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[ENTREVISTA] Lucas Nascimento, autor de "Eu me iludo sim"

Lucas Nascimento | Acervo Pessoal | Divulgação

Lucas Alves do Nascimento, conhecido apenas por Lucas Nascimento, (São Paulo, 01 de janeiro de 1996 - 21 anos), é jornalista, palestrante, roteirista, ator e escritor brasileiro.  É o criador e editor-chefe do blog Compartilhe Isso, que em 2017, atingiu a marca de 500 mil visualizações. Conhecido por ter amigos muito famosos, como a cantora Anitta, Lucas sempre está nas principais festas, eventos e lançamentos que agitam o mundo POP. Um dos blogueiros de entretenimento mais bem-sucedidos do país, figura entre alguns dos maiores millenials que influenciam bastante gente através das redes sociais. Autor do seller, 'Eu me iludo, sim', Lucas Nascimento mostrou aptidão para a literatura, além do bom trabalho já realizado como blogueiro e jornalista. 

1. Quando você percebeu que seu destino era se tornar um escritor?

R: Bom, quando eu comecei a cursar jornalismo, eu já sabia que teria que escrever muito, mas nunca imaginei que iria também acabar entrando e contribuindo para a literatura. Eu tive uma breve noção de que poderia sim, numa aula de redação, quando apresentei uma crônica e minha professora disse que aquilo deveria virar um livro. Um tempo depois, a crônica viralizou nas redes sociais e uma editora me convidou para escrever uma história que finalizasse naquele ponto, dai surgiu o 'Eu me iludo, sim'. 

2. De onde vem os personagens? São frutos de muita imaginação ou são baseados em pessoas reais?

R: Todos os personagens e a história é baseada em casos reais, mas nem tudo que está narrado no livro é real. Tive a liberdade criativa de imaginar situações que fizessem a história andar conectando um acontecimento ao outro.

3. Quais seus autores favoritos? Estes livros de alguma forma, influenciaram diretamente na sua escrita?

R: Desde criança eu lia muito, então eu tinha a boa dose de leitura como base. J.K Rowling, Stephanie Meyer, a Isa Freitas, que é minha amiga, enfim, muitos autores me ajudaram e influenciaram a minha forma de escrever, embora, às vezes, o livro pareça uma grande reportagem, já que sou jornalista e tenho essa pegada do texto jornalistico como base pra quase tudo. 

4. Já aconteceu de você conhecer alguém que leu sua obra, ou que estava lendo?

R: Uau, eu conheci muuuuita gente. Autografei uns 500 livros na Bienal do Livro de SP ano passado, e fiz alguns lançamentos viajando o Brasil, tive contato com muitos fãs. Encontro na rua, às vezes estou andando pela Av. Paulista e a galera me para pedindo foto, é bem engraçado. Claro que tive a sorte de alguns artistas muito influentes, como a Anitta e a Ivete (que estão na história) divulgarem o livro nas redes sociais e alavancar as vendas e o interesse da galera. 

5. Atualmente uma das maiores dificuldades encontradas por autores é publicar o livro no formato físico, até mesmo pelos valores altíssimos cobrados por algumas editoras. Você encontrou alguma outra dificuldade para publicar ou desenvolver sua obra?

R: Acho que conciliar o tempo: faculdade, trabalho, família, lazer. Escrever um livro tira você do meio social por um tempo, você não consegue se dedicar 100% a tudo que consegue fazer, mas o processo de escrever pra mim foi fácil, difícil foi enfrentar a longa agenda de lançamentos, cada semana numa cidade ou estado diferentes, às vezes dois estados por final de semana. Me senti em turnê, é bizarro. 

Lucas Nascimento | Acervo Pessoal | Divulgação


6.  Você costuma recorrer á opiniões de terceiros durante o processo de escrita de um livro? Se sim, por que?

R: Sim, tenho alguns beta readers que leem tudo antes, durante o processo de produção, então não tem erro, né? Eles veem se a história está dando liga, se tem algum furo no roteiro. Eles dão a opinião externa porque para o autor, tudo sempre está perfeito. Eles ajudam a fazer colocar o pé no chão.

7.  Quanto tempo demorou até que seu livro estivesse finalmente finalizado?
R: 5 meses. 

8. Pretende escrever outros livros dentro do gênero do primeiro livro?

R: Sim. 'Eu me iludo, sim' vai ter uma continuação, ainda sem previsão de lançamento. Mas, novidade pra vocês, em 2018, vou lançar um livro que escrevi pouco antes de surgir a ideia do EMIS, 'Outubro: superar e amar', é um drama-romantico-erótico LGBT que não saiu antes por ter um apelo internacional, e porque tive medo de logo de cara trazer um livro com uma temática tão pesada: há cenas de sexo gay explícitos, muitas mortes, então para me lançar na literatura, optei pelo infanto-juvenil antes de partir para o adults only. Por enquanto, alguns agentes estão cuidando para que o livro seja lançado no Brasil e em algumas praças no exterior simultaneamente, deixo vocês saberem de tudo em primeira mão rs. 

Capa oficial do livro "Eu me Iludo sim"
9. Qual o pior inimigo de um autor?

R: Acho que a falta de esforço em aprender coisas novas e a falta de criatividade ou bloqueio criativo. Isso mata a gente. 

10. O que você faz quando uma ideia maravilhosa surge enquanto você está fora de casa e precisa registra-la?

R: O bloco de notas do celular é uma salvação. 

11. Você acha que escrever enquanto se ouve uma trilha sonora de fundo, dá inspiração ou atrapalha?

R: Só leio e escrevo com muito barulho ao redor. Televisão ligada, gente conversando, música tocando... super me inspira.

12.  De tudo o que você já escreveu, tem algo em especial que se orgulhe? Algum trecho, personagem ou terra?

R: O personagem principal de "Eu me iludo, sim" sou eu mesmo, mas com diversas influencias. Eu me orgulho muito da forma como eu o trabalhei. Não é um personagem difícil de entender; ele só quer ser feliz, mas nada de spoiler aqui. 

13. Como foi a recepção do seu público com relação à sua escrita? Você acha que se surgisse a oportunidade de vendê-lo para fora do país, a recepção seria mesma?

R: Todo mundo gosta muito da forma como eu escrevo. Recebi poucas críticas negativas, mas não sei se isso é bom ou ruim! A oportunidade já veio, mas, para o mercado internacional ele vai ter que passar por várias adaptações, porque é muito cultural-local, então alguns costumes, algumas passagens seriam extremamente confusas para um europeu ou norte-americano.

14. Como surgiu a ideia do enredo do primeiro livro que você escreveu?

R: Tenha várias decepções amorosas, bizarras até, tenha vontade de desabafar: o EMIS surgiu daí, e fez sucesso. Tem muita gente sendo trouxa no mundo, as pessoas precisam de alguma coisa pra se apegar. 

15. Já teve medo de desenvolver um enredo em cima de alguma temática polemizada? Racismo, homofobia, aborto e etc?

R: Jamais. Os meus dois livros são sobre um ou alguns desses tabus. Então, obviamente, não pude ter medo de escrevê-los. 

16. O que você diria para as pessoas que estão conhecendo tanto você quanto sua escrita somente agora?

R: Genteeeeee, comprem o livro, vocês vão adorar e vão se reconhecer muuuuito lendo. É uma leitura gostosa, engraçada, triste, enfim, tem de tudo que a gente usa pra considerar uma boa história e me contem depois o que acharam pelas redes sociais rs. 

17. O que as pessoas devem esperar de sua escrita?

R: Uma coisa concisa, porém completa. Que emociona, sem firula; e que diverte, sem mau gosto. Acho que é o meu diferencial. 

18. O que você diria para alguém que está iniciando a escrita do seu primeiro livro?

R: Tenha foco! É muito fácil se distrair enquanto se escreve, ou enquanto se faz a pesquisa para a criação dos personagens, então, foque. Tenha consciência de que aquilo fica ali para todo o sempre, com seu nome e que quando envolve  nós mesmos, nunca jamais, deve ser feito de qualquer jeito. Foco, muito foco e determinação pra conseguir alcançar tudo que você deseja como autor. 

19. Onde podemos encontrar seus livros para compra? 

Livraria Cultura, Saraiva, Martins Fontes, Amazon e Mercado Livre (que tem os exemplares autografados e com desconto por apenas R$ 25). --> http://produto.mercadolivre.com.br/MLB-835956345-livro-eu-me-iludo-sim-_JM

20. Qual a sua opinião sobre a literatura nacional nos dias de hoje? Acha que é bem divulgada pelos blogs literários e editoras?

R: Acho que LN finalmente cresceu e está sendo reconhecida. Tinhamos, no Brasil, um internacionalismo muito grande. Aquela ideia de que 'só o que vem de fora é bom', o que não é verdade. Temos livros muitos bons aqui, temos muitos autores espetaculares também, que só veem para somar, sem dúvidas. Os blogs ajudam muito, mas acho que algumas editoras deixam a desejar. 

21. Se você pudesse dar um conselho para os seus amigos escritores por meio desta publicação, o que você diria a eles?

R: Cabeça erguida, galera. A gente sabe que é foda! E é mesmo, mas quando se tem um sonho, a gente vai até o fim, não é? Então arrasem, lutem e conquistem, mas sempre de cabeça erguida. 
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