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    terça-feira, fevereiro 07, 2017

    [ENTREVISTA] Juliana Leite, autora de "Cadu"

    Julia Leite | Acervo Pessoal | Reprodução


    Como nasceu seu relacionamento com a escrita?

    Apesar de ter uma mente muito criativa, nunca fui de passar minhas ideias para o papel, minhas histórias nasciam e morriam na minha cabeça, porém, havia uma que estava sempre presente, que me perseguia desde muito tempo, foi quando, em 2015, eu resolvi escrever um livro sem grandes pretensões, era apenas para ter um pouco de paz, para acalmar a mente. Deu certo! E hoje não penso em parar nunca mais.

    Qual foi o primeiro livro que você escreveu? E como surgiu a ideia de escrever um livro?

    Meu primeiro livro foi High Definition – O Amor Não Tem Gênero, um romance da Literatura LGBT. 
    A ideia surgiu a partir da necessidade de acalmar a mente, pois a história de Daniel e Henrique me perseguia desde muito tempo, onde eu tinha sonhado com esses dois rapazes (muito louco isso, mas é verdade!), numa praia, e eles me pediam ajuda, pois estavam apaixonados um pelo outro e ninguém poderia saber. Esse sonho ficou marcado e eu estava sempre criando um cenário e uma trama em volta disso, mas não tinha sequencia lógica e nem continuidade. Quando resolvi escrever foi como uma luz ascendendo em minha mente.

    Quais são suas principais inspirações literárias?

    Sempre gostei muito de ler, desde muito nova, passando pelos quadrinhos de Maurício de Souza, os clássicos da literatura nacional em tempos de escola e romances variados nos momentos de lazer, mas nunca me prendi a autor algum, o que me prende mesmo são as obras. Leio de tudo, romances dos mais variados estilos, mas têm uns que me marcaram, como Cem Anos de Solidão, de Gabriel Garcia Marques, Se Houver Amanhã, de Sidney Sheldon, O Dia do Coringa, de Jostein Gaader, Feliz Ano Velo, de Marcelo Rubens Paiva, O Alquimista, de Paulo Coelho, e tantos outros que se eu citasse daria uma lista gigantesca.


    O que você considera mais difícil durante a escrita de uma história?

    Descrever sentimentos, pois é uma parte que mexe diretamente com o meu emocional. Descrever fatos e acontecimentos é fácil, mas na hora de narrar o que personagem sente é como se eu estivesse vivenciando aquilo, medo, angústia, solidão, amor, desejo, tristeza... Nessas partes eu sempre demoro mais, e tenho que dar várias pausas durante a escrita.

    Quais seus livros e qual deles você gostou mais de escrever?

    Eu tenho dois romances da Literatura LGBT atualmente, High Definition – O Amor Não Tem Gênero (que é uma duologia e o segundo deve ficar pronto até junho) e Cadu.
    Não tenho como dizer qual dos dois eu gostei mais de escrever, escolher um seria como escolher entre dois filhos. HD eu comecei sem pretensão de publicar, mas quando eu terminei eu gostei tanto do resultado que acreditei que todo mudo deveria ler. Já Cadu eu comecei apenas para não deixar a plataforma Wattpad vazia, já que eu teria que retirar HD, pois seria publicado pela Editora Bezz. Amei escrever todos dois, mas Cadu eu sofri mais.

    Qual dos seus personagens você mais gosta?

    Escolher um personagem cai no mesmo drama da pergunta anterior. Amos meus personagens, principalmente os protagonistas, são meus casais preferidos no mundo, Daniel e Henrique, e Cadu e Rhyan. Seria mais fácil encolher os que eu não gosto, que são, Vini, de HD e Apolo de Cadu. 
    Como você se sente quando recebe um comentário positivo acerca da sua obra?

    Graças á Deus eu nunca recebi um comentário negativo, e isso é extremamente gratificante, me faz ter a certeza de que estou no caminho certo. Sobre os comentários positivos sinto-me honrada e feliz. Claro que temos que nos aperfeiçoar sempre, e o feedback dos meus leitores são sempre de muito carinho e incentivo, e procuro sempre ouvir a opinião deles. 

    Pretende escrever novos livros? Tem algum projeto em mente chegando?

    Sim, assim que terminar Cadu tenho dois projetos em mente para 2017. Vou voltar a escrever a continuação de HD, que deve sair em meados de junho, a logo em seguida começarei um romance hetero envolvendo muitos mistérios e amores.

