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    terça-feira, maio 30, 2017

    [ENTREVISTA] Stefani Paludo, autora de "Filhos da Liberdade"

    Stefani Paludo | Acervo Pessoal | Divulgação

    Stéfani é uma jovem escritora gaúcha que além de tudo é leitora, estudante de arquitetura e apaixonada por todas as artes em geral. Descobriu desde pequena o amor pelos livros e desde o início da adolescência o amor pela escrita. Possui algumas histórias postadas em plataformas onlines como Wattpad (entre elas "A Missão" e "Faz de Conta") e pretende prosseguir escrevendo sempre mais, não só como um hobby, mas como uma maneira de aliviar-se, descarregando pensamentos e reinventando a realidade. 

    1. Quando você percebeu que seu destino era se tornar um escritor?

    Não sei exatamente. O ato de escrever e criar histórias sempre fez parte de mim, desde a infância. Mas foi nos últimos anos, principalmente no último, que comecei a levar isso mais a sério, estudar escrita criativa de forma independente e ver que escrever é o que gosto e o que pretendo fazer pelo resto da minha vida. Tenho consciência de que no Brasil não é fácil ser um autor e que precisarei ter uma segunda profissão, mas, ainda assim, estou disposta a prosseguir escrevendo e conquistando um público, em paralelo com meus estudos para me tornar uma arquiteta. 

    2. De onde vem os personagens? São frutos de muita imaginação ou são baseados em pessoas reais?

    Todos são frutos da minha imaginação ou no máximo de sugestões de outras pessoas. Não consigo criar personagens que tenham como base pessoas reais que eu conheço. Não posso decidir a vida deles assim. É mais fácil sendo tudo criação minha. 

    3. Quais seus autores favoritos? Estes livros de alguma forma, influenciaram diretamente na sua escrita?

    Eu amo o Érico Veríssimo e a forma como ele escreve, os poemas do Mario Quintana e uma autora internacional não tão conhecida chamada Richelle Mead. Ela tem os melhores personagens que já li e sempre dá as melhores reviravoltas em suas tramas. Admiro bastante também, o jeito que o Stephen King escreve, sempre com uma linguagem fácil, uma narrativa simples, mas que faz o leitor imergir completamente no texto e se sentir na pele do personagem.  Sobre ter influenciado minha escrita, acho que todos os livros que li, inclusive os que não gostei, formaram o meu estilo e me ajudam a compor enredos e personagens. Mas especificamente falando, a trilogia "O tempo e o vento" do Érico talvez tenha me influenciado muito no sentido de eu gostar de transmitir ensinamentos em minhas histórias. Praticamente todas elas trazem uma reflexão, um fato histórico que ocorreu ou uma crítica social. 

    4. Já aconteceu de você conhecer alguém que leu seu conto, ou que estava lendo?

    Não. Mas de fazer amizade com os meus leitores acontece sempre. Gosto muito de manter uma relação boa com eles, tanto que tenho grupos para interação e conversa. 

    5. Você encontrou alguma dificuldade em escrever seu livro no wattpad? Muitas pessoas escrevem receosas de serem rejeitadas por alguma editora futuramente. Você já passou por isso?

    Dificuldades e receios todo mundo tem. É bem normal. Tive tantos que nem me lembro mais de todos. Cada história traz obstáculos novos e é papel do escritor vencê-los da melhor forma. Por exemplo, nunca tinha escrito um conto histórico e resolvi começar sobre um tema com pouco material de pesquisa (a vanguarda de escravos negros na Guerra dos Farrapos), foi um desafio para mim juntar informações e organizá-las para encaixar um personagem fictício em um acontecimento real. Mas no fim deu certo. Também fiquei com muito receio que interpretassem mal minha história "A Missão" e achassem que eu sou a favor da volta do Regime Militar. Porque a história trata de personagens militares que criam um plano secreto para tirar um governo corrupto do poder e implantar uma nova forma de governar (a democracia, no caso). Também, mais recentemente, escrevi um conto bem polêmico que trata sobre feminismo, machismo, femismo, relações homo e heterossexuais, direito à liberdade, entre outras coisas. O conto aborda uma sociedade futurística onde as mulheres se tornaram uma classe superior e que as relações heterossexuais são as vistas como estranhas. Minha intenção era justamente criticar e refletir sobre a igualdade de gênero e o preconceito nas suas mais variadas formas, mas ainda assim tenho consciência que algumas pessoas podem interpretar mal.  Sobre as editoras, enviei uma das minhas histórias para várias delas, mas nunca recebi uma resposta negativa. Algumas simplesmente não me responderam (o que encaro como rejeição), mas muitas me ofereceram uma proposta, porém essa questão não é tão simples, vários fatores estão envolvidos e acabei não fechando com nenhuma ainda. 


    6.  Você costuma recorrer á opiniões de terceiros durante o processo de escrita? Se sim, por que?

    Sim. Principalmente da minha irmã e de alguns amigos escritores. Às vezes não estou muito certa de como a história está ficando, se tudo está compreensível, se não esqueci nada, ou mesmo preciso de opinião sincera sobre algo. E aí preciso da opinião de outro. Nem sempre o autor julga adequadamente seu próprio texto. 

