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    segunda-feira, fevereiro 27, 2017

    O que podemos aprender com Gertrude


    A história de Gertrude não começa com o clássico “Era uma vez”. Não há nenhuma princesa perdida, nenhum sapo para virar príncipe – nada de bruxas, boas ou más. Também, infelizmente, a história da menina que sabe tudo não termina, como nos clássicos, com um final feliz. Na verdade, muitas histórias não terminam bem. Talvez por isso, essa mereça ser contada.

    Existe uma parte de mim que aprende todos os dias algo novo observando uma criança, são sempre sentimentos humanistas de caráter rigoroso que todos nós poderíamos e deveríamos levar para toda a vida, porém, alguns somente ignoram, assim, podemos dizer que foi a vida de Gertrude. Pois bem, quem é Gertrude? Gertrude é — podemos dizer, sem dúvidas — a personificação da inteligência em forma de ser humano, e é também uma das poucas crianças que criou um amor sem fim pela literatura e pelo conhecimento obtido através do hábito de ler. Ela é também personagem do livro "Gertrude Sabe Tudo", do autor Rafael Nolli, lançado através da Gulliver editora.

    Gertrude Sabe Tudo não é um livro comum nas estantes de livros de sua seção, muito pelo contrário, ele é um livro inovador com relação aos tópicos nele abordado e ao público para o qual ele é redirecionado, a escrita, o enredo e a forma como são narrado os fatos, nos dizem muito sobre quem somos e sobre o mundo ao nosso redor. Será que estamos formando um exército de pessoas alienadas sem um senso crítico aguçado? Pessoas sem sem amor, paixão ou curiosidade pelas entrelinhas da vida? ou será que estamos criando um exército de Gertrudes? São questões que levam os pais, os avós e os responsáveis por alguma criança a refletir — e muito —.

    Em pleno século XXI é complicado você ver uma cena como antigamente de crianças brincando em frente a porta de casa com brincadeiras "normais", hoje em dia o máximo que se vê é duas ou três reunidas em uma calçada revezando o aparelho celular em um jogo eletrônico, triste. O pior de tudo da atualidade não é nem o fato de estar acontecendo, é o fato das pessoas se conformarem e ficarem de braços cruzados, isso definitivamente, não é certo.

    Gertrude Sabe tudo é um livro inteiramente reflexivo. O tema proposto pelo auto me remete a diversos pensamentos e questões que precisam ser resolvidas, e eu irei inicia-las em minha vida, afinal, ninguém merece se inconformar com uma coisa e permanecer com ela, tem que existir um sentimento de transformação. Se algo nos toca e não provoca transformação, então não houve efeito, é como se nada tivesse acontecido.

    Os pais de Gertrude não aceitavam o fato da filha ser tão inteligente para sua idade e achavam estranho a forma como ela falava e as perguntas que fazia, afinal, ninguém sabia respondê-las. Em vários momentos podemos perceber que Gertrude possui uma sede insaciável pela literatura, aquilo desperta nela um prazer sem precedentes, ela sempre está buscando por mais, e os pais, sempre incomodados com a atitude da filha, ainda que seja a mais louvável de todas.

    Aparentemente, a personagem não precisou de um impulso para ser apaixonada pelo conhecimento, apenas amava o que sabia e amava descobrir coisas que das quais não tinha ideia e ainda mais, amava saber que ainda tinha muito à se descobrir. A atitude de defender o seu direito ao conhecimento imposta em alguns momentos quando defende seus ideais em brigas com o primo em defesa de seus livros, ela mostra que aprendeu muito mais do que muitas pessoas por ai, afinal, ela consegue ter um sentimento lindo de igualdade para com seu primo quando pronuncia a frase "Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las — Voltaire".

    Os pais de hoje em dia estão permitindo que seus filhos se tornem verdadeiros alienígenas em frente ao computador e ao videogame. Sempre achei que tudo isso deveria ser muito bem regrado pelos pais, afinal, existe hora para tudo e criança nasceu para ser criança e ter uma infância, então, que reúna os amigos e vá brincar no quintal, em uma quadra qualquer ou  em casa com uma brincadeira mais saudável do que um eletrônico. Os pais de Gertrude possuem a mesma mentalidade dos pais de hoje: Alienados, só que com um diferencial: Eles se alienavam pelo o que as pessoas falavam a respeito de sua filha, deixavam-se levar facilmente pela opinião e comentário alheio acerca do conhecimento da filha, e isso, não pode acontecer. Devemos corrigir os erros e enfatizar e parabenizar pelas conquistas.

    Afinal, o que Gertrute a oferecer? TUDO, só isso. O conhecimento, a reflexão acerca da busca incessante pelo prazer encontrado nos livros e a importância de se indagar acerca das questões das quais não sabemos, afinal, tudo começa por um: Por que?, quando?, onde?. 

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