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    quarta-feira, fevereiro 22, 2017

    [ENTREVISTA] Gean Pimentel — Autor de "Codinome Neo"

    Gean Pimentel | Acervo Pessoal | Divulgação

    Gean Pimentel (22) é um cara apaixonado pela escrita que conseguiu se encontrar nas palavras. É entre uma hora e outra  como secretário na OAB de sua cidade e nas madrugadas à dentro que escreve seus livros. E com ele nosso dois dedos de prosa de hoje. 

    1. Como nasceu o seu relacionamento com a escrita?

    Eu sempre gostei muito do poder que as palavras têm sobre uma pessoa. Por volta dos meus 14 anos eu comecei a registrar em papel tudo aquilo que fervilhava na minha mente, às vezes vinha em forma de poesia, letras de músicas e às vezes tudo saia só como frases e textos simples, mas sempre saia alguma coisa. É muito importante que todo mundo encontre sua válvula de escape, seja ela por meio da escrita ou não, e eu achei a minha.

    2. Qual foi o primeiro livro que você escreveu? E como surgiu a ideia de escrever um livro?

    Meu primeiro livro finalizado foi o Codinome Neo. O que me inspirou em escrevê-lo, inicialmente, foi um documentário que assisti que abordava o tema. Então, fui mais à fundo em busca de pesquisas e pensava comigo: “cara, isso dá história!” E de fato deu, explorei o assunto no Codinome Neo e pretendo dar sequência na trama. Quando nós nos dispomos a contar uma história, temos que ter em mente os seus dois lados. Conhecendo esses dois lados, é possível se aprofundar mais e mais naquele enredo. 

    3. Quais suas principais inspirações literárias?

    Olha, confesso que sou um eterno apaixonado por romances. Nicholas Sparks é um dos melhores romancistas, na minha opinião e sou fá do cara mesmo. (rsrsrs). Acho J. K. Rowling um exemplo a ser seguido por toda a sua trajetória de vida, desde os desafios que passou no início até se tornar essa consagradíssima escritora. Gosto muito da forma como Dan Brown conduz suas tramas, sempre recheadas de mistérios e riquíssimas de conhecimento para quem lê. Acho que saber que existem pessoas tão magnificamente boas no que fazem como essas me inspira a querer cada vez mais contar uma boa história. 

    4. O que você considera mais difícil durante a escrita de uma história?

    Eu acho que é você saber usar as doses certas de tudo um pouco. É importante você discorrer sobre um fato, mas não pode deixá-lo cansativo. Não diria que é difícil, mas o mais desafiante em escrever é o autor criar uma trama interessante e que ao mesmo tempo prenda e envolva seu leitor de forma que ele não largue seu livro antes de ler a última página. Bons personagens têm esse poder. 

    5. Quando decidiu se tornar escritor?

    A partir do momento em que senti como a escrita me fazia bem. Desde então percebi que o que eu quero para mim é contar uma boa história.

    6. Qual de seus personagens você mais gosta?

    Embora eu tenha uma certa recaída por vilões, ainda prefiro a delegada Lara, que é a protagonista do Codinome Neo. Todo bom mocinho tem que ter seu vilão, e no caso da delegada, ela não tem só um, mas uma célula neonazista inteira contra si. E como se isso não bastasse, um deles acaba roubando seu coração. Gosto da Lara porque ela é forte, independente e foge do padrão “mocinha”. Encara os fatos, não faz o tipo da moça que busca o amor da sua vida, mas se ele aparecer, ela sabe como fisgá-lo (rsrs).

    Gean Pimentel
    7. Como você sente quando recebe um comentário positivo acerca de sua obra?

    Quase explodo de alegria (rsrsrsrs). É muito bom saber que alguém gostou daquilo que escrevi e de alguma forma trouxe algo positivo para sua vida. A maior recompensa para quem escreve é ser lido, e quando recebemos um feedback de um leitor, é a prova viva de que isso aconteceu.

    8. Pretende escrever novos livros? Tem algum projeto em mente chegando?

    Já comecei inclusive a escrever a sequência do Codinome Neo. Daqui a um tempo já estará pronta. Tenho um projeto já finalizado, guardadinho na gaveta que só estou esperando o momento certo de dar o play.

    9. Qual gênero literário você mais se identifica?

    Romance e Mistério. Ainda mais quando consigo reunir esses dois elementos numa leitura. O Codinome tem uma pegada investigativa, policial, mas não deixo de colocar também uma pegada de romance, porque acredito que todo mundo tem uma coisinha para se identificar com isso, por menos que seja. 

    10. O que você diria para as pessoas que estão conhecendo tanto você, quanto a sua escrita agora?

    Estou disposto a aprender cada vez mais para passar sempre o meu melhor para frente. Tenho muitas ideias para contar e muita vontade de fazer isso. Eu quero saber a opinião de quem está me lendo, o que está gostando, o que gostaria que eu me aprofundasse, que assuntos eu deveria destrinchar mais... enfim, sou um autor que quer andar de mãos dadas com meu leitor e ir batendo um papo pela trajetória, conhecendo um pouquinho dele e me deixando ser conhecido também.

    11. O que as pessoas devem esperar da sua escrita?

    Espere coisas novas e ágeis. A minha escrita não é “enrolativa”, eu gosto de surpreender o leitor a cada capítulo e para isso é preciso que a história se desenrole e não se arraste. Sou um autor jovem e estou disposto a amadurecer minhas histórias conforme eu for me amadurecendo e evolui-las conforme eu evoluo, por tanto quero que meu leitor também amadureça junto conosco.

