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    quinta-feira, março 02, 2017

    [RESENHA] O céu está em todo lugar — Jandy Nelson

    ISBN-13: 9788563219374
    ISBN-10: 8563219375
    Ano: 2011 / Páginas: 424
    Idioma: português 
    Editora: Novo Conceito


    Este é um livro de estreia vibrante, profundamente romântico e imperdível. Lennie Walker, de dezessete anos de idade, gasta seu tempo de forma segura e feliz às sombras de sua irmã mais velha, Bailey. Mas quando Bailey morre abruptamente, Lennie é catapultada para o centro do palco de sua própria vida - e, apesar de sua inexistente história com os meninos, inesperadamente se encontra lutando para equilibrar dois. Toby era o namorado de Bailey, cujos sentimentos de tristeza Lennie também sente. Joe é o garoto novo da cidade, com um sorriso quase mágico. Um garoto a tira da tristeza, o outro se consola com ela. Mas os dois não podem colidir sem que o mundo de Lennie exploda.
    Acervo Pessoal | Reprodução

    Lennie Walker é a garota mais certinha que você já conheceu ou conhece na sua vida, e provavelmente, será a única com pensamentos e atitudes tão peculiares. Lennie é irmã de Bailey Walker, ambas são inseparáveis, porém, certo dia, Bailey morre e a família toda fica desnorteada sem saber o que fazer, afinal, ninguém nunca sabe o que se faz quando alguém querido parte desta para melhor.
    Havia durmas irmãs que dividiam o mesmo quarto, as mesmas roupas, os mesmos pensamentos, na mesma hora. Essas duas irmãs, não tinham mãe mas tinham uma à outra. A mais velha caminhava na frente da mais nova, assim a mais nova sabia sempre onde ir. A mais velha levou a mais nova ao rio, e lá, elas boiaram de costas como corpos mortos. A mais velha falava:— Abaixe um pouco a cabeça e abra os olhos para olhar para o sol.A mais nova respondia:— Vai entrar água no meu narizA mais velha:— Vai, faz!E a mais nova fez, e todo o seu mundo ficou cheio de luz.
    (encontrado em um pedaço de papel preso a uma cerca na montanha, pág.68)

    Lennie e Bailey moravam com os avós. Lennie era a garota pacata que andava na sombra da irmã ao qual todos amavam, afinal, ela sabia se vestir para qualquer ocasião, estava sempre muito bem vestida e sabia conversar com todos. Os avós estavam constantemente presos a um sentimento de Dejavu, visto que, o quarto onde Bailey dormia (junto da irmã) ainda permanecia no mesmo estado, Lennie sempre dizia que era para sentir a presença da irmã, afinal, com o quarto intacto, daria a impressão de que ela voltaria um dia e isso era tudo o que ela mais queria.

    E este foi o último diálogo das duas irmãs:

     Na manhã do dia em que Bailey morreu, ela me acordou enfiando o dedo em minha orelha. Odiava quando ela fazia isso, então, ela começou a experimentar algumas camisetas e me perguntou: De qual você gosta mais, da verde ou da azul? — Da azul! — Você nem olhou Lennie! — Tá, então da verde, sério, eu não estou nem ai para qual camiseta você vai vestir. Então virei-me para o outro lado da cama e comecei a dormir. E aquelas foram as minhas últimas palavras para ela [...] (pág 15)

    Lennie sentia-se culpada pela morte da irmã de alguma forma e isso a afetava silenciosamente de forma negativa, visto que, ela reprimi todos os dias os seus sentimentos. A pior coisa depois de perder alguém querido, é perceber que a falta daquela pessoa não afetou o restante do mundo:

    A primavera resolveu tirar o casado para se exibir, e isso me deixa enjoada. É como se o mundo já tivesse se esquecido do que aconteceu conosco. — (Pág. 34)

    Na escola, na rua e na cidade inteira as pessoas começaram a olhar Lennie de uma maneira diferente, o mesmo semblante triste a durante o dia todo, inclusive em casa, visto que os avós estão tão enlutados quanto ela. Na escola Lennie aproxima-se um pouco mais de Toby, ele era namorado de Bailey, eles namoraram por dois anos antes de seu falecimento, e agora, era o garoto que consolava Lennie durante os dias em frente sua casa e visitas noturnas, porém, aquilo era algo que deixava Lennie se sentindo completamente culpada, afinal, que tipo de pessoa fica se encontrando com o namorado da irmã? Fora que já haviam se beijado, e o sentimento de culpa a corroía por dentro.

    Judas, Brutus, Benedict Arnold e eu. (Pág 69) — Sentimento de culpa.

    Os encontros com Toby eram sempre marcados de muita lembrança, choro e conversas sobre Bailey e sobre como ela fazia falta. Na escola, um outro garoto se aproxima na aula de música pouco antes das férias, seu nome? Joe Fontaine. Joe é simplesmente o homem mais lindo da terra, ele possui cabelos cacheados, é alto, peitos largos e fortes, uma bela voz e sabe tocar tudo (tudo mesmo). Joe começa a se aproximar aos poucos da família de Lennie para poder fazer visitas diárias, e por incrível que pareça, sua casa se animava de um jeito que nunca fosse animada como outrora com as visitas e músicas de Joe na cozinha pela manhã, até mesmo o tio Big se sentiu impressionado com as proezas do rapaz [...]

    Agora Lennie tem que optar por um dos dois caminhos: Joe Fontaine, o cara que trás felicidade aos seus dias e faz seu coração bater mais forte, ou Toby, o ex-namorado da irmã que a usava como uma válvula de escape para um universo alternativo onde Bailey ainda está viva. A resposta da escolha parece meio óbvia, eu sei, porém, é mais complexo do que se imagina.

    COMENTÁRIOS



    Dotada de uma sensibilidade sem precedentes e de um talento inimaginável, Jandy Nelson nos transmite a mais bela das mensagens eu um misto de ensinamentos em meio ao amor.  A confusão sentimental de Lennie após perder a irmã, não se resume apenas em luto, mas sim, em toda fase que estivera passando com os avós e com a indecisão entre dois garotos que estão te fazendo super bem neste momento, só que a decisão não é tão simples quanto parece, e a autora soube escrever um enredo contagiante, apaixonante e complexo, sem deixar-se levar pelo clichê, Jandy nos apresenta a história de uma garota que tinha tudo para dar errado, mas não deu.

    Bailey não é somente a irmã de Lennie, ela é todo um universo de ensinamentos para a irmã, um espelho. E mesmo depois de morta, consegue trazer os mais lindos ensinamentos acerca da vida para os dias da irmã.

    Um livro indicado para todos aqueles que querem um romance leve, com uma história envolvente e marcante e completamente longe do clichê.

    A AUTORA

    Jandy Nelson mora em São Francisco, e lá, assim como Lennie, divide seu tempo entre cuidar das árvores e correr livremente pelo parque. Jandy é uma agente literária, poetisa com livros publicados, e acadêmica eterna. Formada pelas universidades de Brown, Cornell e Vermont. É uma pessoa supersticiosa e uma romântica dedicada, loucamente apaixonada pela Califórina, e pela forma como esse estado continua firme na ponta de um continente. O céu está em todo lugar é seu primeiro romance.

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