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[ENTREVISTA] Philippe Alencar, autor de "O mestre das cordas"

Philippe Alencar | Facebook | Divulgação

Philippe Alencar é autor O Mestre das Cordas, obra de fantasia que mistura elementos musicais e fantásticos. Porto-alegrense e aficionado por música e literatura, o escritor desenvolveu seu primeiro livro durante seu intercâmbio em Dublin, onde também escreveu o conto Senhor Schuster, publicado na antologia "Pequenos Escritos, Sinistras Histórias" e a história curta O Acorde Vermelho, narrativa de drama que recebeu menção honrosa no concurso literário organizado pela ALACIB em 2016. Atualmente o autor tem projetos de roteiro para HQs e novos livros em andamento.

1. Quando você percebeu que seu destino era se tornar um escritor?

Na realidade, não é algo que eu tenha percebido ou encarado como destino. Eu simplesmente gosto muito de criar histórias. Escrevê-las em forma de prosa foi a maneira que eu consegui desenvolver para contá-la às outras pessoas.

2. De onde vem os personagens? São frutos de muita imaginação ou são baseados em pessoas reais?

Acho que os personagens surgem de uma mescla de fatores. Muitos personagens são criados totalmente do zero, da minha imaginação, mas é claro que mesmo esses são fruto de uma soma de várias influências (filmes, quadrinhos, pessoas com quem convivi etc.). Um exemplo interessante são alguns dos personagens do meu livro, O Mestre das Cordas, já que muitos deles foram inspirados em personagens de RPG interpretados por meus amigos em sessões que eu mestrei entre 2011 e 2014. Devo dizer que eu adoro criar personagens, é uma das partes mais divertidas do desenvolvimento de uma história ficcional.

3. Quais seus autores favoritos? Estes livros de alguma forma, influenciaram diretamente na sua escrita?

Vou cometer uma injustiça terrível agora, porque com certeza esquecerei muita gente. De qualquer modo, vamos tentar: Bernard Cornwell, Isaac Asimov, Mary Shelley, George R.R. Martin, Eduardo Spohr, Machado de Assis, Antonio Damásio, Ursula K. Le Guin, George Orwell, Stephen King, Leonel Caldela, Patrick Rufus, John Scalzi, Neil Gaiman, Alan Moore. Os livros deles com certeza influenciam na minha escrita, porque acabam servindo como referências. 

4. Já aconteceu de você conhecer alguém que leu sua obra, ou que estava lendo?

Sim, e é muito legal quando isso acontece. Adoro conversar com leitores que já leram ou estão lendo meus textos.

5. Atualmente uma das maiores dificuldades encontradas por autores é publicar o livro no formato físico, até mesmo pelos valores altíssimos cobrados por algumas editoras. Você encontrou alguma outra dificuldade para publicar ou desenvolver sua obra?

Sim, é difícil publicar. Muitas editoras cobram um valor muito alto do autor, mas não considero as editoras como vilãs na história. Editoras são empresas e precisam sobreviver, para isso precisam de lucro. O problema é algo muito maior do que isso, é algo que vem do contexto econômico e de vários aspectos sociais do Brasil. Uma parte da culpa também é dos autores, que não chegam a refinar seus textos com o afinco necessário. Mas, no resumo, sim: é difícil publicar. E também é muito difícil conseguir vender uma tiragem razoável de exemplares.

Bienal do Livro | Philippe Alencar | Acervo Pessoal | Divulgação

6. Você costuma recorrer á opiniões de terceiros durante o processo de escrita de um livro? Se sim, por que?

Sim, porque acho que isso ajuda a abrir a mente e enxergar as coisas sob outras perspectivas. Durante o processo de criação, o escritor fica com os olhos "viciados" com sua própria visão de mundo e até mesmo com sua maneira de escrever. Obter opiniões de terceiros pode ajudar a melhorar a obra em diversos aspectos, mas deve-se tomar cuidado para discernir os feedbacks e saber escolher quais são pertinentes.

7.  Quanto tempo demorou até que seu livro estivesse finalmente finalizado?

Foram 8 meses de escrita e mais alguns meses de revisão e reescrita. O tempo de pesquisa... bom, não sei dizer, o processo todo demorou 2 anos, mas isso porque não fiquei focado somente no livro, é claro. 

8. Pretende escrever outros livros dentro do gênero do primeiro livro?

Com certeza, só preciso encontrar um tempinho entre as atividades diárias e conseguir me disciplinar (ô... como se fosse fácil).

9. Qual o pior inimigo de um autor?

Ele mesmo, que procrastina, é indisciplinado e vive se convencendo de que as condições atuais não são as melhores para se criar e contar uma história. Eu mesmo passo por isso às vezes, infelizmente.

