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    segunda-feira, fevereiro 13, 2017

    [ENTREVISTA] Wellington Vinícius Fochetto Junior — Autor de "Nº 1643"

    Wellington Fochetto
    Welligton começou escrever aos treze anos de idade em um bloco de notas, a onde escrevia tudo o que havia ocorrido naquele dia de aula, um verdadeiro diário de aventuras da vida. Influenciado pelos HQs da Marvel e pelos livros de Aristides Fraga Lima que começou a realmente se entregar aos prazeres da escrita.

    E hoje teremos dois dedos de prosa com este autor fantástico para conhecer mais sobre sua vida, universo e carreira.

    1. Como nasceu o seu relacionamento com a escrita?

    Comecei a escrever com meus treze anos de idade. Eram anotações sobre minhas experiências da escola, um tipo de diário em fragmentos. Foi num ano marcante: 1990. Eu era influenciado desde a Série Vaga-Lume, pelos livros de Aristides Fraga Lima e também por HQs da Marvel, em especial do Homem-Aranha. Por muitos anos eu escrevia cartas a um interlocutor desconhecido, que eu pensava poder ser eu mesmo. Elas tinham título em vermelho, de preferência com três palavras e o corpo do texto em caneta azul. A leitura foi a minha maior influência para escrever. Cheguei, aos catorze anos, a escrever um livro, bem pequeno mesmo, coisa de umas trinta páginas apenas, de nome "Os Aventureiros da Margem do Rio", baseado em minhas experiências com um amigo, que morava próximo de um córrego. 


    2. Qual foi o primeiro livro que você escreveu? E como surgiu a ideia de escrever um livro?

    Capa do livro "Nº 1643"
    Considero, com efeito, meu primeiro livro o que publiquei recentemente, o "Nº 1643". A ideia surgiu da pressão em minha cabeça por ler alguma coisa de filosofia, Clarice Lispector (com quem me identifiquei de imediato, ao ler "A Hora da Estrela" e "Para Não Esquecer". Ademais... Tenho alguns livros que escrevi e resolvi engavetar. Mas foi um conto meu, de nome "Vivendo na Casa da Falecida", datado de fins de março de 2008, que deu origem ao "Nº 1643". O ponto de partida para esse conto foi a coletânea "Clássicos do Sobrenatural", que traz nomes como Rudyard Kipling e Sheridan Le Fanu, entre outros. 

    3. Quais suas principais inspirações literárias?

    Machado de Assis, Clarice Lispector, Edgar Alan Poe, Jorge Luis Borges, Nietzsche e Jacques Derrida (esse último por eu crer que há uma semelhança entre nosso modo deveras subjetivo de dissertar). 

    4. O que você considera mais difícil durante a escrita de uma história?

    Hummm... Estou passando por isso, sabia? (risos) Estou trabalhando em meu livro mais importante, um romance de ficção científica um tanto diferente de meus outros livros, por ter um certo apelo comercial, devido a uma parte do enredo ter semelhança (que eu juro ser mera coincidência) entre romances típicos para jovens interessados nesse gênero (ficção científica). O que pra mim é difícil é a falta de inspiração. Sem passear por novos lugares, sem poder caminhar pela chuva, sem sentir arrepios na espinha, sem consultar livros de física de partícula e congêneres, admito, fica, no meu caso em específico, dar continuidade, ainda mais quando não se trata de mais um livro como outro qualquer, e sim de um misto de cartas, poemas, livro objeto, ficção, dissertação, aula universitária etc. num único livro. Ainda mais quano o número de páginas totais deve obedecer a um critério de simbologia numérica. Coisa de louco mesmo. Mas que acredito dar certo ao fim das contas. A meu ver, o autor não pode se prender a fórmulas específicas, baseando-se em manuais de escrita. Não, nada disso. Deixar ouvir a voz do coração, sabe? É. Ouvi o que sugere a intuição. Muitas sacadas surgem daí. 

    5. Quais seus livros? E qual deles você mais gostou de escrever?

    Se te referes aos publicados, cinco. A saber: "Stardust On The Edge Of The World" (poesia, em especial a concreta);"Nº 1643" (ficção em prosa, quase uma autobiografia); ; "Chocolate Boox" (composta por dois volumes: "Book do Bréki Bróko" e "Blanc Bloc Book"; poesia concreta, verbovisual; dois livros-objeto) e, finalmente, "Livro para DEScolorir", por ora apenas em edição digital. Ah, claro: foi o "Nº 1643", pela importância que tem a "Casa dA Falecida" para mim. 

