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[ENTREVISTA] Cesar Bravo, autor de "Ultra Carnem"


Nascido em 1977, em Monte Alto, São Paulo, foi apenas recentemente que Cesar Bravo deu voz à sua relação visceral com a literatura. Durante sua vida, já teve diversos empregos — ocupando cargos na indústria da música, na construção civil e no varejo. É farmacêutico de formação. Bravo publicou suas primeiras obras de forma independente, e em pouco tempo ganhou reconhecimento dos leitores e da imprensa especializada. É autor e coautor de contos, romances, enredos, roteiros e blogs. Transitando por diferentes estilos, possui uma escrita afiada, que ilumina os becos mais escuros da psique humana. Suas linhas, recheadas de suspense, exploram o bem e o mal em suas formas mais intensas, se tornando verdadeiros atalhos para os piores pesadelos humanos. 

Cesar é um admirador e seguidor dos grande mestres, devoto de Edgar Allan Poe e H.P. Lovecraft. Com uma voz única e muito brasileira, o terror nacional volta a respirar na pele da nova geração de autores e leitores sedentos por histórias que dêem voz a nossa identidade, mas que nos levem muito além da carne.


Ultra Carnem | DarkSide Books | Divulgação


1.CS — Olá Cesar Bravo, primeiramente gostaríamos de dizer que é um prazer imensurável contar com sua participação neste projeto maravilhoso de entrevistas com autores nacionais. Para darmos início, conte-nos como iniciou seu gosto pela literatura e pela escrita?

CB — Eu que agradeço, a ideia de passar um tempinho com vocês me agradou demais — e nem preciso dizer o quanto essa exposição ajuda a nós, autores.
Iniciei na literatura bem cedo, pelo que me lembre sempre gostei de ler. Em nossa casa, tínhamos algumas enciclopédias (isso foi bem antes da internet, ok? Não me julguem), como a “Conhecer”, e eu gastava muitas horas sobre aqueles livros. A escrita nasceu bem depois, já na adolescência. Creio que tenha começado a pensar nessa arte, profissionalmente, na vida adulta, quando concluí que eu seria muito infeliz vivendo eternamente um “plano B”.      

2.CS — Quais são seus autores de referência e suas principais influências no terror e suspense?

CB — Sempre cito quatro, meu “Big Four” da literatura. H.P. Lovecraft, Edgar Allan Poe, Stephen King e Clive Barker. Quanto as influências, cito o cinema também, sou viciado em filmes de horror, principalmente os mais antigos.

3.CS — Dentre os livros que você já publicou, existe algum que seja seu favorito?

CB — É bem difícil escolher um deles. Eles nasceram em fases diferentes de minha vida e cada um tem um significado (e uma competência) muito diferente. Cito aqui o Ultra Carnem, por ser o livro que me colocou sob os holofotes, sempre terei um carinho imenso por esse livro.

4.CS — Você já publicou vários livros através da internet como Navio Negreiro, Além da Carne e Caverna de Ossos. Quais são as maiores dificuldades enfrentadas por um escritor independente na sua opinião? 

CB — No meu caso, a maior dificuldade surgiu bem no comecinho. Ser lido, atrair o interesse das pessoas era muito difícil. Você é desconhecido, coloca seus textos em alguma plataforma, mas quem garante que despertará interesse? Felizmente tive o apoio de muitos parceiros, blogueiros que, com total desprendimento, acolheram meu material e me ajudaram a divulgá-lo.

5. CS — Você já se inspirou em alguma pessoa da vida real para a composição de personagens?

CB — Várias vezes. Porém, o personagem é outro tipo de “entidade”. Embora ele concentre traços de pessoas de carne e osso, ele é muito diferente, seus desejos e comportamentos nem sempre ficam sob a competência do autor (sim, eu sei que é estranho, mas é a percepção que tenho). Eu sou muito observador, quando uma característica me salta aos olhos fica guardada em uma gaveta; tudo é utilizável no processo de composição. 



