, então, bem-vindo à questão acreana. Trata-se de matéria que colocou em rota de numerosas trapalhadas o governo de Campos Sales, e em seríssimo risco a estabilidade do governo de Rodrigues Alves, e, que, além de tudo isso, colocou em acentuados apuros, pelo menos, quatro ministros de Estado: Carlos de Carvalho, Dionísio de Cerqueira, e, sobretudo, Olinto de Magalhães e o Barão de Rio Branco. Nesse sentido, o Embaixador Teixeira Soares afirma com muita razão: “Quando a 3 de dezembro de 1902 o Barão do Rio-Branco assumiu a pasta das Relações Exteriores, a questão do Acre se complicara tanto que já não se sabia mais como deslindá-la” (SOARES, 1972, p. 229). Tanto é assim que: “Para Rui Barbosa o problema era jurídico. Para Serzedelo Corrêa era de mera interpretação [...] do Tratado de Ayacucho. Para Paula Freitas, matemático [...]. Para Teixeira Mendes era de ordem filosófica. [...] Só Rio Branco [...] é que teria a capacidade de sentir o problema, entendendo, com visão de estadista, o que seus três antecedentes na pasta do Exterior não puderam compreender [...]” (TOCANTINS, 2001, vol. 1, p. 214). Na verdade, podemos ir além, e podemos, com toda a certeza, constatar: o Acre “é um caso único e incomparável. Excepcional”, conforme diz o Embaixador e Professor Rubens Ricupero.

    Resenha:

    O livro “A questão do Acre: um intricado tabuleiro na era dos impérios das encrencas à solução” é do autor Maikon Fabrício Ferreira Viana. O livro possui como maior riqueza, a peculiaridade antropológica de estar dentro e perto, ou seja, o autor é morador dessa região do Brasil. Sua escrita tem a marca o registro pessoal e de experiência vivida no lugar. Justifica-se isso, pois, através do olhar do autor percebe-se as nuances de formação do estado, como na relação intensa entre as pessoas que formam este estado em relação a demais populações e a demais territórios. 

    O livro é do ano de 2015, realizado pela Chiado Editora, em síntese, o livro tem o objetivo de demonstrar a história do estado do Acre. Em questão teórica, o autor escolhe para a construção, fazer relações de formação do território acreano com demais territórios e populações. O livro é dividido em Introdução; 1. Mini-“vôo” sobre a era dos impérios (1880-1914); 2. Tentativa de síntese acerca do engendramento da questão acreana; 3. Da expectativa de guerra, do distrato do bolivian syndicate e da solução provisória; 4. Das negociações diplomáticas à consolidação do tratado de Petrópolis; Considerações Finais; Referências; Anexos e os dados do Autor. Vê-se que através dos capítulos do livro, o material seminal bibliográfico, e, a característica de escrita com tonalidade emotiva.

    Em relação à capa do livro, nesta parte há descrito o pseudônimo do autor, sendo Marquês da Amazônia. Historicamente, pseudônimos são utilizados para esconder sua real identidade na intenção de preservar a segurança do autor. Não é notória a necessidade disso na atualidade e no contexto evidenciado pelo autor. Assim, há um entendimento da intenção do autor, no uso do pseudônimo, como sendo para servir para evidenciar um posto de privilégio ou de status social. Com isso o pseudônimo perde sua relevância de uso, já que o mesmo serve apenas como propaganda. Nesta conjuntura, a utilização do pseudônimo, no caso do livro supracitado, traz sua utilização como uma tentativa de construção de privilégio e/ou de uma marca, sem um respaldo consistente.

    A questão metodológica é falha, pois não é demonstrado o processo de pesquisa, ou seja a metodologia de construção da pesquisa. Não é evidenciado também o público alvo. São informações básicas que demarcaria uma posição da bibliografia num ramo, seja ele acadêmico, ou literário, num sentido de ficção, ou um mix de inspiração da história local na transposição para a construção de uma ficção. Assim, percebe-se a lacuna que o autor deixa principalmente no que se refere aos dizeres de “encrencas à solução”. Sabe-se que o processo de construção de um lugar e nova territorialização há nuances de borramento e embaçamento cultural, que impossibilita a fixidez, seja de encrencas ou de solução. Assim, o autor não se atentou mais questões dinâmicas e fluidas que a teoria antropológica e sociológica demonstram.

