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    quarta-feira, fevereiro 01, 2017

    [ENTREVISTA] Saulo Moreira, autor de "O grupo"

    Autógrafo - O grupo | Reprodução | Acervo Pessoal

    Saulo Moreira é o  autor que possui uma bagagem e tanto. Nascido e criado em Minas, o autor começou a se apaixonar pela escrita dentro das salas de aula durante leituras obrigatórias para cumprimento e obtenção de nota extra. Através da escrita fantástica dos romances de Agatha Christie, nasceu o amor pela literatura. Não muito diferente de outros escritores, Saulo viu-se na necessidade extrema de colocar para fora tudo o que estava sentindo com relação a escrita quando sua imaginação já estava para explodir.

    Suas maiores inspirações? Agatha Christie, Edgar Allan Poe, Tolkien, Stephen King e André Vianco. E é com este maravilhoso escritor que teremos hoje dois dedos de proza.

    1. Como nasceu o seu relacionamento com a escrita?

    Num período de crise onde minha família passava por problemas financeiros e meus pais estavam para se divorciar, entre outras coisas que me tiravam o sono. Eu passava horas a fio pensando na vida e numa destas madrugadas resolvi colocar o que me incomodava no papel e peguei gosto. Escrevi alguns poemas, depois crônicas e mais tarde decidiria escrever meu primeiro livro.

    2. Qual foi o primeiro livro que você escreveu? E como surgiu a ideia de escrever um livro?

    Saulo Moreira | Acervo Pessoal
    Chama-se O Grupo. Livro onde jovens que jogam RPG resolvem se assassinar. A ideia nasceu em uma mesa onde conversava sobre isso com meus amigos de jogatina. Falávamos sobre casos em que culparam o RPG e eu comentei: querem saber, um dia eu escreverei um livro onde os garotos que jogam resolvem se matar. Nunca vi nenhum livro explorar isso.

    3. Quais suas principais inspirações literárias?

    Vou variando entre diversos autores. A responsável por me fazer apaixonar por livros foi a Agatha Christie. No início da juventude teve Anne Rice, Edgar Allan Poe e Tolkien. Depois eu li tudo o que podia do Dan Brown e atualmente o escritor que mais admiro é o Bernard Cornwell. No entanto duas inspirações diretas para o meu segundo livro, Resquícios de Nós Mesmos, foram Stephen King e  André Vianco.

     4. O que você considera mais difícil durante a escrita de uma história?

    Segurar minha vontade de descrever tudo. Fico querendo detalhar tudo o que acontece na cena, cada pedaço do chão e da parede, a expressão e sensação de cada personagem, mas o ideal é deixar espaço para a imaginação do leitor.

     5. Quais seus livros? E qual deles você mais gostou de escrever?

    Resquícios de nós mesmos 

    O Grupo é o meu livro físico, lançado durante a Bienal de 2016 pela Editora Pendragon onde falo sobre jogos e comportamento através de um serial killer perseguindo jogadores de RPG.

    Resquícios de Nós Mesmos é um e-book disponível na Amazon que retrata um detetive que sofre de amnésia e não confia na sua própria personalidade e precisa retomar o contato com traumas anteriores para desvendar um assassinato envolvendo circunstâncias sobrenaturais.

     6. Qual de seus personagens você mais gosta?

    O Sandro, o detetive que teria tudo para desistir de si mesmo, mas aos trancos e barrancos segue em frente e faz o que tem que ser feito.

    7. Como você sente quando recebe um comentário positivo acerca de sua obra?

    Imensamente feliz. A melhor parte de criar conteúdo é conquistar o público. Saber que consegui emocionar, alegrar e entreter as pessoas é o que mais me motiva a escrever. É como se um pouco da gente fosse compartilhado.

     8. Pretende escrever novos livros? Tem algum projeto em mente chegando?

    Pretendo escrever ao menos um livro por ano. O deste ano já está em fase de planejamento e rascunho. Ainda não acertei o tom exato do livro, ele pode ficar como suspense psicológico ou mais voltado para o drama psicológico. Uma estudante de psicologia passa por problemas durante o último ano da faculdade e se envolve com pessoas erradas. Um livro sobre como traumas e situações extremas podem influenciar o comportamento.

     9. Qual gênero literário você mais se identifica?

    Gosto de muita coisa, mas o que sempre me agrada ao estar presente no que leio é o suspense. O interessante do suspense é como ele pode flertar com tantos outros gêneros literários. Uma ficção científica recheada de suspense fica ótima. Terror, drama, policial e até o romance combinam bem com o suspense.

     10. O que você diria para as pessoas que estão conhecendo tanto você, quanto a sua escrita agora?

    Acredito que estou em constante aprendizado e evolução e o tempo que passo estudando e pesquisando tem se refletido na minha escrita que melhora a cada nova obra, crítica ou elogio.

     11. O que as pessoas devem esperar da sua escrita?

    Sessão de autógrafos "O grupo"
    Personagens bem construídos e dentro da realidade. Ainda que eu aborde temas sobrenaturais, mantenho o pé no chão durante a construção da maioria dos personagens e dou profundidade e motivação a cada um deles.

    12. Qual passagem do seu livro te marcou mais? Existe um trecho que você goste mais que os outros?

    A passagem que mais me marcou envolve a música Hallelujah do Leonard Cohen no livro Resquícios de Nós Mesmos, mas não posso colocar a cena aqui, então deixarei outras partes.




     Trecho de O Grupo:

     “A tragédia que vivemos foi causada pela cobiça de uma mente insana que julgava estar acima de todos nós. Pelo sentimento de impunidade de alguém que se sentia poderoso demais e pela inocência de uma mente mal instruída e despreparada. Se me permitem pedir algo a vocês, por favor, passem mais tempo com seus filhos. Deem atenção a eles. Eduquem. Transmitam ensinamentos de moralidade, boa-conduta, respeito e amor pela vida alheia. — parou um pouco respirando fundo. — E o mais importante de tudo: sirvam de exemplo”.

