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    quarta-feira, março 22, 2017

    Atlântida: amores líquidos, trágicas desilusões



    O coração da gente anda aos tropeços. É muita gente querendo ser amada, e pouca gente disposta a amar. A vida anda se desdobrando em desilusões e amores líquidos, relações supérfluas que acabam de uma dia para o outro sem a menor explicação. Mas quer saber, eu acho que tenho o direito de ir adiante e procurar uma explicação, eu acho que tenho o direito de tentar entender porque amar tem sido algo tão raro. Amar não é simplesmente um desejar que vai se transformando em afeto, claro, isso faz parte, mas não é apenas isso., tem algo mais, tem algo muito mais profundo que um texto de tumblr ou uma frase clichê de facebook não conseguem explicar. E não conseguem porque todos estão por aí idealizando seus príncipes e princesas, seus esteriótipos de amantes e amores perfeitos.

    A vida é uma ferida que nunca sara, vai crescendo, crescendo, se transformando num câncer que vai fazendo a gente deixar de ser. Até que a gente morre e não passa de qualquer coisa que por aqui passou e se foi.

    Mas eu vim aqui exigir o meu direito de tentar entender os amores rasos nos quais temos mergulhado. As experiências pessoais que vivi me fazem acreditar que estamos indubitavelmente marcados pela insgnia do consumismo. O amor é algo que tem que ser consumido, como um produto, um objeto, e se no mercado a gente só está satisfeito quando encontramos aquilo que nos é perfeito, no amor-objeto não seria diferente. O grande problema reside em que por mais que queiramos fazer do amor um objeto de consumo, um produto, não podemos fazer do outro um simples utensilio, porque assim como nós o outro também é feito de sentimentos e necessidades, e só para constar, somos feitos de defeitos e virtudes, e se o amor, a paixão, a dor, a felicidade são sentidos por nós, humanos imperfeitos, são também sentimentos repleto de imperfeições. 

    Khalil Gibran, o grande profeta do amor, nos diz com a suas palavras sábias que transcrevo logo abaixo o que é para ele o amor, e eu compactuo do seu pensamento:


    Mas, se no vosso medo,buscais apenas a paz do amor, o prazer do amor, então mais vale cobrir a nudez e sair do campo do amor, a caminho do mundo sem estações,onde podereis rir,mas nunca todos os vossos risos, e chorar, mas nunca todas as vossas lágrimas. O amor só dá de si mesmo, e só recebe de si mesmo.O amor não possui nem quer ser possuído. Porque o amor basta ao amor.


    Vale ressaltar que o amor basta ao amor, ao menos devia ser assim, como diria Chico Buarque "o amor não tem pressa ele pode esperar em silêncio". Mas o mundo em que vivemos nos exige um imediatismo que vai além das nossas necessidades sentimentais, e aos poucos vamos nos perdendo, nos afundando em desilusões por criarmos expectativas com aquilo que não condiz com a realidade, e assim a nossa cidade interior vai desmoronado, sendo inundada e submersa por nossas dores, como uma Atlântida.

    Ah, e a vida vai seguindo seu curso, o coração vai andando aos tropeços.

    E por falar em Atlântida, há uma banda muito legal chamada Seafret que tem uma música com esse título, e que fala justamente sobre isso, Atlantis. Segue abaixo o vídeo.




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