• NOVIDADES

    terça-feira, março 14, 2017

    Crônica inédita e exclusiva do livro "Guerra da Minha Rua" por Victhor Fabiano




    Há alguns meses foi feita, aqui no Portal Catraca Seletiva, com um autor muito querido de nome Victhor Fabiano (para conferir a entrevista clique aqui). Esse cara, que é um prodígio, tem dois romances publicados e já está rumando para a sua terceira publicação, que tem o título de Guerra da Minha Rua, que é uma reunião de contos, crônicas e poemas. Cada um dos textos tem uma temática única que trata de variados assuntos do cotidiano e do comportamento humano. No meio dessa coletânea maravilhosa, é que se encontra a Madame Mórra, que porventura tem ligação com todos os textos presentes no livro, e nos parece ser a personagem mais intrigante e que vem ganhando grande visibilidade nos meios de comunicação graças a astúcia do autor.

    Guerra de Minha Rua ainda não foi lanado, mas provavelmente sairá no primeiro semestre de 2017. Porém, hoje, eu tenho uma surpresinha para vocês, leitores do Catraca e para os que já são seguidores do Victhor. Hoje, vou postar aqui na integra, uma crônica que faz parte do livro e que foi fornecida a nós pelo próprio Victhor. O nome do texto é O Ponto e é extremamente inspirador. 

    Bem, sem mais delongas ou palavras que possam aumentar a ansiedade de vocês, abaixo segue na integra a crônica:





    O PONTO


    A curva estreita fazia parte do caminho rotineiro do ônibus; corria uma cultura de comentários comuns em relação à vivência urbana: na cidade grande os momentos são costuras sociais e nada termina sem um ponto final determinante, e disto os cidadãos têm consciência desde muito novos – ou, tal como tenho observado: aprendem à força. Assim posso também testemunhar. Estela, moça comumente urbana (e, diria pra você, leitor: uma sonhadora singular) crescera aprendendo que em meio a tanta agitação, a cautela seria sua maior aliada: acostumar-se às efemeridades da cidade lhe custaria dezenas de sentimentos puros, independente de sua própria vontade. O contexto da metrópole sobrepõe-se ao velho gosto querido de nosso coração. E por esses gostos monumentais, contudo pífios às eminências urbanas, o coração lhe recordara um ponto, ligeiramente preso à memória jovem da moça, ao passar o olhar por uma esquina. O tempo parou e sua mente girou como quem se expõe ao liquidificador. Há quantos anos você não é visitado pelas memórias escondidas em seu coração? Estela costumara-se a ignorar as pequenas percepções do cotidiano, poupando a mente de mais um trabalho, ora fabuloso, ora escrupuloso. E lá estava ela, a moça. E lá eu pude perceber os resgates do olhar apaixonado, os passos rumo a uma vida que lhe marcara tão depressa. 

    Um ponto de parada, como qualquer outro por outrora, neste instante representava a mais profunda maneira de sentir-se bem. Aliás, qual maior lembrança é o passado se não aquela que guardamos com consciência? Ali não passava seu ônibus, mas passava seu coração e, como qualquer romance urbano sentimental, a nossa cabeça não liga se há sentido nisso: apenas sente. Naquela mesma parada, Estela foi obrigada a pegar seu primeiro ônibus rumo ao seu primeiro dia de trabalho; permaneceu sua visitante quando foi efetivada e, cinco anos depois, partiu para um café nas proximidades ao conhecer seu futuro companheiro. Em meio a alguns lixos não varridos, à noite caindo e uma porção de descasos sociais, seu companheiro ali a deixara, no ponto, lhe desejando boa noite à companhia do tímido primeiro beijo do casal. 

    Ali, vivida e já preocupada com o avanço da idade (ora, hoje não sei o porquê, mas quero acreditar que os trintões não têm o direito de lamentar a idade com essa pressa!), seu primeiro filho dissera a primeira palavra claramente compreensível: mamãe. A mamãe que no mesmo ponto reencontrara seu irmão após uma longa viagem do amigo (sinônimo de irmão, ou não?) para lamentar a morte da mãe e, infelizmente, participar do velório. 

    O ponto, por onde tantas vidas passam, momentos de tantos jeitos são corridos, brigas, viagens, romances, separações, fome, furtos… passageiros. Aliás, todo ponto é passageiro, pois de passageiro é feito e de passageiro acabará. É como a vida, passageira, mas que como um ponto não se cansa de chegar na máxima: tanta gente passa, fica e algumas terão de desembarcar, mas esses momentos urbanos de nostalgia são como o ponto: uma hora haverá de relembrar. Estela reverbera uma emoção tão intrínseca ao ser humano: o amor; Estela tratou de lembrar-me o sentido da vida: a saudade. Estela descolara o olhar daquele ponto, ora por obrigação, ora por necessidade: as lágrimas desciam e eu a vi afastando-se dali. Era apenas mais um adeus, cujo ponto tornara-se referencial.



    Vichor Fabiano



    E terminado o texto, eu quero saber de vocês se gostaram do texto, se ele deixou aquele gostinho de quero mais e aquela curiosidade latente para saber mais sobre Guerra da Minha Rua. Respondam nos comentários, e vamos trocar ideias e aguardar ansiosamente por esse livro. 

    Mas... Enquanto o livro não sai, a gente ainda precisa de ajuda, vejam só. A Madame Mórra está desaparecida, na verdade, não se sabe se ela é inocente ou criminosa, e precisamos encontrá-la o mais rápido possível. E para ajudar é simples, é só entrar no site madamemorra.com que lá você tem todas as informações necessárias para nos ajudar.




    Nenhum comentário: