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[ENTREVISTA] Március Moreall, autor de "O maquinário das nuvens"

Március Moreall | Acervo Pessoal | Divulgação

Március Moreall, 40 anos, ator profissional,escritor, estudante do curso de Letras, lançou em 2015 pela editora Multifoco seu primeiro livro de contos “O Maquinário das Nuvens” tendo boa receptividade do público. Fundador em 2002 do Grupo de Teatro Oficina das Artes, que preside até hoje. É também autor de três espetáculos do mesmo, apresentados em teatros de Brasília e região. Escreve desde 15 anos, mas somente em 2015 resolve publicar alguns de seus escritos. Morador da cidade de Ceilândia – DF, participa da vida cultural da cidade ministrando workshops de teatro e leitura dramática em parcerias com escolas públicas da região. 

1. Quando você percebeu que seu destino era se tornar um escritor?

Na continuidade da escrita, na teima de sempre encontar uma maneira de contar uma história, na luta diária contra a falta de inspiração. Percebi que era escritor quando passei a ignorar as piadas dos colegas que, na tentativa do bulling, chamavam-me de intelectual. 

2. De onde vem os personagens? São frutos de muita imaginação ou são baseados em pessoas reais?

Os personagens vivem em mim, ora da observação, ora da imaginação. Podem brotar de um refrão musical, de uma história ouvida,de uma frustração ou alegria.

3. Quais seus autores favoritos? Estes livros de alguma forma, influenciaram diretamente na sua escrita?

Clarice Lispector, Manuel Bandeira, Cecília Meirelles, Hermann Hesse, Franz Kafka, João Ubaldo Ribeiro, Charles bukowski, Nietzsche, Guimarães Rosa, entre outros. Aprendi com Cecília a beleza da musicalidade, já com Clarice a força da ilógica. A rebeldia de Nietzsche e Bukowski também me alimentam.

4. Já aconteceu de você conhecer alguém que leu sua obra, ou que estava lendo?

Sim, é estranho e gratificante, Você se torna íntimo de alguém que não conhece.

5. Atualmente uma das maiores dificuldades encontradas por autores é publicar o livro no formato físico, até mesmo pelos valores altíssimos cobrados por algumas editoras. Você encontrou alguma outra dificuldade para publicar ou desenvolver sua obra?

Para publicar não foi difícil, recebi rapidamente a resposta positiva de 4 editoras que trabalham sob demanda. Como não tinha experiência com o mercado editorial, topei de cara e lancei pela Multifoco.

6.  Você costuma recorrer á opiniões de terceiros durante o processo de escrita de um livro? Se sim, por que?

Às vezes. Acho interessante ouvir opiniões contrárias, encontrar o ponto onde todos somos iguais, pois há uma grandeza onde todos se encontram. Mas a palvra final é sempre minha, afinal, quem manda sou eu.

7.  Quanto tempo demorou até que seu livro estivesse finalmente finalizado?

Um ano.

8. Pretende escrever outros livros dentro do gênero do primeiro livro?

Sim, atualmente trabalho um romance, mas gosto muito de contos, portanto escreverei outros.

9. Qual o pior inimigo de um autor?

Não ler.

10. O que você faz quando uma ideia maravilhosa surge enquanto você está fora de casa e precisa registrar aquela ideia?

Registro de qualquer maneira. Já cheguei a pedir um pedaço de papel pra um mendigo.

11. Você acha que escrever enquanto se ouve uma trilha sonora de fundo, dá inspiração ou atrapalha?

No meu caso prefiro o silêncio. Até porque fico surdo quando escrevo. 

12.  De tudo o que você já escreveu, tem algo em especial que se orgulhe? Algum trecho, personagem ou terra?

Sim, geralmente histórias que, depois de prontas, tornam-se imcomprrensíveis pra mim, como o caso do conto A Menina. "Naquena noite, o fogo junino lutava com a tímida chuva do Centro-Oeste e a menina mascava um chiclete de horas e, intimamente, o clarão que lhe tomava ficava evidente à medida que seus pés trincados se aproximavam do parque instalado na praça. As moedas comprimidas em sua mão esquerda refletiam dias de mendicância para realizar todo sonho de menina pobre: ser outra." 

13. Como foi a recepção do seu público com relação à sua escrita? Você acha que se surgisse a oportunidade de vendê-lo para fora do país, a recepção seria mesma?

Foi boa a recepção, fiz amigos virtuais em vários estados, leitores. Classificaram minha escrita como realista/fantástica, com dose de poesia, concretismo, de estilo muito pessoal e profundo, fiquei grato. Creio que se trabalhada a divulgação e o público alvo, tenho plenas condições de ir adiante, romper barreiras.
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