Ads Top

[ENTREVISTA] Antony Magalhães, autor de Natasha e Anacrônico





Antony Magalhães é um escritor que já tem uma vasta produção de obras, desde temas de ficção cientifica a livros com teor de suspense infanto-juvenil. Esse rapa já teve um dos seus livros indicados aqui como uma opção pra quem curte ler em redes sociais como wattpad, e hoje a nossa entrevista é com ele, e é claro não perdemos a oportunidade de pedir vários spoilers sobre o seu novo livro "Anacrônico" que será lançado em abril deste ano.

ENTREVISTA



Catraca Seletiva: Como você descobriu que queria ser um escritor?



Antony Magalhães: Na verdade não houve um momento “Vou ser escritor e é isso que quero fazer”. Aconteceu bem naturalmente. Cresci inventando histórias e digamos que a imaginação era um dos meus principais brinquedos. Brincava muito de criar filmes, novelas e encenar com os amigos. Quando escrevi as primeiras histórias já sabia que era isso que queria fazer da vida.

CS: Como se dá o seu processo de escrita?

AM: Sempre escrevo mais de um livro ao mesmo tempo. Assim como leio sempre mais de um livro por vez, também faço isso com a escrita. Escrevo, organizo, reviso e edito e então uma hora decido qual livro irei terminar primeiro. Quando isso acontece meu ritmo muda. Deixo de sair de casa e passo a me dedicar o tempo todo até que o livro esteja pronto.

CS: Qual o sentimento que precede o ato de escrever, e o que você sente ao finalizar um texto?

AM: É só alegria durante todo o processo. Gosto quando estou escrevendo e isso me faz sorrir e gargalhar. Sei que estou satisfeito quando escrevo as últimas linhas de um livro e estou dando risada ao imaginar a reação dos leitores.

CS: Como surgiu a história de Natasha?

AM: Natasha surgiu dentro de um livro. Uma personagem do meu romance LGBT “Pregos pelo chão” tem um projeto de gravar um curta metragem com uma trama bem parecida com a da série. Quando nos foi pedido um projeto com envolvesse questões de diversidade e gênero soube que tinha o projeto certo em mãos.

CS: Além de ser uma forma de entretenimento a literatura também serve para explorar assuntos desconhecidos da população e também como ferramenta de denuncia. Para você até onde vai esse poder da literatura de levar as pessoas informações e fazê-las abrir seus mundos e repensar modos, costumes, atitudes, a forma como pensam e agem?

AM: Sempre digo que a literatura tem que ser transgressora. Assim como a música e o cinema abordam importantes questões sociais, a literatura tem que cumprir esse mesmo papel. A sociedade muda e a literatura fica. É necessário que cada escritor entenda que a literatura não deve ser só entretenimento. Deve divertir e fazer pensar.

CS: Qual a importância da representatividade na literatura?

AM: Vivemos uma época em que as minorias estão se impondo mais e cobrando mais espaço. Isso é maravilhoso. É exatamente do que precisamos. Mais personagens gays, negros, gordos e mulheres empoderadas em filmes, séries e games. Triste perceber que parece que na literatura as coisas ainda engatinham. Onde estão as personagens negras? Os gays que não são estereotipados? Onde estão os negros e negras nas capas dos livros? Os casais gays abraçados, de mãos dadas ou se beijando? Não é problema dos autores. Esse tipo de conteúdo existe, mas as editoras ainda tem medo de editar essas histórias.





CS: Seu livro novo se chama Anacrônico, e a personagem, diga-se de passagem que um passarinho me contou, é uma mulher negra, lésbica e deficiente. Como lhe surgiu a ideia de criar um personagem com essas características e qual a importância disso para a sua literatura?

AM: Maria é negra e tem esse nome porque quis homenagear minha falecida avó. Uma mulher negra que nunca teve medo de nada e criou filhos e netos. Essa era a única característica que havia planejado pra personagem. Queria que fosse negra. Quando comecei a escrever surgiu a questão da deficiência. Isso de ela ser lésbica na verdade é uma questão complicada. No contexto de Anacrônico isso é tão natural que é só mais um detalhe. Não é necessário dizer que ela é lésbica ou bissexual. O leitor sabe, mas ela não.

CS: Como você vê o mercado literário atual?

AM: Essa é uma daquelas perguntas que renderiam uma matéria de 10 páginas. Vou dizer apenas que tenho esperança. Aos poucos as coisas estão mudando e realmente acredito que os autores nacionais vão ganhar cada vez mais espaço.

CS: Publicar um livros nos dias de hoje não é algo tão difícil quanto era a anos atrás, há além de editoras que trabalham com pequenas tiragens de livros, sites on line e redes sociais que permitem a publicação de obras virtuais, o que fornece uma interação autor-leitor mais próxima. Entretanto, há tantos títulos publicados, alguns bons e outros de péssima qualidade. Como se sobressair nesse meio? Como mostrar que a sua obra vale a pena ser lida?

AM: Acho que há duas formas. Mostrar um conteúdo que realmente se sobressaia ou ser um bom vendedor. Uma história ruim e mal escrita pode conseguir milhões de leitores se for bem divulgada. Um bom marketing pode valer muito mais que uma boa trama e um bom vocabulário. Escrever um livro que vá contra tudo que o mercado oferece pode funcionar bem com um pouco de dedicação e paciência.

CS: Hoje em dia, como já dito na pergunta anterior, a interação autor-leitor é muito mais possível que antes, você acha que isso, de uma forma ou de outra ajuda o autor a ter não só mais leitores, como também mais “impulso” ou vontade de escrever cada vez mais e com uma qualidade sempre melhor?

AM: É maravilhoso poder conversar com alguém que leu seu livro, que tem suas impressões e teorias. Cada um sente e pensa algo diferente da trama e seus personagens e é ótimo que o escritor possa conversar e debates sobre toda essa subjetividade. Essa é uma das vantagens de se publicar um livro no Wattpad, por exemplo. O acesso direto aos comentários e votos dos leitores faz com que tudo seja bem mais gratificante.

CS: O que mais precisamos saber sobre Anacrônico?

AM: Anacrônico é uma distopia, mas é bem diferente da maioria das que estão disponíveis no mercado. É um livro bem pesado. Há muita violência e crítica social. Não há tempo perdido com romance e triângulos amorosos. É uma história sobre vingança onde personagens estão tentando sobreviver e conseguir sua liberdade. Tenho 8 originais prontos na gaveta e nenhum mexeu tanto comigo e me deixou tão feliz quanto Anacrônico.

CS: Faça-me uma pergunta.

AM: Quais suas expectativas em relação a Anacrônico?

CS: O que você tem a dizer aos leitores do Catraca Seletiva, e do resto do Brasil, quiçá do mundo?

AM: Anacrônico será lançado em abril pela Luva Editora. É uma edição bem caprichada, com ilustrações e outras surpresas. Espero que todo mundo goste.

_____________________________________


Respondendo a pergunta do Antony, eu só tenho a dizer que estou ansiosíssimo para ter esse livro em mãos e poder lê-lo, eu acredito muito no trabalho dele e sei que ele terá um grande impacto nos leitores e fará o maior sucesso no mercado literário aqui no Brasil. 
Tecnologia do Blogger.