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[ENTREVISTA] Décio Gomes, autor de "Albertine"

Décio Gomes | Facebook | Divulgação

Décio Gomes é Pernambucano, nascido na cidade de Caruaru no fim da década de 80. Lançou seu primeiro livro, Albertine, em Junho de 2012, e desde então já publicou cinco outros títulos, entre eles Equilibrium e In nomine patris. Em 2013 foi um dos concorrentes do Prêmio São Paulo de Literatura, na categoria Melhor livro de autor estreante, e em 2015 foi homenageado no Prêmio Clarice Lispector como um dos melhores romancistas do ano. Trabalha também como capista, o que torna sua vida completamente rodeada de livros.

1. Quando você percebeu que seu destino era se tornar um escritor?

Desde muito pequeno. Sempre fui apaixonado por livros, e já muito novo escrevia pequenas histórias. Com o passar dos anos a ânsia de escrever algo mais longo logo surgiu, e eu comecei a escrever Albertine, processo que durou mais de dois anos. Desde então não parei mais, e já são seis títulos lançados e mais alguns em produção.

2. De onde vem os personagens? São frutos de muita imaginação ou são baseados em pessoas reais?

Todos são fictícios, mas de uma forma ou outra eu capturo algo de pessoas que estão ao meu redor, para deixá-los mais reais e mais humanos. Nenhum dos meus personagens é do tipo perfeitinho, sempre busco mostrar que existem qualidades e defeitos.

3. Quais seus autores favoritos? Estes livros de alguma forma, influenciaram diretamente na sua escrita?

Entre meus autores favoritos estão Arthur Conan Doyle, Lemony Snicket, Joseph Delaney e Edgar Allan Poe, este último sendo uma das minhas maiores inspirações. Diria que os contos obscuros do Edgar influenciaram diretamente o meu estilo, com certeza.

4. Já aconteceu de você conhecer alguém que leu sua obra, ou que estava lendo?

Já aconteceu de eu estar em uma livraria, e ao ir ao caixa encontrar uma pessoa comprando um dos meus livros. Já presenciei também uma pessoa lendo no ônibus. Sou muito tímido, porém, e não tive coragem de falar com as pessoas em questão!

Décio Gomes | Facebook | Divulgação


5. Atualmente uma das maiores dificuldades encontradas por autores é publicar o livro no formato físico, até mesmo pelos valores altíssimos cobrados por algumas editoras. Você encontrou alguma outra dificuldade para publicar ou desenvolver sua obra?

Nunca cheguei a ter problemas na publicação, mas, pra mim, uma das maiores dificuldades é conseguir divulgar e chamar atenção dos leitores. É por isso que trabalho bastante na criação de artes promocionais, contendo cenas do livro ou representações gráficas dos personagens e cenários. Os leitores gostam bastante e isso facilita na divulgação.

6. Você costuma recorrer á opiniões de terceiros durante o processo de escrita de um livro? Se sim, por que?

Tenho apenas dois ou três leitores que acompanham o processo, me ajudando a encontrar erros e furos na trama e também me ajudando a corrigir erros de gramática ou digitação que venham a aparecer. Não costumo enviar o material para muitas pessoas, embora ache bem bacana quem faz isso.

7. Quanto tempo demorou até que seu livro estivesse finalmente finalizado?

O primeiro livro demorou mais de dois anos, enquanto o segundo levou apenas quatro meses. Depois dele, mantenho o padrão de cerca de um ano para cada livro. É um tempo agradável e que me dá espaço para trabalhar bem em cada um deles.

8. Pretende escrever outros livros dentro do gênero do primeiro livro?

O primeiro livro faz parte de uma trilogia já finalizada (As Crônicas Ridell), então são outros dois no mesmo estilo do primeiro. Os outros já lançados seguem uma linha um pouco diferente, e atualmente estou trabalhando em um livro de romance/drama que foge completamente de todos os outros. Gosto de variar o estilo para não ficar sempre batendo na mesma tecla, e isso é bom para conquistar todos os tipos de público!

9. Qual o pior inimigo de um autor?

A preguiça e a falta de perseverança. Essas duas coisinhas podem vir a ser as responsáveis por um livro nunca sair da cabeça.

10. O que você faz quando uma ideia maravilhosa surge enquanto você está fora de casa e precisa registra-la?

Eu geralmente possuo uma ótima memória, e por incrível que pareça, lembro de absolutamente tudo depois, até mesmo pequenos trechos de diálogos!

