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    domingo, março 05, 2017

    Para não esquecer, Clarice

    Clarice Lispector | Google Images | Divulgação

    Clarice Lispector é escritora, romancista, ensaísta e jornalista nascida na Ucrânia e naturalizada brasileira — e declarava, quanto a sua brasilidade, ser pernambucana —, autora de romances, contos e ensaios, sendo considerada uma das escritoras brasileiras mais importantes do século vinte e a maior escritora judia desde Franz Kafka. Sua obra está repleta de cenas cotidianas simples e tramas psicológicas, sendo uma de suas principais características a epifania de personagens comuns em momentos do cotidiano.

    O primeiro texto publicado na revista foi provavelmente Eu e Jimmy, em 10 de outubro de 1940, um conto com temática feminista centrado na relação amorosa entre um homem e uma mulher. Depois disso, de acordo com Tania, Clarice buscou entrar em contato com Fontes para conseguir entrar definitivamente na imprensa. Apesar das dificuldades para entrar na área, na qual, de acordo com Tania, “você não fazia nada se não tivesse relações”, Clarice buscou entrar em contato com Fontes, o qual “gostou dela e a contratou” para trabalhar como tradutora na Agência Nacional, uma agência de notícias do governo. Como não havia vaga para tradutor, foi designada como editora e repórter, a única mulher ali que ocupava tal cargo.

    Estátua da escritora e seu cão Ulisses, no Leme, 
    Inaugurada em 2016 (Fernando Frazão/Agência Brasil)
    O primeiro ensaio chamou a atenção de estudiosos posteriores por dizer que “O homem é punido pelo seu crime porque o Estado é mais forte que ele, a Guerra ... não é punida porque se acima dum homem há os homens acima dos homens nada mais há”, o que foi interpretado tanto como uma justificativa filosófica e maquiavélica para a ditadura e o nazismo quanto um eco de um ateísmo incipiente de Clarice. Depois desse afastamento, no entanto, na mesma ela época passou a aproximar-se novamente da religião através de leituras de Franz Kafka, também judeu, e do filósofo Baruch de Espinoza, de quem foi encontrada uma antologia francesa na biblioteca de Clarice datada de 14 de fevereiro de 1941 e que inspirou a escrita de seu primeiro romance, Perto do coração selvagem (1942).

    Suas principais obras marcam cada período de sua carreira. Perto do coração selvagem foi seu livro de estreia; Laços de família, A paixão segundo G.H., A hora da estrela e Um sopro de vida são seus últimos livros publicados. Faleceu em 1977, um dia antes de completar 57 anos, em decorrência de um câncer de ovário. Deixou dois filhos e uma vasta obra literária composta de romances, novelas, contos e crônicas.


    TODOS OS CONTOS

    Capa do livro "Todos os contos", publicado
    No Brasil através da Editora Rocco.
    Apesar de ser uma das maiores escritoras brasileiras de todos os tempos, Clarice Lispector teve seus contos reunidos e publicados primeiro nos Estados Unidos. "Todos os Contos", que a editora Rocco lançou no Brasil, saiu em terras norte-americanas em 2015 e figurou na lista do jornal The New York Times.

    A coletânea que reúne pela primeira vez todos os contos da escritora num único volume, foi organizada pelo biógrafo Benjamin Moser, autor de "Clarice". Autora de romances e contos que figuram entre os mais emblemáticos da literatura brasileira, Clarice Lispector é considerada uma das mais importantes escritoras do século xx. 

    Sua popularice alcançou níveis supreendentes nas últimas décadas, especialmente após o fenômkeno na internet, mas sua figura e sua obra seguem exercendo sobre leitores o mesmo efascinante estranhamento que causaram desde sua estreia literária, em 1943. 

    Na coletânea, é possível redescobrir Clarice, desde os primeiros escritos, ainda na adolescência, até as suas últimas linhas. 

    Alguns dos motivos pelos quais você deve amar Clarice:

     Publicou seu primeiro conto aos 19 anos, mas seu primeiro livro, ‘Perto do Coração Selvagem’, só foi publicado quando Clarice já tinha 24 anos.
     Tinha o costume de escrever sempre pela manhã. (Afinal, é quando o café está pronto e as ideias fluem).
     Também trabalhou como jornalista e tradutora, adaptando obras de autores como Agatha Christie, Oscar Wilde e Edgar Allan Poe.
     ‘Clarice, todos os contos’, coletânea de contos de Clarice Lispector publicada em 2015 nos Estados Unidos, foi eleita pelo jornal The New York Times como um dos 100 melhores livros do ano.
    Mesmo tendo nascida na Ucrânia, Clarice considerava-se BRASILEIRA.
     Clarice trabalhou como assistente voluntária junto ao corpo de enfermagem da Força Expedicionária Brasileira na Itália durante a segunda guerra mundial.

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