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    sexta-feira, maio 26, 2017

    [ENTREVISTA] Bian Philippi, autor de "Lendas de Astra: o relógio do corvo branco"

    Bian Philippi | Acervo Pessoal | Divulgação
    Bian Philippi é um jovem escritor e ilustrador catarinense, nascido em junho de 95. Dono da marca Nascido em Astra, o autor recentemente decidiu expandir sua carreira com suas ilustrações, produtos voltados para leitores e escritores e um canal no youtube. O jovem escritor publicou seu primeiro livro físico de forma independente em 2016, e já planeja o lançamento do seu segundo, a continuação direta da série Lendas de Astra intitulada “respostas em versos felinos”.

    Bian também é autor do livro “Dois Garotos dentro do Arco-íris”, que é postado periodicamente no Wattpad, e do conto “Papéis Sociais” da antologia “Psicopatas e outros distúrbios”, publicada pela Young Editorial. Seu próximo lançamento será o livro “Contos sobre uma terra sem governos e heróis nada heroicos” que deve entrar no Catarse nos próximos meses.

    1. Quando você percebeu que seu destino era se tornar um escritor?

    Eu percebi que podia ser escritor aos meus quinze anos. Eu estava em um vernissage de uma menina de dezesseis anos, lançando seu primeiro livro. Acho que foi uma das melhores escolhas que fiz na vida. Naquele dia, vendo alguém tão jovem realizando seu sonho, que percebi que podia fazer isso também. Eu já tinha uma história em mente, que gostaria que virasse uma animação, porém, percebi que havia outra maneira pra fazer, sabe? Eu imaginava que apenas grandes senhores e senhoras, de mais de cinquenta anos, com faculdades especificas e doutorados, podiam ser escritores. Parece que não era bem assim, não é mesmo? Escrever não foi nada mais que um meio que encontrei para contar minhas histórias.

    2. De onde vêm os personagens? São frutos de muita imaginação ou são baseados em pessoas reais?

    Acho que a própria imaginação é baseada em muitas coisas, e isso inclui as pessoas reais. Não dá pra definir de onde vem cada personagem, é sempre uma experiência nova, surgida de um rabisco, uma conversa ou uma aparência legal, de alguém que passou por mim enquanto eu comprava um picolé.

    3. Quais seus autores favoritos? Estes livros de alguma forma influenciaram diretamente na sua escrita?

    Chris Colfer é meu atual escritor favorito. Os livros dele da série “Terra de Histórias” tem o peso, para mim, que Harry Potter tem para muitas outras pessoas. E, claro, não posso deixar de citar Lewis Carrol, com Alice no País das Maravilhas. Esse livro é tão especial para mim, que coloquei três referências dentro da minha história, quase sem perceber. Acho que todo livro que nós lemos acaba influenciando um pouquinho, seja pela sua narrativa, sua forma de escrita, escolha de palavras, ou pela construção de personagens. É legal absorver a escrita de outros autores, para formar a sua.

    4. Já aconteceu de você conhecer alguém que leu sua obra, ou que estava lendo?

    Já. Fico muito envergonhado quando alguém me para na rua para falar sobre meus livros, eu não sei exatamente o que falar. Eu, ao menos, queria mostrar a essas pessoas o quanto me fazem feliz ao reconhecerem meu trabalho. Apesar de ser envergonhado, é uma situação maravilhosa, sério! É muito mágico!

    5. Atualmente uma das maiores dificuldades encontradas por autores é publicar o livro no formato físico, até mesmo pelos valores altíssimos cobrados por algumas editoras. Você encontrou alguma outra dificuldade para publicar ou desenvolver sua obra?

    Eu senti mais dificuldade para escrever do que para publicar. Eu que montei meu projeto gráfico completo: das capas, ilustrações, até a diagramação. Então, com contatos de gráfica e revisores, e dicas de uma amiga importante, tudo ficou mais fácil. Mas, não tão fácil, vamos botar uma dificuldade 3 de 5.

    6.  Você costuma recorrer á opiniões de terceiros durante o processo de escrita de um livro? Se sim, por quê?

    Sim, tem duas pessoas que acabo mostrando sempre que posso. É importante saber a opinião, tanto sobre a história quanto sobre a sua escrita. Saber se algo não ficou confuso, ou apenas para ouvir aquele elogio tão esperado.