11. Você acha que escrever enquanto se ouve uma trilha sonora de fundo, dá inspiração ou atrapalha?

Falando por mim, atrapalha sim. Não consigo ouvir absolutamente nada enquanto escrevo, pois acabo prestando atenção na música e me perco nas palavras. Prefiro silêncio absoluto!

12. De tudo o que você já escreveu, tem algo em especial que se orgulhe? Algum trecho, personagem ou terra?

O meu terceiro livro, Minueto da Madrugada, é sem dúvidas o meu favorito. Amo tudo nele, desde os personagens à ambientação. Fora ele, tenho um segundo grande preferido, que é o In nomine patris volume II: Sanguinis Sigillum. Gosto bastante dos locais que criei para a trama e da execução da história como um todo, pois mesmo sendo um livro de fantasia, tem uma forte crítica aos métodos da igreja católica antiga.

13. Como foi a recepção do seu público com relação à sua escrita? Você acha que se surgisse a oportunidade de vendê-lo para fora do país, a recepção seria mesma?

Desde o primeiro livro, quando começaram a sair resenhas sobre Albertine, um dos grandes pontos citados pelos leitores foi a forma de escrita, mais clássica e rebuscada. Não esperava que fossem gostar tanto dessa minha forma de escrever, sempre remetendo a livros mais antigos e de época. Sobre edições internacionais, já tenho alguns títulos traduzidos para o inglês, mas nenhum deles foi publicado ainda por uma editora grande, mas são vendidos de forma independente na Amazon.com em formato físico e digital.

14. Como surgiu a ideia do enredo do primeiro livro que você escreveu?

Albertine surgiu de um conto que escrevi aos 15 anos, e fala de um casal que se muda para uma mansão que esteve abandonada por vinte anos, mansão esta que esconde segredos de família que podem vir a destruir não só o amor, mas também as vidas do casal e de seus criados. Essa temática, que pode até ser considerada um pouco clichê, sempre foi minha favorita desde pequeno, e nada mais justo do que escrever meu primeiro livro nesse estilo.

15. Já teve medo de desenvolver um enredo em cima de alguma temática polemizada? Racismo, homofobia, aborto e etc?

Alguns dos meus livros envolvem fantasia com temática religiosa, e muitas vezes eu preciso prestar atenção no que escrevo para não ofender leitores que sejam cristãos. Por isso acabo evitando temas muito pesados de forma explícita, mas sempre coloco um tempero aqui e ali para mostrar que meu texto não está livre de conteúdo mais forte.

16. O que você diria para as pessoas que estão conhecendo tanto você quanto sua escrita somente agora?

Gostaria de agradecer por estarem lendo essa entrevista, e de dizer que será uma honra ser lido por vocês. Sou sempre muito grato aos meus leitores, pois sem eles eu não seria nada.

17. O que as pessoas devem esperar de sua escrita?

Em todos os meus trabalhos, mesmo o que tem uma premissa mais leve, as pessoas sempre acabarão encontrando toques de dramas humanos. Seja uma história de terror, aventura ou romance, os sentimentos estarão sempre lá, tornando a história mais densa e mostrando personagens que sentem tudo ao redor deles.

18. O que você diria para alguém que está iniciando a escrita do seu primeiro livro?

Que jamais desista, que jamais engavete seus projetos e que jamais escute quem tenta nos desanimar. Esse processo deve começar por nós mesmos, do nosso coração. Perseverança, sempre!

19. Onde podemos encontrar seus livros para compra? 

Todos estão disponíveis em formato físico e digital na Amazon, e também podem ser comprados diretamente comigo para que sejam enviados com autógrafo e marcadores.

20. Qual a sua opinião sobre a literatura nacional nos dias de hoje? Acha que é bem divulgada pelos blogs literários e editoras?

Existe uma linha tênue entre o amor e o descaso, pois embora a maioria das editoras grandes não queiram nos dar chances, existem as menores que investem em nós. Blogs também existem nas duas vertentes: aqueles que não procuram apoiar autores, mas também aqueles que sempre nos divulgam, postam resenhas e sempre comentam nas nossas postagens.

21. Se você pudesse dar um conselho para os seus amigos escritores por meio desta publicação, o que você diria a eles?

Talvez não um conselho, mas uma mensagem de força e apoio. Estamos todos juntos nessa e devemos lutar até que nossos sonhos se realizem!

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