10. O que você faz quando uma ideia maravilhosa surge enquanto você está fora de casa e precisa registra-la?

Já perdi algumas ideias por causa disso, mas volta e meia elas voltam à cabeça e se transformam em outras coisas. Eu não costumo pegar um bloco de notas e anotar na rua, por exemplo, então, é... me ferrei algumas vezes.

11. Você acha que escrever enquanto se ouve uma trilha sonora de fundo, dá inspiração ou atrapalha?

Gosto de ouvir música para me inspirar e registrar ideias, sempre ajuda. Porém, no processo de escrita em prosa, prefiro silêncio.

Banner, "O mestre das cordas " | Divulgação

12.  De tudo o que você já escreveu, tem algo em especial que se orgulhe? Algum trecho, personagem ou terra?

Confesso que gosto muito do universo e da trama que criei em O Mestre das Cordas, assim como tenho um carinho especial por tudo que já escrevi. Eu me apego aos personagens, suas histórias, seus medos e seus sonhos. Mas não há nada em especial que eu queira destacar.

13. Como foi a recepção do seu público com relação à sua escrita? Você acha que se surgisse a oportunidade de vendê-lo para fora do país, a recepção seria mesma?

Eu fico muito feliz em saber que muita gente realmente gostou bastante da minha escrita e da maneira como eu narro histórias, mas também há quem tenha apontado algumas oportunidades de melhoria, o que é comum e importante para o autor, para que ele possa evoluir. Fora do país? Bom, eu adoraria ter minhas histórias traduzidas em outros idiomas e vendidas no exterior, mas realmente não faço ideia de como seria a recepção do público.

14. Como surgiu a ideia do enredo do primeiro livro que você escreveu?

Eu sempre quis juntar os temas Música e Magia em uma história, e o meu livro foi a oportunidade perfeita para fazer isso. Mas tudo começou com uma sessão de RPG que eu mestrei despretenciosamente a uns amigos em 2011. Sem aquela sessão, não sei se hoje O Mestre das Cordas existira.

Livros escritos pelo autor Philippe Alencar

15. Já teve medo de desenvolver um enredo em cima de alguma temática polemizada? Racismo, homofobia, aborto e etc?

Confesso que sim.

16. O que você diria para as pessoas que estão conhecendo tanto você quanto sua escrita somente agora?

Eu desejo a essas pessoas uma excelente leitura e peço para que deem uma chance para a literatura nacional. Peço, também, um feedback honesto e sem medos de retaliação. Isso ajuda muito o autor :)

17. O que as pessoas devem esperar de sua escrita?

O Mestre das Cordas tem uma escrita mais detalhista e com trechos bastante descritivos, pois é uma história longa que alterna sua estrutura para criar o climáx nos momentos certos, ao passo que meus contos são mais ágeis, justamente por serem curtos, então vai depender da percepção e do gosto pessoal de cada leitor. 

18. O que você diria para alguém que está iniciando a escrita do seu primeiro livro?

Apenas escreva. Ler é essencial, ter criatividade também, mas nunca se esqueça de que a escrita é uma prática, um exercício, e só se fica bom nisso se você treinar bastante. Escreva, sempre.

19. Onde podemos encontrar seus livros para compra? 

No site da editora Arwen você pode adquirir O Mestre das Cordas, ou falando diretamente comigo, pelo Facebook. Os contos em formato digital estão disponíveis na Amazon, e tenho também alguns textos de anos atrás publicados no Wattpad. Vou deixar os links no final da entrevista.

20. Qual a sua opinião sobre a literatura nacional nos dias de hoje? Acha que é bem divulgada pelos blogs literários e editoras?

Acho que os blogs são muito importantes na divulgação dos autores nacionais, principalmente para os que estão começando. Sem eles, com certeza os autores estreantes estariam em apuros maiores do que já estão. Esse tema é bastante complexo porque leva em conta muitos aspectos culturais e econômicos do nosso país. Constantemente vejo as pessaos discutindo sobre o assunto nas redes sociais, colocando a culpa em editoras, autores, blogueiros e até nos leitores. Infelizmente os jovens autores encaram muitas barreiras para conseguir publicar e vender suas obras, assim como as editoras obrigam-se a comercializar certos produtos única e exclusivamente com o intuíto de gerar caixa, uma vez que são empresas e precisam manter sua saúde financeira estável. Muito se fala da qualidade dos livros nacionais lançados atualmente, mas a gente esquece de uma coisa: produtos só são produzidos porque há uma demanda para eles. As editoras se adaptam aos gostos dos consumidores e leitores, não o contrário.

21. Se você pudesse dar um conselho para os seus amigos escritores por meio desta publicação, o que você diria a eles?

Não desista, por mais que essa ideia passe pela sua cabeça às vezes.

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