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    sábado, fevereiro 25, 2017

    Sobre a construção de valores obtidos através de contos e fábulas

    O conhecimento obtido através da leitura não se esvai com o tempo. Aliás, o conhecimento é a única coisa que permanece conosco quando tudo se vai.

    Ainda me lembro do primeiro livro que eu li e das sensações que senti, acho que essa é uma das experiências que temos em vida que jamais esquecemos, que nunca deixamos ir. Eu tenho um irmão de oito anos e desde sempre fui preocupado com sua educação e criação. Lembro-me de vê-lo no berço com poucos dias do seu nascimento, surgiram tantas inquietações em minha cabeça e a primeira delas foi: Qual será a primeira lição de vida que ele irá aprender? Será que ele será uma pessoa inteiramente íntegra? Poderei ser seu modelo de educação, paz ou simplesmente de cultura? Honestamente, eu ficava na dúvida entre as questões, porém, um dia surgiu a ideia de ler um dos livros que eu havia lido no passado para ele quando estava com quatro anos. 

    Foi quando eu conheci o primeiro livro que apresentei ao meu irmão, "O santinho" de Luis Fernando Veríssimo. Já que com cinco anos ele iria para escola, aquele foi o livro mais adequado, visto que, se passa em um ambiente escolar e traz consigo uma carga extremamente positiva de bom humor, reflexão e pensamentos acerca da vida escolar. 

    lembro-me quando eu narrava e ele me perguntava se aquilo iria acontecer com ele, e se ele seria igual a todos os outros. Após habitua-lo com minhas histórias durante a noite, ele começou a me cobrar todos os dias um livro diferente, então todos os dias eu tratava de ir até a biblioteca da cidade e pegar um livro infantil com um ensinamento para ele, eram sempre crônicas, contos e fábulas — Ah, como ele ama fábulas (até hoje).

    Comecei a observar um certo comportamento por parte dele, que estava fluindo perfeitamente bem conforme eu esperava: Ele absorvia o que ouvia nas histórias e compartilhava com os amigos. Com seis anos de idade, chegou a separar uma briga entre dois outros garotinhos no recreio, visto que, era algo extremamente errado e poderia ferir o coleguinha, foi quando ele contou aos amiguinhos sobre um livro que eu havia lido para ele, a professora se admirou e leu o livro para toda a classe no dia seguinte, obviamente, eles amaram e o colégio iniciou um trabalho muito lindo: Que era ler uma fábula todos os dias durante o horário do recreio, quem disse que alguém queria sair para fora? Todos sentavam e ouviam atentamente.

    As fábulas e seus ensinamentos com suas figuras reverentes e exacerbadamente adequadas ao cotidiano, me fizeram pensar em uma quantidade de elementos que me causaram reflexões diárias acerca de nossa existência. A partir do momento que tive conhecimento de outros livros além dos contos e crônicas (as fábulas) optei em usá-los de uma forma corriqueira (frequente) no dia-a-dia com as crianças que me buscavam ou me solicitavam para ouvir uma história, afinal, quando se é criança a coisa mais gostosa do mundo é a inocência e as perguntas que acompanham o final da história: Então a lebre era mais veloz que a tartaruga?

    Algumas destas crianças hoje em dia estão com quatorze ou dezesseis anos, o habito da leitura se tornou algo frequente e me orgulho em saber que se tornaram pessoas cultuas, de bem e com o coração aberto para novas experiências literárias. 

    A construção de valores começa ainda na infância, e qual a melhor forma de fazê-lo se não pelas fábulas? Uma linguagem simples, com personagens que as crianças gostam, e sempre, sempre, sempre muito bem carregado de valores e sentimentos sociais que podem — e vão — ajudar no crescimento no meio social, profissional e pessoal.

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