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[ENTREVISTA] Ricardo Tagliaferro, autor de "18 anos de solidão"

Ricardo Tagliaferro | Acervo Pessoal | Divulgação

Ricardo Tagliaferro nasceu em 1992 em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, amante de novos lugares e novas histórias, decidiu contar ao mundo o que seus olhos viam e o que sua mente imaginava. É graduado em Marketing e graduando em Gestão Empresarial, se especializou em produção editorial pela UNIL – Editora UNESP. Em outubro de 2014 estreou como escritor lançando seu primeiro romance intitulado “100 cartas de uma saudade” de forma totalmente independente, em março de 2015 assinou contrato com a editora Autografia para relançamento do mesmo, agora de forma oficial. Em 2016 lançou simultaneamente os livros “18 Anos de Solidão” que dá continuidade ao "100 cartas de uma saudade" e a coletânea de poesias feita em parceria com dois amigos intitulada "Depois das 11".

1. Quando você percebeu que seu destino era se tornar um escritor?

Na verdade, eu ainda não acredito que me tornei um escritor (risos). Eu apenas escrevi o que estava sentindo e de repente, me vi publicando meu primeiro livro em 2014.

2. De onde vem os personagens? São frutos de muita imaginação ou são baseados em pessoas reais?

Todos são baseados em pessoas reais que convivem comigo ou que já conheci um dia, mas altero algumas características para não cair em uma situação embaraçosa. (Não que eu fale mal delas, mas é que alguns acabam virando vilões)

3. Quais seus autores favoritos? Estes livros de alguma forma, influenciaram diretamente na sua escrita?

Gosto muito de literatura nacional, mas o meu preferido é "Eu sou o mensageiro" de Markus Suzak. Também podem se encaixar nessa lista "A casa das sete mulheres" da Letícia Wierzchowski, e "Eu receberia as piores notícias dos teus lindos lábios" de Marçal Aquino. Acredito que de alguma forma influenciaram sim, mas só o primeiro e o segundo citados, pois li o terceiro em um passado bem recente depois de meus dois romances já publicados.

4. Já aconteceu de você conhecer alguém que leu sua obra, ou que estava lendo?

Sim, disponibilizei o PDF para download e não criei grandes expectativas, um dia postei uma imagem da capa com os dizeres "meu primeiro filho" e uma moça logo se manifestou dizendo ter adorado a história e que não tinha ideia de que eu era o autor. Foi lindo, surreal e definitivamente um motivo mais que especial para que eu continuasse a escrever.

5. Atualmente uma das maiores dificuldades encontradas por autores é publicar o livro no formato físico, até mesmo pelos valores altíssimos cobrados por algumas editoras. Você encontrou alguma outra dificuldade para publicar ou desenvolver sua obra?

Sim! Dificuldade sempre haverá. No início não consegui nenhuma editora, então uma amiga se disponibilizou a financiar todo o projeto, depois das cópias esgotadas, uma editora do Rio de Janeiro se interessou e republicou, agora de forma oficial, em 2015. 

6.  Você costuma recorrer á opiniões de terceiros durante o processo de escrita de um livro? Se sim, por que?

Sim. Minhas betas são essenciais para que a história flua de forma coerente. Não sei o que faria sem as minhas mentoras. Elas me direcionam quando a história está perdendo o foco ou quando se torna maçante, além de colaborar com ideias acerca dos destinos das personagens e ainda colocam aquela "cereja do bolo" nos capítulos finais.

7.  Quanto tempo demorou até que seu livro estivesse finalmente finalizado?

O primeiro, "100 cartas de uma saudade", foi iniciado em 8 de abril de 2014 e finalizado em setembro do mesmo ano. O segundo, "18 anos de Solidão", foi iniciado em 01 de setembro de 2015 e concluído em 15 de dezembro do mesmo ano. Já o "Depois das 11" levou cerca de 2 meses para ser escrito, organizado e publicado. Lembrando que este último foi feito em parceria com os amigos Gabriel C.M e O. Monteiro.

8. Pretende escrever outros livros dentro do gênero do primeiro livro?

Sim, inclusive a história já está em andamento. Não consegui (até agora) escrever fantasia e estou me aprimorando em lugares reais com pessoas reais para mostrar através da realidade, os dramas vividos no dia-a-dia. Apesar de passear pelos caminhos da poesia.

9. Qual o pior inimigo de um autor?

O ego. Alguns autores acham que sua obra é a mais revolucionária do universo, mas o ego não deixa que a história seja lapidada da forma que tem que ser feita e a obra acaba ficado sem um "quê" a mais.

10. O que você faz quando uma ideia maravilhosa surge enquanto você está fora de casa e precisa registra-la?

Paro tudo que estou fazendo (alguns amigos até já se acostumaram), pego o celular ou um bloquinho e anoto a ideia, não costumo perder nada.

