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[ENTREVISTA] Letícia Godoy, autora de "Borborema"

Letícia Godoy | Facebook | Divulgação

Letícia Maria de Godoy nasceu em 13 de fevereiro de 1994 na cidade de Curitiba, no Paraná, porém cresceu em Siqueira Campos, onde descobriu, sentada sob as sombras da casa onde morava, o seu gosto pela leitura. Aprendeu a ler e escrever aos 4 anos de idade, tendo como primeira professora sua mãe, e aos 8 anos começou a escrever seus primeiros contos em restos de cadernos escolares. Desde então, nunca mais parou. Aos 17 anos passou no vestibular para ingressar na faculdade de Letras, um sonho que se tornou realidade. Aos 18 anos, publicou três contos na antologia intitulada Pontos da Vida, sua primeira aventura no ramo da literatura. Atualmente dedica-se a escrita de romances, a revisões textuais e pesquisas no ramo da linguística aplicada.

1. Quando você percebeu que seu destino era se tornar uma escritora?

R: Foi ainda criança. Eu aprendi a ler aos 4 anos e desde sempre demonstrei muito interesse por manter diários pessoais e etc.
Aos 8 anos, comprei um caderno e decidi que escreveria uma história. Na época, foi a reformulação de um filme que assisti, cujo final não me agradou. Desde então nunca mais parei. Quando o caderninho acabou, eu precisei comprar outro e outro, até ter cerca de 24 cadernos preenchidos. Ganhei meu primeiro computador no aniversário de 15 anos e foi uma alegria poder começar a digitar os meus textos.

2. De onde vem os personagens? São frutos de muita imaginação ou são baseados em pessoas reais?

R: No início acaba sendo bem frequente a gente usar características de pessoas reais para pautar um personagem. Às vezes, inclusive, acaba sendo instintivo. Nem percebemos que estamos fazendo isso. Porém, à medida que você começa a ter certa experiência com a escrita, os personagem surgem sozinhos, prontos e nós temos a grande missão de contar suas histórias. Tenho vários personagens baseados em amigos, em mim mesma e outros que surgiram e eu simplesmente tive que contar o que eles me pediam.

3. Quais seus autores favoritos? Estes livros de alguma forma, influenciaram diretamente na sua escrita?

Capa oficial do livro "Borborema"
R: Meus autores favoritos são muitos, se fosse falar a lista seria enorme, contudo, Machado de Assis, sempre que me perguntam isso, é o primeiro a vir a minha mente. Tive contato com as obras deste magnífico escritor ainda na adolescência, acho que quando li o primeiro livro do Machado eu devia ter uns 11 anos, não me lembro com precisão, mas sei que foi Memórias Póstumas de Brás Cubas. Fiquei tão fascinada pela narrativa que demorei muito tempo para conseguir ler outro livro, pois só ficava pensando no quanto ele era incrível. Com o tempo, meu gosto pelos clássicos aumentou consideravelmente e autores como Emily Brontë e Jane Austen entraram para a lista. Confesso que foi bem tardiamente, por volta dos 17 anos, que tive contato com literatura brasileira contemporânea. Antes minhas leituras eram apenas clássicos. Isso influenciou muito no meu processo criativo, pois eu pensava "utopicamente" que queria ser tão boa quanto os escritores que lia, a ponto de um dia, talvez, também ser um cânone literário.

4. Já aconteceu de você conhecer alguém que leu sua obra, ou que estava lendo?

R: Sim, graças a Deus já tenho um público fiel que sempre está acompanhando meus lançamentos, mas teve uma situação realmente engraçada que aconteceu na última bienal de SP. Eu conheci uma menina pela internet, ela comprou meu primeiro livro e ficamos bem amigas. Contudo, nunca imaginamos que um dia iríamos nos conhecer. Então, eu estava lá ba bienal distribuindo marcadores e de repente ofereci marcadores para uma menina que, de alguma forma, parecia-me familiar e de repente ela começou a gritar e literalmente pulou em cima de mim para me abraçar. Foi um dos momentos mais incríveis da minha vida, pois conheci pessoalmente uma das minhas primeiras leitoras. Foi lindo. Jamais vou esquecer desse momento.

5. Atualmente uma das maiores dificuldades encontradas por autores é publicar o livro no formato físico, até mesmo pelos valores altíssimos cobrados por algumas editoras. Você encontrou alguma outra dificuldade para publicar ou desenvolver sua obra?