    12. Qual passagem do seu livro te marcou mais? Existe um trecho que você goste mais que os outros?

    Como eu disse anteriormente o personagem que eu gosto mais e que também leva o título que mais me marcou é a Lara. Por tudo o que foi citado, e por ela fugir do padrão mocinha, errando, tendo medo, quebrando a cara, aprendendo com os erros, se arriscando, ela é a que mais me marca. Um trecho que me marcou foi o embate entre ela e a vilã neonazista, na reta final da história, em que as duas acertam as contas. Não vou falar mais pra não contar muita coisa pra quem está lendo ou ainda vai ler.

    Codinome Neo
    13. Como foi a recepção do público com relação ao seu primeiro livro?

    A melhor possível, tanto na minha cidade quanto aos comentários que recebo em redes sociais de pessoas que moram distante de mim. O carinho é sempre muito caloroso e construtivo das duas partes.

    14. O que te inspira a continuar escrevendo?

    Tocar as pessoas de alguma forma. Acredito que as palavras têm o dom de dar consolo a quem precisa e ao mesmo tempo dar coragem e ânimo a uma pessoa. Saber que aquilo que escrevi despertou um sentimento que seja, é a mais gratificante recompensa que poderia ganhar.

    15. O que você diria para alguém que está iniciando a escrita do seu primeiro livro?

    Colega, tenha paciência, não se desespere porque tudo vai dar certo. Sabe quando você tem aqueles bloqueios criativos e parece que não vai conseguir mais escrever nada ali? Pois é, eu já tive e não foram poucos. Quer uma dica? Não force. Relaxe, se distraia, ouça uma música, dê uma volta, veja um filme... sabe aquela série nova? Maratone ela! Depois de um tempinho de descanso, você verá como sua escrita vai voltar a fluir naturalmente. O segredo é ter paciência e persistência. Acredite no seu trabalho, na sua história e mãos à obra. Ah, e não se deixe desanimar por comentários maldosos de quem nada acrescenta, não pense em desistir porque dizem que não vai dar certo, pois você só saberá se dará certo depois de muito trabalho. E escreva, escreva e escreva! De tudo. Afinal, é isso o que você gosta, não é? Então estale os dedos e escreva. Tá com raiva de uma pessoa? Escreva! Quer dar na cara dessa pessoa? Escreva! Teve o coração partido por um/uma crush? Escreva! Tá feliz? Escreva! É escrevendo que se aprende a escrever.

    16. Na sua opinião: Qual o pior erro que um autor pode cometer durante a escrita do seu primeiro livro?

    Pensar em escrever somente para agradar os outros ou fazer aquilo que o mercado “pede”. Óbvio que é importante tentar agradar as pessoas, mas é impossível agradar a todos! Acredite, tem gente que ganha a vida desmerecendo a vida do outro. Relaxe, escreva aquilo que você gosta, explore um tema que você tenha familiaridade e não tenha pressa. Quando a história tiver de sair, ela vai sair. A primeira pessoa que tem que achar sua história fantástica, a melhor e a mais f*da é você mesmo! É somente agradando-se que poderá agradar alguém. 

    17. Onde podemos encontrar seus livros para compra? Qual você indica que nossos leitores conheçam primeiro?

    O Codinome Neo pode ser encontrado em livrarias e comigo mesmo. Devido a um probleminha com a Editora, o site da mesma está temporariamente fora do ar, mas resolvido o problema, o livro também está sendo vendido por lá. www.livrostdl.com.br.

    18: Qual a sua opinião sobre a literatura nacional nos dias de hoje? Acha que é bem divulgada pelos blogs literários e editoras?

    Ainda há um pré-julgamento muito grande em relação a literatura nacional contemporânea. Mas, assim como são os próprios brasileiros que ainda tem receio quando se fala de livro nacional, acredito que somos nós mesmos que vamos quebrar isso. Temos muitos autores excelentes e com histórias espetaculares esperando para ser lidos. A literatura brasileira é ótima, basta dar uma chance para os escritores da casa. Existem muitos blogs literários que são parceiraços dos novos autores e isso contribui e muito para a divulgação, são excelentes meios para chegar ao público leitor.

    19. Se você pudesse dar um conselho para os seus amigos escritores por meio desta publicação, o que você diria a eles?

    Por experiência própria eu sei que tem gente muito mal intencionada no mercado literário. Gente que diz ser Editora, mas na verdade são só aproveitadores baratos que buscam sugar o sonho de um escritor. Não podemos nos deixar abalar por essas pessoas porque elas podem até pensar que estão se dando bem, só que mais para frente o troco vem e corrigido monetariamente. Tem editora que diz “estar em busca de novos talentos”, mas estão mesmo em busca de se darem bem em cima do talento do novo escritor. Juntos nós somos mais fortes e, pouco a pouco, vamos escrevendo página por página da literatura do nosso país.

    20. Obrigado pela oportunidade de conhecer um pouco mais de seu trabalho. Sucessos! 

    Eu que agradeço imensamente a oportunidade e a visibilidade no Catraca Seletiva. Acompanho sempre e vejo a dedicação e esmero em divulgar e apoiar o autor nacional. Isso é importante, pois valorizar o talento de Casa é valorizar e contribuir também pela nossa cultura Quero agradecer mais uma vez pela honra e espero que possamos sempre crescer e divulgar mais e mais a literatura brasileira contemporânea. Um forte abraço a todos. 

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