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    sábado, fevereiro 18, 2017

    [RESENHA] Quase tudo bem — Adriana Rocha

    ISBN-13: 9788591043149
    ISBN-10: 8591043146

    Ano: 2016 / Páginas: 206
    Idioma: português 
    Editora: independente


    Quase tudo bem conta a história de Laura Soutto, uma secretária executiva muito bem sucedida que ficou desempregada, resolveu aventurar-se e realizar o sonho de pegar a estrada e viajar. Em Penedo, sua primeira parada conheceu Lílian Motta, uma talentosa musicista e cantora da noite que resolve embarcar nesta aventura juntamente com Laura, a fim de conhecer novos horizontes, levando sua graça e musicalidade. Tudo parecia bem, quando Catarina Albuquerque, uma jovem de 23 anos esconde-se no carro de Laura para fugir de um casamento indesejável. Um romance cheio de companheirismo, aventuras e fortes emoções.


    Não encontro palavra que descreva melhor este livro, se não, maravilhoso. Quase tudo bem, narra a vida de Laura Soutto, uma jovem executiva que acabara de ficar desempregada. Laura ficara órfão ainda pequena, e por isso, teve que se virar com a vida e conseguir dar conta do recado desde nova, aos 20 anos, já pagava suas contas e era completamente independente de todos, inclusive de sua avó a quem tanto ama. Após ser demitida da empresa onde trabalhava, decidi que sua vida não se resume somente a trabalho e que precisa de umas férias, botar o pé na estrada e conhecer novos ares.

    Pé na estrada, e lá vamos nós, ops, lá vai Laura. Durante seu percurso, Laura conhece Lili, uma jovem cantora muito atraente que está cantando em um barzinho, sua voz ofusca a todos e a atenção de Laura se volta para Lili que a observa e se aproxima lentamente, convidando-a, para uma breve bebida. Após conversarem sobre tudo, Laura sente-se novamente renovada e ter Lili por perto, a fazia acreditar que sua decisão de viajar teria sido muito bem executada. Após dois dias de shows naquela cidade Lili iria viajar sozinha, porém, decide viajar com Laura.

    Laura é o tipo de mulher que teve que amadurecer rápido por consta dos problemas que surgiram em sua vida. Sempre de pé firme e certa do que quer, não mede esforços para ir atrás de seus sonhos e realiza-los. Laura é sempre muito segura, confiante e nunca fez nada de errado na vida, bom, segundo ela, né? Sua personalidade foi muito bem construída, Laura é o tipo de mulher que todas deveriam ser: Forte e inabalável como uma muralha. Laura consegue passar por cima de momentos e situações que deveriam deixa-la triste, porém, opta em ser feliz e ir atrás de seus objetivos.

    Lili é dona de uma voz poderosa. Além de cantar um repertório que Laura ama: MPB, Rock, bossa-nova. Lili está sempre radiante, sempre muito bem produzida, dá até a impressão que sempre está pronta para sair, porém, tem aquele probleminha que toda mulher tem: Demora MUITO para se produzir. Após uma conversa com sua mãe hippie, Lili opta em viajar cantando em barzinhos e curtindo o melhor da vida, e agora, realizaria este sonho com Laura.

    Duas personalidades completamente diferentes, porém, muito bem resolvidas. Lili é "loucona", estilo hippie, sempre muito bem colorida, já Laura? Sempre muito bem reservada, pensa sempre nas consequências de seus atos e está sempre pronta para se divertir e esquecer os problemas, e ninguém fazia isso melhor do que Lili.

    Um dia as meninas são paradas por um policial rodoviário que persiste que entreguem seus documentos, porém, as meninas quase morrem quando descobrem que há alguém dormindo na parte de trás do carro, e o pior de tudo, era que nenhuma das duas havia percebido até aquele momento. Catarina Albuquerque era seu nome, uma linda jovem de 23 anos que esta fugindo de um casamento destrutivo imposto por seus pais que estão falindo.

    Esta é a conversa que surge quando Laura e Lili descobrem a existência de uma terceira pessoa no carro:

    — Alguém pode me dizer o que está acontecendo?
    — É... Alguém pode? — retruquei
    — Quem é essa garota, Laura?
    — Eu sei lá!
    — Como assim, sei lá? O carro é seu.
    — Jura? E o que está sugerindo?
    — Eu não sou preconceituosa
    — E eu não sou lésbica!
    — Calma ai, gente: Meu nome é Catarina. Está tudo sob controle, eu queria uma carona.

    Já deu para sentir o climão divertido entre as amigas, né, não? E claro que a partir de agora, não irei contar mais nenhum detalhe, afinal, isso estragaria a leitura. Agora são três amigas com o pé na estrada: Laura, Lili e Catarina.

    O livro é bastante divertido, porém, existem as dificuldades também e uma delas é resumida em uma frase bem reflexiva e triste disposta na página 57:

    As vezes, somos egoístas, queremos a quem amamos vivos ainda que doentes, mas a cura, boa parte das vezes, está na morte [...] (Pag:57)

    O livro trás consigo três histórias fortes, impactantes e reflexivas. Cada uma das envolvidas no desenvolvimento do enredo nos ensina uma mesma lição, de um mesmo ângulo de percepção. A maior lição que podemos aprender em suas páginas é o fato de que cada um deve se pertencer e não se prender à obrigações, problemas e sentimentos passados, tudo se renova. Todos os dias passamos por aflições, impedimentos e problemas, porém, cabe a nós aceitar ou modificar o final da nossa história.

    COMENTÁRIOS E DIAGRAMAÇÃO

    INCRÍVEL. Adriana conseguiu escrever uma história emocionante, marcante e reflexiva em um único livro. Cada uma de suas personagens foi muito bem construída e elaborada. O livro possui uma proposta simples e direta e isso faz com que a leitura flua muito, muito bem. Impossível começar a ler e parar no meio do caminho, é cada uma que esse trio apronta, que nossa que acabamos sempre pedindo por mais e mais. 

    A capa está incrível em todos os aspectos. O livro possui uma capa em acabamento brochura e folhas impressas em papel offset (folhas brancas) e possui uma diagramação mais que maravilhosa, que casa perfeitamente com a delicadeza proposta na capa.

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