     Outra característica que alia-se a essa é que nota-se que o livro é feito por alguém que emotivamente está ligado a este território. Poeticamente, essa característica é maravilhosa, pois vemos a beleza do ser humano se mover na escrita de sua história e cultura, mas isso, sem o rigor metodológico necessário, retira-se a ciência do trabalho e da bibliografia no âmbito acadêmico científico.
    Outra questão é o número demasiado de citações longas no decorrer do trabalho. Além de serem muitas citações longas, há falta de diálogo com a teoria colocada como citação e, portanto, fazendo com que a leitura seja densa e com obstáculos para o leitor. Parece mais um trabalho de conclusão final de estudante de graduação. Através de experiências de professores mestres e doutores, é possível dizer que o geralmente o estudante de graduação, compreende a importância do determinado texto como citação, mas tem dificuldade em dialogar. É necessário diálogo e retirar/minimizar citações longas, principalmente em livros para o grande público. Se o livro não for para todos os públicos, deve-se constar essa informação na capa do livro.  

    Atenta-se que o leitor mais técnico reconhecerá os aspectos de formação do escritor e desenvolvimento de certas habilidades, e por vezes, de não desenvolvimento de outras habilidades. Nesse contexto, essas lacunas, podem demonstrar uma fase iniciante do escritor do livro, qual o próprio escritor, ou uma equipe experiente de historiadores, antropólogos e sociólogos, poderão traçar com mais rigor metodológico e didático, no caminho para a transposição da pesquisa, para o material concreto, livro. 
    Afirma-se que a pesquisa do autor é muito bonita e de valor local, regional, nacional e até internacional, mas necessita de respaldo de uma equipe acadêmica para reorganizar o mesmo. Em suma, evidenciam-se os pontos positivos do trabalho, que se pauta no pioneirismo da pesquisa e é daí que surge o brilho e riqueza da edição.  

    O autor: 

    Maikon Fabrício Ferreira Viana é natural do Estado de São Paulo (Penápolis). Morou, durante a infância, em Goiás, e, sobretudo, em Rondônia. Adora a cidade do Rio de Janeiro. Residiu por vários anos, no Garimpo Bom Futuro, distrito de Ariquemes. E já residiu, aí, também, por muito tempo. Já foi garimpeiro e garçom (como garimpeiro, de fins de 2003 ao início de 2005). Além disso, trabalhou como menor aprendiz, na Brasil Distribuidora de Produtos LTDA., entre 2007 e 2008 (hoje, Brasil Super Atacados). Depois, como técnico administrativo da Semed (Secretária Municipal de Educação) de Ariquemes (entre 2008 e 2009). Em abril de 2009, ingressou nos Correios - ECT, se desligando a pedido, em junho de 2010. Nesse ínterim, prestou serviços voluntários à COOMIGA – Cooperativa Mineradora dos Garimpeiros de Ariquemes – como auxiliar administrativo, de meados de outubro de 2009 a janeiro de 2010. Trabalhou, também, no IBGE, ainda em 2010. Nesse mesmo ano, ingressa no IFRO – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia, como auxiliar de biblioteca, cargo que ocupa, atualmente. Foi bolsista do Pro Uni. Formou-se em História pela FIAR – Faculdades Integradas de Ariquemes (em 2012), curso com conceito 4, assim avaliado pelo MEC. Na mesma Instituição, cursou Geografia (2008). Pretende, entre outras coisas, ser diplomata de carreira. Nos tempos “vagos”, adora cantar e tocar bateria, e praticar esportes como futebol, futebol de areia, futsal, corrida de resistência (medalhista na Corrida dos Carteiros de 2009), ciclismo, tênis de mesa e outros. Além disso, é especialista em torta de amendoim e banana. Medalhista na I Olimpíadas Brasileira de Matemática (2005).

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