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[RESENHA#102] Charlotte — David Foenkinos

ISBN-13: 9788528620726
ISBN-10: 8528620727

Ano: 2017 / Páginas: 240

Idioma: português 

Editora: Bertrand

Compre: Amazon | Cultura | Travessa
A vida da pintora Charlotte Salomon, morta em Auschwitz Uma tragédia familiar pouco antes da Segunda Guerra Mundial marca a vida da pequena Charlotte, que já dava indícios da realizada artista que viria a se tornar. Obcecada pela arte e pela vida, a jovem, progressivamente excluída de todas as esferas sociais alemãs com a ascensão do nazismo, teve que abandonar tudo para se refugiar na França. Exilada, ela inicia uma obra pictural autobiográfica de uma modernidade fascinante. David Foenkinos coloca em suas próprias palavras um tributo original, apaixonado e vivo a Charlotte Salomon. Esse romance assombroso e redentor, pautado na vida da trágica figura real que lhe serve de protagonista, é o relato de uma busca. Da busca de um escritor obcecado por uma artista.

Charlotte aprendeu a ler o seu nome num túmulo.

Charlotte é um romance estrangeiro escrito pelo autor britânico David Foenkinos em tributo à pintora Charlotte Salomon. Charlotte Salomon foi uma artista alemã — Judia — nascida em Berlim que ficou mundialmente conhecida e lmbrada por ser uma das principais criadoras de uma série de pinturas autobiográficas, reunidas em mais de 769 trabalhos individuais, todos produzidos entre os anos 1941-1943 no sul da França, enquanto Salomon escondia-se dos nazistas. Em 1943, ela foi capturada e deportada para Auschwitz, onde ela e seu feto foram mortos de forma trágica — E é exatamente sobre este período de transição de liberdade e prisão que a obra de Foekinos traz a tona. 

A vida de Charlotte fora marcada antes mesmo de seu nascimento. Tudo começou quando a irmã de sua mãe Franziska, cujo o nome foi dado à Charlotte em sua homenagem, atirou-se de uma ponte em águas profundas e geladas, morrendo quase que instantaneamente. O livro narra a vida da mãe Franziska e do pai Albert durante um sequencial de fatos que marcara fortemente a vida da família, levando-me à acreditar que com Charlotte não seria diferente, aliás, toda sua família possuía um histórico horrível de mortes.

O livro narra a vida dos pais de Charlotte, Albert e Franziska, ambos cheios de vida e repletos de sonho, até que um dia a irmã de Franziska, chamada Charlotte, resolve jogar-se do alto de uma ponte, sem pensar na irmã que deixaria para trás e morre. O ocorrido marca a mãe Franziska de uma forma que ninguém poderia imaginar, porém, levando-a à uma forte depressão, o que afetou toda sua família, inclusive sua filha que recebera o mesmo nome de sua irmã que acabara de se suicidar. 


O parto de ocorreu no dia 16 de abril de 1917, foi o surgimento de uma heroína. E também de um bebê que chorava sem parar — Como se não aceitasse seu nascimento — página 17

Após a perda de sua mãe, Charlotte precisava agora, entender como funcionava a solidão.


Agora precisava entender o que era a solidão — página 31

Mal este, que acometeu sua mãe antes do falecimento. — "Um gesto provocado por uma solidão sem tamanho" — página 25

A partir da perda da mãe, iremos entender como Charlotte perdeu o pai e como se deu o início da segunda guerra mundial, também iremos notando o estranho fascínio de Charlotte para com a arte e sua desenvoltura em meio a desgraça. Sua admiração pela música, sua paixão pela escrita, seu desenvolvimento de criança para mulher e o crescimento e aprendizado acerca da vida, tal como ela é.

Uma frase que marca bastante o enredo do livro com relação a segunda guerra mundial é "Alguém precisava ser responsável pela desgraça do país" — página 57. O livro também nos conta um pouco sobre a expropriação sofrida pelos judeus, pelo impedimento e isolamento e participação dos judeus no meio social alemão e a noite de cristais.

Billy Wilder dizia: "Os pessimistas acabaram em Hollywood e os otimistas em Auschwitz".

Em um enredo quase que poético, David Foenkinos apresenta-nos a vida de Charlotte desde suas primícias até a consumação de seus dias em Auchwitz. Charlotte era Judia e possuía um talento nato para a pintura, porém, seu talento foi ofuscado pelo período da segunda guerra mundial que a impediu de prosseguir com seu sonho, obter reconhecimento e até mesmo, ser livre.

David Foenkinos conseguiu transmitir todo o esplendor por trás da vida de Charlotte e mostrar-nos com maestria e com singularidade sem precedentes a vida e as dificuldades enfrentadas não somente por Charlotte, mas por todos, sobretudo, os Judeus. 

Charlotte é o tipo de produção literária que nos tira da zona de conforto e nos teletransporta para dentro do enredo, precisamente, para dentro do personagem, é como se a ótica saltasse de nossas memórias e tornassem quase que palpáveis. Todos os acontecimentos são surreais e narrados com um esplendor tão admirável que o livro torna-se poeticamente trágico.


Entre os anos de 1941-193, Charlotte produziu pouco mais de setecentos trabalhos, todos eles voltados para o seu cotidiano, seja nos momentos que vivenciara ou simplesmente nos momentos de êxtase e paixão pela pintura. Com um passado extremamente doloroso, Charlotte vê-se obrigada a fugir para a Franga e refugiar-se, porém, acaba sendo descoberta e levada para Auschwitz grávida aos 26 anos.

A narrativa do autor
é quase que poética
escrita em versos
sem rima
só história
só vida
só Charlotte.


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