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Edição 1 – “Eu Me Apaixonei Por Um Homem De Papel”


Coluna semanal “Manual Da Vida De Leitor”

                                         por Wellington Oliveira

            Eu perdi as contas. Quantas teriam sido? Quinze? Trinta e seis em uma única semana? Quantas mulheres eu vi declarando nas redes sociais o seu mais profundo estado de amor por um personagem que elas conheceram nas páginas dos livros?
            Os homens também marcam presença nesta estatística, mesmo que em números mais tímidos (ou será que simplesmente escondem suas paixões platônicas pelas personagens e não declaram seu amor literário publicamente como as mulheres fazem?). Mas no fim das contas o desafio que persiste é tentar entender o que leva tantos a cair de amor por pessoas que nunca existiram fora de sua imaginação.
            Curiosíssimo. E eu mesmo tenho as minhas teorias. Eu conheço uma mulher de trinta anos que ficou perdidamente apaixonada pelo Sr. Grey de “Cinquenta Tons de Cinza” e também conheço um jovem que se apaixonou por um vilãozinho de um livro meio anônimo de suspense.
            Apaixonar-se é saudável? Depende. Você se apaixonou pela natureza, pela sua vizinha linda demais ou até mesmo por um homem que vive exclusivamente nas páginas de um livro? Nenhum problema desde que os frutos de sua paixonite sejam positivos. Se você passar a ter maior conexão com a natureza, melhorar seu físico e visual para impressionar a vizinha, aumentar seu hábito de leitura só para ter mais contato com o personagem bonitão... Pontos para você. Só é preciso atenção quando os frutos são negativos. Acaba por ser a lógica de todas as coisas na vida: continue se for produtivo; pare se começar a prejudicar.
            Nos casos que citei, a mulher de trinta que se apaixonou pelo Sr. Grey terminou com o seu namorado real porque o pobre coitado simplesmente não conseguia ser o Sr. Grey. O jovenzinho apaixonado pelo vilão de repente só se interessava por quem mostrasse traços de maldade. Esse é ponto que requer atenção. Hora de frear e retornar.
            E o que eles têm? Personagens. Minha teoria diz que é o mesmo que acontece com os filmes de comédia romântica. Eles são pensados desde o início para serem produtos de “imagem perfeita”. O casal perfeito (que pode até se desentender, mas que tem o final perfeito), o homem galante e perfeito, a mulher linda e perfeita.

            Sim. A indústria do entretenimento joga baixo ao atacar nossos corações sedentos por um amor perfeito com seus filmes e personagens impecáveis. Fica só a recomendação para que as paixonites sejam dosadas e controladas. Porque, afinal, quem não quer? O homem que leva para passeios de jatinho particular e presenteia com iPhone 7? Embarcar nesta fantasia saudável que só custa o preço de um interessante livro ou um ingresso de cinema. Quem é que não quer? 

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