11. Você acha que escrever enquanto se ouve uma trilha sonora de fundo, dá inspiração ou atrapalha?

Ajuda e muito. A gente imerge na história como uma simbiose e acaba vivendo aquilo que escuta e transmitindo para as cenas que estamos escrevendo. Costumo ouvir músicas raivosas nas cenas de conflito, músicas doces para as partes mais fofinhas e onstrumental para pesar na carga de drama.

12.  De tudo o que você já escreveu, tem algo em especial que se orgulhe? Algum trecho, personagem ou terra?

Acho que me orgulho de quase tudo que fiz, da bela e trágica história de Lincoln e Manoella, das poesias e textos que escrevi nas madrugadas insone. Acho que não consigo definir exatamente o que me orgulha mais, mas escolhi essa frase: "Talvez amar seja mesmo isso: viver um futuro imaginário com pessoas impossíveis."

13. Como foi a recepção do seu público com relação à sua escrita? Você acha que se surgisse a oportunidade de vendê-lo para fora do país, a recepção seria mesma?

Ah, com base nas resenhas feitas pelos (queridos) blogueiros que destacaram que a minha escrita é simples, porém, contagiante, creio que fui bem aceito, tanto no primeiro, quanto no segundo quando foi salientado o meu visível amadurecimento no jeito de escrever. 

14. Como surgiu a ideia do enredo do primeiro livro que você escreveu?

Em uma conversa onde uma moça dizia a um amigo que a família iria interná-la em uma clínica psiquiátrica com o intuito de esquecê-la, o rapaz então disse que nunca a esqueceria, ela, incrédula dizia não acreditar devido aos meios de comunicação serem vetados no período do tratamento. O jovem insistiu em dizer que mandaria cartas, se necessário. Ela questionou: E se eu ficar 100 dias? Ao que o rapaz respondeu: Mando 100 cartas. Daí o título: 100 cartas de uma saudade. A história foi fluindo a medida que eu ia vivendo os dias e tendo uns sonhos estranhos. Deu no que deu.

15. Já teve medo de desenvolver um enredo em cima de alguma temática polemizada? Racismo, homofobia, aborto e etc?

Não. Nunca tive medo, mas também não me arrisco por não me sentir seguro ao falar de tais temas, visto que posso agradar uns ou o pior, desagradar todos. Mas não deixo de escrever sobre bullying e de diferenças em geral.

16. O que você diria para as pessoas que estão conhecendo tanto você quanto sua escrita somente agora?

Deixe-me te mostrar as histórias que tenho para contar. São tristes, mas talvez sejam o impulso necessário para te fazer refletir sobre as coisas do amor e da vida.

17. O que as pessoas devem esperar de sua escrita?

Drama. Essa é a palavra-chave (risos). Uso uma grande dose de drama em tudo que faço porque quero fazer as pessoas sentirem as dores das personagens, quero fazê-las ser parte da história também. Reflexão também é uma palavra que me norteia. Tento mostrar através das histórias que as vezes a vida só nos pede uma chance de arrumar ou bagunçar tudo, e que não devemos impedi-la. É preciso ter coragem para abandonar tudo, mas é preciso ter o dobro dela para não largar. Acho que é isso.

18. O que você diria para alguém que está iniciando a escrita do seu primeiro livro?

Não se apresse. Faça tudo em seu tempo porque tudo que é feito às pressas acaba decepcionando. Ouça os experientes. Eles chegaram lá de alguma forma e com alguma fórmula, se funcionou com eles, poderá funcionar com você também. Ignore o ego. É difícil aceitar, mas seu primeiro livro dificilmente será um sucesso logo de cara, é preciso saber lidar com isso, do contrário, sua carreira terá um trágico e mórbido antes mesmo de ter um começo majestoso.

19. Onde podemos encontrar seus livros para compra? 

100 Cartas de uma Saudade:


18 Anos de solidão


Depois das 11


20. Qual a sua opinião sobre a literatura nacional nos dias de hoje? Acha que é bem divulgada pelos blogs literários e editoras?

Acho bem bacana, visto que temos muitos blogs como o Catraca Seletiva que prioriza autores nacionais. Acho que o que falta é um pouco de empatia de alguns leitores que ainda escolhem o internacional de um autor famoso ao nacional do colega de classe. Mas temos grandes autores e obras fantásticas que competem (e ganham) facilmente de autores internacionais. Os blogs são um dos principais meios de divulgação dos autores nacionais, ou como diriam os mais velhos: “Uma mão na roda”. As novas editoras também estão fazendo seu papel buscando novos talentos aqui dentro do nosso país através de antologias e oportunidades. 

21. Se você pudesse dar um conselho para os seus amigos escritores por meio desta publicação, o que você diria a eles?

Respeitem uns aos outros. Não somos concorrentes. Somos AMIGOS. Esse é o principal pilar para levar a literatura nacional para o lugar que ela realmente merece.

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