R: Pode parecer hipocrisia da minha parte, mas para mim publicar o livro é fácil. Tem muita editora que se você investir ela vai publicar o seu livro e você o terá em mãos, contudo, para mim, a maior dificildade é: tenho o meu livro em mãos e agora? Divulgar-se e conseguir algum destaque no meio literário sim é um desafio para mim. Sempre fui bastante tímida e no começo isso foi meu calcanhar de Aquiles. Eu tinha vergonha de divulgar, não sabia como falar sobre meu livro e meu trabalho... realmente, foi o pior para mim. Com o tempo consegui melhorar muito nesse quesito, mas ainda tenho muito a aprender. Tanto em chegar no leitor, quanto ter algum destaque por meio de divulgações e afins. Para mim, esse é o maior desafio, pois se você publicar o seu livro no formato digital e não divulgar, ele vai ficar parado também. É muito complexo criar estratégias para dizer: Hey, deem uma chance para o meu livro!

6.  Você costuma recorrer á opiniões de terceiros durante o processo de escrita de um livro? Se sim, por que?

R: Durante o processo de escrita não, mas depois que o livro está pronto, sim. Eu adoro enviar depois que eu já fiz minha própria releitura completa, para alguns leitores betas e ver a reação deles em relação ao enredo, se eles tem dicas para me dar, se tem críticas no que posso melhorar e etc. Isso me ajuda muito a ter uma visão sobre o meu livro antes de ele ser publicado. Sem falar que quanto mais se lê, mais se acha coisa para melhorar e aperfeiçoar. É muita utopia achar que botou o ponto final no livro e ele está pronto. Não, esse é só tipo 50% do trabalho, o resto é tudo lapidação.

7.  Quanto tempo demorou até que seu livro estivesse finalmente finalizado?

R: Sou uma escritora que demora. Muitos leitores da série Deixe-me, inclusive, ficaram apreensivos de que eu fosse demorar 4 anos para publicar o segundo volume da série. Felizmente isso não aconteceu e eu pretendo também tentar terminar o terceiro mais rapidamente, mas geralmente eu demoro de 3 a 6 anos para concluir um livro. 6 anos foi meu tempo máximo e foi também porque eu sentia que a história não estava preparada. Outros foram 3 anos e um foi 4 anos. É o tempo que eu demoro. Contudo, agora que tenho exercitado a escrita diariamente, tenho um projeto que nasceu em tempo record de 1 ano e 2 meses! Mas ele apenas nasceu, ainda falta muita lapidação para eu o considerar pronto para entregar ao leitor.

8. Pretende escrever outros livros dentro do gênero do primeiro livro?

R: Eu não sou de escrever o mesmo gênero. Cada livro é um gênero diferente, mas tenho uma leve inclinação para o romance policial, então sim, acho que vou escrever ainda muitos livros em torno desse gênero literário.

9. Qual o pior inimigo de um autor?

R: Com certeza o bloqueio criativo!

10. O que você faz quando uma ideia maravilhosa surge enquanto está fora de casa e precisa registrar aquela ideia?

R: Já fiz de tudo! Uma vez estava em uma aula na faculdade e aquela cena incrível surgiu em minha mente. Pedi licença, fui ao banheiro e comecei a gravar as ideias no celular! Falei tudo o que pensava e quando me senti mais leve, voltei para a sala. Foi um dos momentos mais bizarros para mim!

11. Você acha que escrever enquanto se ouve uma trilha sonora de fundo, dá inspiração ou atrapalha?

R: Comigo, atrapalha. Ou eu ouço a música antes de começar e tenho a inspiração, ou depois de ter escrito para comemorar. Junto, não consigo. Gosto de escrever no mais absoluto silêncio.

12.  De tudo o que você já escreveu, tem algo em especial que se orgulhe? Algum trecho, personagem ou terra?

R: Eu me orgulho de todos os meus livros, afinal, é uma grande conquista poder concluí-los, mas me orgulho, em especial, de Borborema. Ele se passa na cidade onde moro (Siqueira Campos) e poder representar este lugar em que amo viver foi uma das melhores coisas para mim.

13. Como foi a recepção do seu público com relação à sua escrita? Você acha que se surgisse a oportunidade de vendê-lo para fora do país, a recepção seria mesma?

R: Isso é muito difícil de dizer. Aqui, aos pouquinhos, tenho conseguido conquistar meu espaço. Tenho alguns leitores, como mencionei, fiéis e é eles que me motivam a prosseguir. Contudo, sabemos que aqui no Brasil é uma grande minoria que lê e se eles gostarem e um dia for para outro país (o que é difícil ainda), a chance de os estrangeiros gostarem pode ser grande. Não digo exatamente da minha escrita, mas da escrita de brasileiros em geral. Tem muita coisa boa aqui!

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