     Trecho de Resquícios de Nós Mesmos:

     — “Sandro, você está fora de si”…
    — “É claro que eu estou, eu tive a porra de um sonho de premonição, queria que eu estivesse como”?
    — “Calmo e racional, como sempre foi”.
    — “Sempre fui… sempre fui é?! Quem te garante?! Hein?! Se nem eu sei quem eu sou de verdade, como você vai saber”?!

    13. Como foi a recepção do público com relação ao seu primeiro livro?

    Foi surpreendente. Consegui uma aceitação muito boa, seja entre amigos, conhecidos e desconhecidos. O livro foi lançado em setembro de 2016 e só restam duas unidades da primeira edição com a editora.

    14. O que te inspira a continuar escrevendo?

    A escrita já faz parte de mim. É a melhor forma que eu possuo para me expressar e gosto de criar histórias. Continuarei escrevendo enquanto me fizer bem. O que acredito que sempre acontecerá.

    Autógrafos - O grupo | Reprodução | Acervo Pessoal
    15. O que você diria para alguém que está iniciando a escrita do seu primeiro livro?

    Tenha calma, busque sempre evoluir, releia e revise o máximo que puder. Escrever vai muito além de colocar frases no papel. Devemos lapidar o texto e deixá-lo o mais agradável possível para o leitor. Leia bastante, dentro e fora dos gêneros que gosta. Converse com autores e leitores. Estude obras sobre como escrever melhor e, acima de tudo, escreva sempre que puder. A escrita é uma arte e, como tal, requer treino, prática e técnicas.

     16. O que você tem a dizer para os leitores do catraca seletiva?

    Se chegaram até aqui, mande um Xablau nos comentários.
    Brincadeiras à parte, obrigado por acompanharem as entrevistas que estão rolando aqui no Catraca Seletiva.

     
    17. Onde podemos encontrar seus livros para compra? Qual você indica que nossos leitores conheçam primeiro?

    O Grupo pode ser encontrado no site da Editora, mas está em promoção no site do submarino. Quem joga ou já ouviu falar de RPG pode começar por este livro que possuiu muita referência ao assunto com cenas onde o pessoal joga e possui uma morte mais violenta que a outra.

    Quem preferir um livro mais denso que trata da formação da personalidade e a influência da memória na vida do personagem principal pode procurar pelo Resquícios de Nós Mesmos na Amazon. Uma mistura muito bem-feita de suspense policial e terror sobrenatural

     18. É chegado o fim da nossa entrevista. Muito obrigado pela oportunidade e pela paciência. Sucessos!

    Eu que agradeço pelo apoio e a oportunidade. Sucesso!

    Sobre suas obras:

    O GRUPO

    ISBN-13: 9788569782216
    ISBN-10: 8569782217
    Ano: 2016 / Páginas: 232
    Idioma: português 
    Editora: PenDragon

    Em meio às incertezas da juventude, nove amigos pretendem se reunir para jogar RPG após meses separados. Trabalho, estudo e as demais responsabilidades da vida adulta os impedem de jogar constantemente como faziam outrora. O Grupo é um excitante suspense policial com fortes traços de terror e traz em si um debate social. Versa sobre família, explora as diferenças que um ambiente bem estruturado pode causar no desenvolvimento dos jovens e as terríveis consequências que um lar em desarmonia pode causar. Fala a respeito de amizade, de como os integrantes de um grupo heterogêneo, com divergentes visões religiosas, diferenças socioeconômicas e de filosofia de vida podem se unir em tordo do que eles têm em comum, o RPG. Busca debater acerca da influência que jogos e o RPG podem exercer sobre a juventude atual. Tudo isso envolto em uma aura de mistério e suspense onde uma figura encapuzada e mascarada persegue os amigos, e através de um macabro ritual, cobiça expurgar os pecados dos jogadores lavando-os através do sangue. Sem perceber o perigo que correm, os integrantes continuam jogando e se divertindo como bem entendem, mantendo o comportamento libertino regado a bebidas, sexo, diversão e brigas. Acompanhem o desenvolvimento macabro de um assassino que se torna cada vez mais cruel e de sangue frio. Tente desvendar o mistério de quem é o manipulador responsável por todo este drama.

    O autor:

    Saulo Moreira é um típico mineiro do interior, criado livre pelos terreiros dos parentes e ruas do bairro, demorou a pegar gosto pela leitura, embora desde cedo sua mãe incentivasse este hábito comprando livros e revistas infantis. Saltar pelos braços do sofá ou usar o encosto como "ponte do rio que cai" era mais chamativo que os livros.
    Criativo e inventivo, desde criança vivia suas histórias de cavaleiros, detetive e super-herói apenas na imaginação. A paciência para sentar e ler só viria na adolescência. Graças a um trabalho de escola foi "obrigado" a ler um romance policial da Agatha Christie e tudo então mudou. Percebeu que livros podem ser misteriosos e emocionantes como os filmes, só precisa de um pouco de tempo sentado e logo estaremos vivendo aventuras intermináveis.
    Polivalente, se formou em Direito e se pós graduou em Direito Administrativo, dividindo o tempo entre concursos, TCC's, séries, filmes, jogos, academia e escrever poemas, contos, crônicas e finalmente seu primeiro livro. 
    Possui centenas de horas dedicadas a jogos eletrônicos, principalmente RPG, ao contrário da maioria, conheceu o RPG primeiro nos vídeos games e depois em livros.


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