6. CS — Como foi a experiência em publicar um livro através da maior editora do horror do Brasil?

CB — Foi fantástico! Eu cortejei a DarkSide por muito tempo, sempre admirei seu trabalho e dedicação ao gênero que mais amo. Como leitor, eu ansiava por alguma editora que desse o tratamento que os clássicos de horror mereciam, a DarkSide ouviu minhas preces. Mais tarde, voltou a ouvi-las e firmamos nossa parceria. O que posso dizer? Eu não poderia estar em mãos mais competentes. 

7. CS — Você possui uma espécie de planejamento ao escrever ou simplesmente inicia a escrita e deixa que a história tome seu curso?

CB — Aos olhos alheios, escrevo de maneira caótica, mas o fato é que tudo se organiza aqui dentro. Eu não faço muitas anotações ou tento planejar o livro do começo ao fim, prefiro deixar fluir e me concentrar em planejamentos e trama somente em uma segunda leitura. Muitas histórias mudam demais ao longo da escrita, no meu caso eu me sentiria preso se tivesse que segurar a criatividade e manter uma única direção. O que sempre tenho é uma boa premissa, esse ponto é fundamental, saber o que você quer dizer com seu trabalho.

8. CS — Quais são seus principais objetivos como escritor? Do seu primeiro livro até o mais recente, você diria que parte dos seus planos foram realizados?

CB — Meu objetivo é continuar produzindo, sempre com mais qualidade, e sobreviver dos frutos do trabalho que eu mais amo. É um pouco frustrante quando um autor precisa se dividir em duas ou três profissões para receber seu sustento.
Eu diria que meu primeiro plano inicial era ser publicado por uma boa editora. Nesse ponto, estou plenamente realizado. Mas também tenho interesse em explorar outras mídias, conhecer novos leitores, sou meio megalomaníaco em relação à escrita.

9. CS — Como você enxerga o mercado brasileiro e a forma como a divulgação do autor é tratada por parte das editoras?

CB — É um mercado difícil, não vou mentir. Estamos apenas começando no horror, mas felizmente o mercado está mostrando interesse. Creio que o futuro trará novos e bons autores, resgatará alguns mestres subvalorizados, eu espero contribuir para que aconteça depressa.
Divulgação é outro ponto polêmico. Veja, se o autor ficar acomodado, esperando que a Editora faça tudo por ele, está fadado ao esquecimento. Um bom autor está perto de seus leitores, sabe o que eles pensam melhor maneira de atendê-los. Essa troca de experiência é fundamental, o boca-a-boca, não é a editora quem fará isso, é o autor.
É claro que com a organização de eventos e uma ação consistente de marketing, tudo fica mais fácil, o alcance aos novos leitores ganha novo impulso. Mas o mercado está aprendendo com a nova literatura nacional e nós estamos aprendendo com ele, tenho certeza que cresceremos juntos.

10. CS — Infelizmente chegamos ao fim, porém, estamos agradecidos por ter tido a oportunidade e chance de conhecê-lo melhor. Sucesso em sua carreira! Se você pudesse deixar um último recado para quem está tentando alçar no mercado editorial, o que você diria?

CB — Agradeço demais por recebido essa oportunidade. Adorei as perguntas e faço votos que todos nós sejamos bem-sucedidos em nossas carreiras.
Como um último recado aos que escrevem eu diria: persista e se aprimore. Procure material técnico, escreva todos os dias, leia o que puder! E quando as portas estiverem fechadas, continue produzindo, você precisará ter um material pronto quando aquelas mesmas portas se abrirem de novo. 
Tenha fé em você mesmo, trabalhe duro e confie no futuro. Nós nunca sabemos em que ponto da estrada aquele pote de ouro está escondido, nosso trabalho é continuar caminhando até encontrá-lo.

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