• NOVIDADES

    segunda-feira, fevereiro 20, 2017

    Alguém tem que ceder sobre as necessidades do outro para poder dar certo

    Diane Keaton e Jack Nicholson

    Não, isso não é um texto de auto-ajuda, ou talvez seja, bem, não sei ao certo. Essa semana eu estava refletindo sobre a necessidade de ceder-se para o outro para que um relacionamento caminho nos eixos. Será que um corpinho bonito, um sorriso bacana e um cabelo estiloso bastam para poder conquistar nos dias de hoje? Será que as pessoas estão tão vazias que elas não buscam a essência do ser humano que é realmente o que vem de dentro? Ninguém nunca pensou que o que importa está por dentro de fato, por que não abriram os olhos para realidade: Quando uma pessoa morre, o corpo fica, mas a essência de quem ela era em vida, se vai. E é essa essência, essa energia e tudo o que ela nos passava em vida que vai deixar saudades. 

    Eu sempre deixei claro que romance não é comigo, definitivamente, não é comigo. Eu não sei lidar com as minhas emoções, por que eu sou o tipo de pessoa que transborda. Se for para chorar, choro em excesso e se for para ficar com raiva, a minha raiva excede fronteiras, por que eu não aprendi a gostar pela metade de alguém, porém, essa semana eu relembrei de um filme que eu vi a um tempo atrás chamado "Alguém tem que ceder", ele é simplesmente fantástico, um dos melhores que vi na vida para ser sincero, e adivinha? É um romance, porém, tudo flui de forma tão natural, que é impossível você não se emocionar com os personagens.

    Alguém tem que ceder narra a vida de três personagens extremamente peculiares: Harry Sanborn, Marin e Erica Barry. Harry é um magnata e playboy profissional na arte da conquista que consegue facilmente fisgar o coração de Marin, que trabalha em leilões de obras de artes. Harry tem pouco mais de de sessenta anos, enquanto Marin tem trinta, a diferença de idade é gritante para a mãe da garota quando conhece o rapaz, porém, Marin rebate os comentários afirmando que ele tem muito mais para oferecer além da avançada idade.

    Erica está divorciada e seu ex marido ainda trabalha com ela na direção de suas peças de teatro e claro, já seguiu a vida com uma garota dez ou vinte anos mais nova e é claro que isso incomoda Erica. 

    Érica é o tipo de mulher que sente-se abandonada, afinal, acabara de passar por um divórcio e seu ex-marido está completamente bem sem ela, e isso a deixa frustrada e insegura com relação a si mesma. Podemos perceber no decorrer do filme que Erica sente-se menos feminina, menos atraente e consequentemente menos desejável. Podemos observar isso já no início do filme, quando ela e sua irmã Zoe encontram Harry em sua cozinha na geladeira e o ameaçam de manda-lo para cadeia, o comentário de Harry incomoda bastante Erica:

    "Você foi muito máscula, se um dia eu encontrar um cara de cueca na minha geladeira eu espero ser tão másculo quanto você foi agora".

    E em resposta: "Eu não acho que eu tenha sido tão máscula assim..."

    O que revela uma segurança interna e confirma a hipótese de que Érica sente-se menos feminina e menos atraente com relação aos homens. Harry é um magnata que não sai com mulheres com mais de trinta anos de idade, segundo ele, estas mulheres são mais fáceis de ludibriar, elas "caem" na sedução, não questionam, não perguntam e nem indagam sobre nada muito profundo, já mulheres que vivem após os trinta anos são mais complexas.

    O ápice desta obra iconográfica dá-se quando Marin (filha de Erica) percebe que a presença de seu amigo de mais de sessenta anos desperta sentimento e interesse em sua mãe. Tudo começa quando Harry sofre um ataque cardíaco e fica uns dias na casa de Erica para resolver algumas questões ligadas ao trabalho, porém, Marin está sempre em um novo leilão, portanto, nunca está presente de fato para poder acompanhar a rotina de sua mãe com o magnata, o que deixa ambos a vontade para se conhecerem e deixar fluir.

    Essa não é simplesmente uma história de amor, ela é uma história de aprendizado. Ela também não é uma história clichê, nem previsível, muito menos cansativa. É a história de que o destino encarrega-se de trazer a pessoa certa no tempo certo. Alguém tem que ceder narra a história de três pessoas que vivem em épocas diferentes, com sentimentos diferentes. Erica tem quarenta anos, Harry sessenta e três e Marin trinta, a diferença entre o aprendizado e o caminhar. 

    ceder e se doar para o próximo sobre suas necessidades priorizando a quem precisa de nós, é amor. E esta e a mensagem mais que linda que podemos aprender da vida: Valorizar o próximo, os momentos que temos juntos, os planos e focar no presente, no agora. 

    Esse textão todo, só para falar que eu recomendo o filme. Simplesmente incrível.

    Nenhum comentário: