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    quinta-feira, março 23, 2017

    [RESENHA] Cheiro de Chuva — Ana Claudia Longo

    Autor: Ana Cláudia Longo
    Editora: Multifoco /Ano: 2016
    Gênero: Romance
    ISBN: 978-85-5996-157-7
    Páginas: 272
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    Avaliação: 10/10
    Durante as tardes na recepção do consultório da mãe, Aysha se aproxima de Emília, irmã de um paciente. A afinidade entre as garotas dá origem a uma amizade que se mantém após o fim da fisioterapia de Cristiano, cuja personalidade misteriosa e de difícil acesso desperta um interesse progressivo em Aysha. Após alguma insistência, ele cede aos seus encantos e a paixão dos dois parece ser maior do que tudo, mas não por muito tempo. Existem algumas coisas que Aysha não sabe – por exemplo, o fato de que mesmo amando o namorado, Emília não a vê apenas como uma amiga; nem mesmo seu irmão, imerso num passado mal resolvido, desconfia. Já farta da recusa de Cristiano em lhe revelar seus segredos, Aysha rompe com ele. Pouco depois, um evento inesperado trás a tona uma antiga teia de amores e ressentimentos entre as pessoas que acreditava conhecer – e outra pessoa cuja existência ela jamais desconfiara

    Recebi este livro através de uma parceria firmada diretamente com a autora. Cheiro de Chuva é um dos romances mais incríveis que tive o prazer de ler da editora Multifoco. Escrito por Ana Cláudia Longo, o livro nos trás a tona um misto de emoções e reflexões acerca do amor e das surpresas reservadas a nós pelo destino.

    Aysha trabalha juntamente com sua mãe em um consultório. Neste consultório Aysha conhece Emília — ao qual chama-a carinhosamente de Mia — e seu irmão, Cristiano. Com o tempo, Emília torna-se melhor amiga de Aysha e com isso, a aproximação de seu irmão com a mais nova amiga, é inevitável. Cristiano é o tipo de homem misterioso, romântico e "inacessível", após alguns meses Aysha e Cristiano veem-se extremamente cegos pela paixão que incendeia ambos os jovens.

    Mia possui uma personalidade peculiar e sua construção psicológica é extremamente muito bem trabalhada pela autora, o que me passou a impressão de ter sido mais difícil abordar as questões que envolviam Mia, do que a própria protagonista Aysha. Mia namora com Eduardo e vive em um ciclo estranho de pensamentos acerca da vida e dos sentimentos acerca do coração e do sentimental, sua cabeça vive confusa e suas atitudes a deixam extremamente misteriosa, tanto quanto seu irmão.

    Cristiano é irmão de Mia, só que mais misterioso. Toda sua sedução provém — creio eu — de todo o mistério que envolve as descrições que são feitas no decorrer do livro com relação ao seu modo de pensar, agir e ser. A personalidade de Cristiano mostra-nos um personagem com muito para contar, porém, muito para esconder.

    Aysha é o tipo de garota que preocupa-se com tudo e todos. Seu relacionamento com Cristiano torna-se sua base e fortaleza, chegando a pensar em seu amado em quase todos os momentos, são raras as passagens onde Aysha vê-se desprovida de pensamentos que sejam relacionados ao amado.

    Dora é mãe de Aysha, uma personagem crucial para o desenvolver desta história. Doutora e casada com um fotógrafo que viaja mais do que fica em casa, vive preocupada com a filha, visto que, seu marido está quase sempre ausente. Sua filha fica mais fora de casa do que dentro, e isso atiça os extintos de mãe, que mostram-se constantes durante o desenvolver da escrita. Assim como Aysha, Dora vê-se em momentos difíceis e complicados, onde precisará do apoio da filha para vencer os obstáculos.

    O enredo escrito por Ana Cláudia mostra-nos as surpresas que o destino nos reserva. Em uma narrativa e cativante, onde o cheiro da chuva se faz sempre presente nos melhores e mais marcantes momentos, somos convidados a embarcar da mais linda história de amor. Aysha e Cristiano possuem uma ligação forte, porém, Cristiano esconde em si segredos que ninguém desconfia, o que torna o futuro ao lado de Aysha incerto.


    Estava quente, abafado, e tinha um vento forte. Havia um leve cheiro de chuva no ar.

    Com o passar do tempo, Aysha descobrirá segredos que nunca desconfiara acerca de pessoas que acreditava cegamente, causando em si a dor imensurável da primeira decepção amorosa. Ao mesmo tempo que tenta lidar com o rompimento do relacionamento, Aysha precisa encarar o rompimento do relacionamento de seus pais.

    Um livro com um pouco de tudo: Drama, romance, aventura, viagem ao interior e íntimo de cada um, ah, e claro, uma boa dose reflexiva acerca das incertezas da vida.

    Nota-se nesta obra, uma incrível paixão e admiração pela psicologia, afinal, todos os personagens são construídos de forma minuciosa, mostrando-nos todos seus detalhes, afeições e comportamento. Ana Claudia Longo construiu um universo completamente novo, nos apresentando personagens intrigantes em um enredo muito bem elaborado, trabalhado e instigante acerca dos caminhos tortuosos da vida.


    COMENTÁRIOS

    Publicado no ano passado através da editora MultiFoco, Ana Cláudia mostra-nos um romance com bases inéditas. O livro apesar de se tratar de uma ficção catalogada no gênero romance, mostra-se mais real do que nunca. Todas as situações discorridas pela autora estão sucessíveis à tornar-se realidade na vida de alguém. Descobertas acerca da sexualidade, decepções, rompimentos e contentamento acerca das surpresas trazidas á nós pela vida.

    CITAÇÕES FAVORITAS — Para atiçar ainda mais a curiosidade —.

    A sua história faz parte de quem você é. Não dá para mudar (Página 77)

    Eu estava a ponto de chorar. Era como se eu não soubesse absolutamente nada a respeito das pessoas ao meu redor (página 82)

    Ela era uma fantasia frágil, que desaparecia morro ambaixo com suas maria-chiquinhas loiras chacoalhando-se loucamente, assim como o vestido florido (página 91)

    Havia muitas coisas a serem ditas, mas aquele olhar já dizia algumas (página 97)

    Bem vinda a realidade das famílias imperfeitas (página 98)

    A gente conhece dezenas ou centenas de pessoas até encontrar uma que a gente goste (página 102)

    Dividida entre os próprios interesses e os sentimentos alheios, no qual eu me encontro (página 103)

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