• NOVIDADES

    terça-feira, maio 30, 2017

    [CRÔNICA] O tobogã, Matheus Cardoso

    Crônica por Matheus Cardoso

    É um domingo bem quente, muito ensolarado, nenhuma nuvem no céu. Logo, de manhã cedo; Júlia e Luna imploram aos pais para irem à praia. Pedro Lucas discorda dizendo que preferiria ir a um parque aquático.
    Teresa Cristina e Alberto optam pelo parque aquático. Eles saem de casa ás dez da manhã, todos felizes.
    Chegando lá, sem nem pensar duas vezes, Júlia dá um salto mortal na piscina.
    – Júlia! Toma cuidado! –  avisa Teresa Cristina que se senta em uma mesinha de madeira perto da piscina.
    Pedro Lucas, Luna e Alberto vão para o vestiário enquanto Teresa está com Marcos. Logo, os quatro saem do vestiário. Pedro Lucas e Luna entram na piscina e Alberto se senta perto de Teresa.
    – Agora, segura o Marcos que eu vou para a sauna.
    – Agora, Teresa Cristina? Ah, não! Você vai demorar muito! Calma aí! Eu vou comprar alguma coisa para a gente comer.
    – Arg!
    Luna sai da piscina e diz:
    – Mãe, olha aquilo ali!
    – O quê?... Um tobogã e...
    – Eu quero ir lá!
    – De jeito nenhum! Aquilo deve ter uns 30 metros de altura! Imagina que você cai de lá de cima, arrebenta o braço, rala o joelho, quebra a cabeça... Olha o prejuízo que você ia dar para mim e para seu pai! De jeito nenhum!
    – Mas, eu quero!
    – Luna... Eu já disse que não!
    Seu Alberto volta e reclama:
    – Caramba! Advinha quanto foi cinco salgados e cinco guaravitas?
    – Quanto?- pergunta Teresa.
    – Vinte e cinco.
    – O quê isso? E você pagou por isso?
    – Eu tive que pagar né?
    – Ai, meu Deus! Você não sabe economizar dinheiro, não, né, Alberto?
    – Júlia! Pedro Lucas! Vem aqui! –  grita Alberto.
    Os dois logo obedecem e saem da piscina.
    – Pai, eu posso ir ao tobogã? –  pergunta Luna.
    – Claro, se um de seus irmãos for junto com você.
    – Eu não! - disse Pedro Lucas.
    – Muito menos eu! Eu estou quase pegando aquele gatinho ali, ó. Não posso! – diz Júlia, apontando para um menino de costas que está dentro da piscina.
    – Ah, por favor, Pedro Lucas... –  insiste Luna.
    – Eu tenho medo de altura! –  ele argumenta.
    – Júlia! Isso não é desculpa! Poxa, você nunca fez nada de bom para mim!
    – Claro que fiz! Eu que não lembro.
    – Vocês são muito chatos!
    Assim que todos acabam de comer, Luna vai sorrateiramente até a fila do tobogã e pede para um salva-vidas ajuda-la.
    – Cadê seus pais, garotinha?
    – Eles estão ali... Eles disseram que está tudo bem.
    – Ok. Então, vamos.
    Quando ela chega lá em cima, ela grita:
    – MÃE! PAI! PEDRO LUCAS! JÚLIA! OLHA EU AQUI EM CIMA!
    Teresa Cristina dá um treco e grita:
    – Luna! O quê você fez? Desce daí AGORA!
    – Não dá! Tem um menino lerdo na minha frente!
    – Pedro Lucas, fica aqui com o Marcos, que eu e seu pai vamos resolver aquilo!
    – Mãe! Olha! Tem uma mulher cheia de celulite na piscina e está de biquíni fio dental e você aí que nem parece ter tido quatro filhos, vestida de maiô!
    – Cala a boca, garota!
    Teresa e Alberto correm até o tobogã.
    – Até que enfim! Tchau, mãe! –  Luna grita, antes de descer pelo tobogã. No meio do caminho, Luna virou de costas e começou a gritar de desespero, depois caiu na piscina de bunda no chão.
    – LUNA! –  Teresa grita antes de escalar a cerca de arame que rodea o tobogã. Ela pula na piscina e consegue sair com a filha no colo.
    – Você queria me matar! –  Luna grita.
    – Eu? Era você que queria se matar! Eu não deixei você ir!
    – Você queria me matar! –  ela repetia.
    – Cala a boca, garota! Está tudo mundo escutando!
    – E daí? Você queria me matar!
    Teresa deu um beliscão no braço dela e ela voltou para a mesa onde Pedro Lucas e Marcos estavam, chorando até suas lágrimas formarem uma piscina.
    – Você vai ficar de castigo por dez dias! –  Teresa diz.
    –Dez?!
    – Deixa, filha, eu diminuo para cinco. – diz Alberto.
    – Você é muito piedoso com nossos filhos, Alberto!
    – E você é muito severa... E é isso que eu gosto em você! –  diz Alberto antes de tascar um beijo na esposa.