    Qual o gênero literário que você mais se identifica?

    Romances, de todos os estilos, histórico, urbano. Chick lit, hots, espíritas. Sou muito eclética. 
    O que você diria para as pessoas que estão conhecendo tanto você quanto a sua escrita?
    Sou casada e mãe, sou uma pessoa tranquila, simples, caseira, que adora estar na companhia dos filhos e do marido. Escrever para mim é um grande hobby, escrevo porque encontrei na escrita uma grande paixão e uma forma de manter a mente calma (Acho que todo autor tem a mente inquieta).
    Quanto á minha escrita, deixo-me levar pela história, quando escrevo deixo de ser eu e passo a viver o personagem, por isso procuro dar muita veracidade aos meus textos, e por isso também sinto tanta dificuldade em descrever sentimentos, pois se o personagem sofre, eu sofro junto. Mas isso é maravilhoso. Escrever é quase como habitar um mundo paralelo. Lá eu sou qualquer coisa, basta escrever.

    O que as pessoas devem esperar da sua escrita?

    Como disse antes, procuro dar o máximo de veracidade aos meus textos. Sou muito descritiva, descrevo cenários, personagens, sentimentos, e meus dois livros são narrados no presente e na primeira pessoa. Meus personagens são muito intensos, e tenho uma grande vocação para o drama, mas adoro finais felizes.

    Qual passagem do seu livro te marcou mais? Existe um trecho que você goste mais que outros?

    Como em todo livro, existe uma parte que é o ápice da história. Em HD a parte que mais me marcou é quando Daniel descobre quem é seu verdadeiro pai, foi difícil descrever um sentimento que eu nunca vivenciei, e me por no lugar dele foi bem cansativo. Já em Cadu, todas as cenas em que ele narrava foram difíceis, pois ele sofre demais nas mãos do louco do Apolo, mas a cena que eu mais chorei escrevendo é quando Cadu é sequestrado e Rhyan vai salvá-lo. 

    Como foi a recepção do público com relação ao seu primeiro livro?

    Eu publiquei HD primeiramente no Wattpad. A recepção foi surpreendente, os comentários sempre positivos e muitas pessoas se identificando com a história. Cheguei a receber um elogio que me marejou os olhos, onde a leitora disse que “é o melhor livro do wattpad”, cheguei até a publicar no meu perfil do Facebook (no pessoal, pois na época não tinha o perfil de autora) de tão emocionada e feliz que eu fiquei. Agora que está no Amazon, os comentários também estão sendo bem positivos, todos cinco estrelas. 

    O que te inspira a continuar escrevendo?

    Escrevo porque amo, e tudo que tem amor é para se eterno. Não quero ser piegas, mas quando estou escrevendo me sinto feliz, me sinto leve e em paz. E criar histórias em que as pessoas podem sonhar, vivenciar experiências, conhecer lugares, é sempre um incentivo para continuar. 

    O que você diria para alguém que está iniciando a escrita do seu primeiro livro?

    Para se comprometer com que está fazendo. Nem sempre vai haver motivação e inspiração, mas quando se está comprometido, você vai até o fim. Pesquise, se informe, obedeça as regras de português e de ortografia, escreva com responsabilidade e siga em frente. 

    O que você tem a dizer para os leitores do Catraca Seletiva?

    Primeiramente eu quero agradecer ao Vitor pelo convite e pela oportunidade de mostrar um pouco do meu trabalho. Quanto aos leitores eu espero que tenham gostado do que leram. Procurei com minhas obras passar uma mensagem, onde o amor é para qualquer um e para todos. E eu só desejo que todos vocês possam abraçar as diferenças em prol da igualde. Respeitar o próximo é respeitar a si mesmo. 

    Onde podemos encontrar seus livros? Qual você indica que nossos leitores leiam primeiro?

    High Definition - Amor Não Tem Gênero está disponível para compra em e-book no Amazon, e Cadu está disponível no Wattpad para leitura gratuita.

    Indico que leiam primeiramente High Definition, que conta a história de dois amigos de infância, que embarcam numa viagem inesperada e lá descobrem o quase impossível, descobrem o amor um no outro. Um amor secreto e incondicional, regado ao medo e ao preconceito, mas que trás á tona segredos de família, mudanças de paradigmas, aceitação e entrega.

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