    7.Você já possui algum conto finalizado? Quanto tempo demorou-o para finaliza-lo?

    Tenho 4. A maioria dos contos são pequenos, não passando de 5 mil palavras, portanto não demorei mais de uma semana para escrever. O maior problema dos contos é ter a ideia e saber como desenvolvê-la. Depois que se decide isso, escrever é rápido. 

    8. Considerando o primeiro conto/história que você escreveu: Você tem planos de escrever outro na mesma linha de raciocínio (mesmo gênero)?

    Se considerar a primeira história sim. Como eu disse, adoro fazer críticas sociais e distopia é um gênero que me agrada muito. Já tenho planos para uma nova história nesse gênero, que inclusive é um conto já feito que pretendo expandir. 

    9. Qual o pior inimigo de um autor no Wattpad nos dias atuais?

    O tempo. Um escritor não pode se dedicar apenas a escrever e revisar suas histórias. Muitas vezes ele precisa fazer as capas, e principalmente divulgar. Divulgar é o que leva mais tempo. Só postar no wattpad não adianta, ninguém vai ler. É necessário criar quotes de divulgação e usar a criatividade para conseguir leitores. Também fazer amizade com outros escritores e ter tempo para ler as obras deles ajuda bastante a aumentar os números. Mas para tudo isso é necessário tempo e sabemos que ele está cada vez mais escasso na nossa sociedade. 

    10. O que você faz quando uma ideia maravilhosa surge enquanto você está fora de casa e precisa registrar aquela ideia?

    Anoto no bloco de notas do celular e fico pensando nela o resto do dia. 

    11. Você acha que escrever enquanto se ouve uma trilha sonora de fundo, dá inspiração ou atrapalha?

    Comigo depende. Têm dias que me inspira, principalmente quando vou escrever uma cena específica (de amor ou dramática, por exemplo) coloco uma música que me leve ao estado emocional que preciso e me sinto na pele do personagem. Porém, às vezes, o silêncio é o melhor companheiro e um som de fundo só atrapalha o fluxo de pensamentos.

    12.  De tudo o que você já escreveu, tem algo em especial que se orgulhe? Algum trecho, personagem ou terra?

    Eu amo cada uma das minhas obras de um jeito diferente. "A Missão" é meu orgulho porque foi a primeira história, levou anos de reescrita e escrita e contém críticas cada vez mais atuais para a situação do país. Em "Faz de Conta" eu sou apaixonada pelos protagonistas (que são uns fofos) e a narração das cenas românticas entre eles. "Filhos da Liberdade" me orgulha por ser um conto histórico que retrata uma situação real e que não é lembrada nas aulas de história, "Andrew Duncan - Contos" tem o personagem mais carismático e engraçado de todos, vivendo as mais inimagináveis aventuras e por último "A Liberdade que Limita" me deixa feliz por ter pensado em uma premissa tão boa e por ter criado uma crítica diferente das normais. 

    13. Como foi a recepção do seu público com relação à sua escrita? 

    Sempre foi bom. Tenho os melhores leitores do mundo que me acompanham sempre, comentam e gostam de cada texto que escrevo. 

    14. Você acompanha contos e histórias escritos por outros usuários da plataforma? Se sim, quais você indicaria para que nossos leitores viessem a conhecer?

    Tenho uma lista enorme! Vou citar apenas os contos pra facilitar. Os principais são: "O que posso aprender com Dona Enilda" do José Falero (esse conto é de um amigo e inspirou em uma das minhas narrativas); "O Último Homem de Palavra" do Luiz Antonio Ribeiro; "O ponto em que ela desce" do Gabriel Jakutis; "Quem é Helen Books" do Delson Neto e também "No Batuque do Coração" da Gabriella de Jesus Moreira. Mas tenho outros em uma lista no wattpad, se quiserem procurar tá no meu perfil: @stefanippaludo

    15. Se você pudesse deixar uma mensagem motivacional para nossos leitores e para todos aqueles que estão conhecendo sua escrita agora. O que você diria?

    Não desistam de seus sonhos e sempre acreditem que são capazes! Nem tudo é fácil como parece, para se obter sucesso e conquistar o que se quer é necessário muito estudo, prática e força de vontade. Um escritor, não faz sucesso e alcança leitores da noite pro dia, ele tem que trabalhar duro por um tempo até alcançar seu objetivo. E também não façam as coisas apenas por fama, vejo muitos se importando com números e popularidade. Não foquem nisso. Se concentrem em fazer o que gostam e se realizar. O que vier além disso é lucro. 

    16. Obrigado imensamente por me permitir conhecer um pouco mais do seu trabalho. Espero realmente que você consiga realizar todas as suas metas com a escrita e que consiga fluir bem no mercado editorial brasileiro. Sucessos! 

    Eu que agradeço a oportunidade. Adorei responder as perguntas e até mesmo refletir mais sobre o meu trabalho. Sucesso para você também!