    Bian Philippi | Acervo Pessoal | Divulgação

    7.  Quanto tempo demorou até que seu livro estivesse finalmente finalizado?

    No total, contando todo processo inicial como um jovem de quinze anos em busca de um sonho, foram quase cinco anos. Mas, eu reescrevi o livro todo depois de uma grande pausa, e reestruturei o mundo inteiro, partindo de sua Gênesis até os dias atuais do planeta. Então, acabei escrevendo em um ano e mais um ano para todo o processo de publicar. 

    8. Pretende escrever outros livros dentro do gênero do primeiro livro?

    Sim! Atualmente estou escrevendo meu segundo livro da série. Serão seis. Mas não irei me prender no gênero. Acho que uma das coisas mais legais de ser escritor, é poder brincar com coisas diferentes. Gêneros diferentes. Escritas diferentes. Às vezes brincar com o coração dos leitores, matando algum personagem querido (hahá).

    9. Qual o pior inimigo de um autor?

    O próprio autor. Seja por autocrítica exagerada, preguiça ou qualquer outra coisa, sempre seremos a nossa maior barreira. 

    10. O que você faz quando uma ideia maravilhosa surge enquanto você está fora de casa e precisa registrar aquela ideia?

    Se eu não anotar em qualquer lugar, eu fico recriando a cena na minha cabeça até ela se tornar parte de mim. Raramente vou esquecer esse tipo de cena.

    11. Você acha que escrever enquanto se ouve uma trilha sonora de fundo, dá inspiração ou atrapalha?

    Depende. Às vezes ajuda a criar um clima, outras, eu não consigo nem pensar. Literalmente não consigo.

    12.  De tudo o que você já escreveu, tem algo em especial que se orgulhe? Algum trecho, personagem ou terra?

    Eu poderia colocar uma lista aqui? Haha. São tantas memórias boas, que não consigo selecionar uma. Mas, em primeiro lugar, eu colocaria a frase que escrevi quando terminei meu primeiro livro. Era 31 de dezembro, e eu chorando, com dor de cabeça, me sentindo uma criança que ganhou um Megazord de Natal. A frase me acompanha pra todo canto, um dia quero tatuá-la. E é: "Um sonho que fica apenas na mente, é esquecido. Um sonho que é escrito em um papel, se torna um livro."

    13. Como foi a recepção do seu público com relação à sua escrita? Você acha que se surgisse a oportunidade de vendê-lo para fora do país, a recepção seria mesma?

    Eu, até hoje, não tive nenhuma crítica negativa. Ao menos, não percebi nenhuma. As pessoas que leram gostaram bastante. Sejam as que leram meu livro, ou as que acompanham meu trabalho no Wattpad. Recebi elogios sobre minha forma de escrever que me deixaram bobo. Teve uma beta que já reclamou de eu ser muito coloquial nos diálogos, mas, mantive dessa forma. Acho que cada personagem tem sua verdade ao falar, não quero apagar isso. Eu sinceramente tenho medo do dia que terei de lidar com críticas. Afinal, nunca agradaremos todo mundo.

    E não sei como seria a recepção fora do país, não consigo imaginar. Mas, quem sabe em breve eu não descubra, não é mesmo? Lendas de Astra teve três capítulos traduzidos para o Inglês, em parceria com uma amiga. Quem sabe este ano, ou no próximo, não lançamos um Astra's Legends? Vamos torcer.

    Título: Lendas de Astra: o relógio do corvo branco.
    Livro um, da série Lendas de Astra.
    Autor: Bian Philippi
    Edição: 
    Ano: 2016
    Páginas: 226
    Formato: 14x21
    Capa: Brochura
    ISBN: 978-85-69104-03-2
    Gênero: Fantasia/Infanto-juvenil
    Idioma: Português

    Neste livro você acompanhará a história de Majora, uma jovem bruxa habitante de Astra, que não consegue se livrar de seus tormentosos pesadelos. A figura de olhos dourados a persegue em todos os cantos por onde anda. Mas são apenas sonhos – era o que ela mais esperava. Ela tenta guardá-los para si, mas descobre que não pode quando coisas estranhas acontecem. A garota terá de lidar com esse pesadelo antes que o tempo acabe, e descobrir o que significa a tal promessa que ele sempre repete. A bruxa se aventurará em lugares estranhos para descobrir o que, ou quem, está fazendo isso com ela, tudo enquanto tenta mudar para sua primeira casa fixa para, enfim, voltar a ter noites tranquilas de sono. O relógio do corvo branco é o primeiro volume da série Lendas de Astra, trazendo humor, aventura, fantasia e magia a uma história com pesadelos tão tenebrosos que desconcertam a jovem bruxa.