    6. Qual de seus personagens você mais gosta?

    Er... Contando com esse último livro que escrevo... "Jackie". A protagonista desse romance experimental de ficção científica. Baseia-se numa ex-aluna minha. Possui uma personalidade marcante e tem muita história para contar...

    7. Como você sente quando recebe um comentário positivo acerca de sua obra?

    Tá brincando? Eu chego a ficar emocionado! Ter reconhecimento de seu trabalho é uma experiência e tanto! Eleva a alma! Faz o coração bater forte e como se fosse bem mais jovem. 

    Trecho da obra | Divulgação

    8. Pretende escrever novos livros? Tem algum projeto em mente chegando?

    Sim. Tenho algo em mente sobre Arte Urbana. Intervenção temporária, estilo ad hoc mesmo. Da mesma forma, considero dar uma continuidade ao "Nº 1643". Mas isto dependerá, claro, do sucesso dele. Caso contrário... Bem, vamos aguardar, né? (risos)

    9. Qual gênero literário você mais se identifica?

    Eu diria que poesia. Mas aprecio muito um romance. 


    10. O que você diria para as pessoas que estão conhecendo tanto você, quanto a sua escrita agora?

    Não sou um autor do tipo comum, fácil de agradar, de fácil leitura e forte apelo ao grande público. Meu estilo é subjetivo e isso realmente pode complicar o processo de aceitação, leitura e assimilação por parte do público mais convencional. Tenho uma atitude experimentalista, busco o inusitado, o contraste, o complexo. O não pensado.  

    11. O que as pessoas devem esperar da sua escrita?

    Um trabalho de compreensão que deve compensar o esforço. Como eu já disse, não sou muito fácil de ser lido. 

    12. Qual passagem do seu livro te marcou mais? Existe um trecho que você goste mais que os outros?

    Bem... posso falar do que já publiquei, não? Por ora, eu diria que é um capítulo do "Nº 1643" em que eu faço uma referência à canção "Jambi", da banda estadunidense Tool. "Aqui do alto deste quarto – no infinito, como um Rei do Tempo, viajando com sua sombra, que sobra, que é, que está..."

    13. Como foi a recepção do público com relação ao seu primeiro livro?

    Pelo que posso observar, está sendo muito bem aceito por quem o leu. 

    14. O que te inspira a continuar escrevendo?

    O desejo de escreviver. 

    15. O que você diria para alguém que está iniciando a escrita do seu primeiro livro?

    Leia muito. Muito mesmo. Tente descobrir que tipo de gênero te atrai mais e, se não for soar clichê demais ou muito intrometido de minha parte, claro, procure um diferencial entre o que tu lês e o que escreves. Afinal, quem publica deseja, de alguma forma, vender sua obra. Ora, destacar-se num mercado em que aparecem novo escritores em cada esquina é um trabalho árduo, complexo e que pode provocar frustrações a prazos curtos e médios. Mas penso que, após algum (bom) tempo, frutos de nossos esforços começam a aparecer. 

    16. O que você tem a dizer para os leitores do catraca seletiva?

    Muito obrigado, afinal, pela Vossa preferência, a literatura nacional tem muito a ganhar. Ademais, o Catraca é uma interessantíssima ponte entre autores e leitores. E essa relação engrandece o caminho desses três elementos participantes. 


    17. onde podemos encontrar seus livros para compra? Qual você indica que nossos leitores conheçam primeiro?

    Podem me adicionar no Facebook: https://www.facebook.com/wellington.vinicius.3152. Tenho os quatro livros a pronta entrega (via Correios, para todo o Brasil). O "Stardust On The Edge Of The World" é uma edição limitada a cem exemplares. A "Chocolate Boox", a trinta exemplares de cada livro e o "Nº 1643" teve um lançamento simultâneo no Brasil e em Portugal, chegando a mil cópias. Mas eu possuo um número delas ainda disponível para a venda. Todos eles seguem autografados e com marcadores de página (dois tipos de marcadores, sendo um deles especial, por fixar-se à página). 

    18. É chegado ao fim da nossa entrevista. Muito obrigado pela oportunidade e pela paciência. Sucessos!

    Sinto-me honrado. Só tenho a agradecer ao Catraca Seletiva e à Raquel Bueno, autora e resenhista, por ter me apresentado Vocês. Força Sempre!

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