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[ENTREVISTA] Clayton Camargo, autor de "Domínio"

Clayton Camargo, autor do conto "Domínio" | Acervo Pessoal | Divulgação

Clayton de Jesus Camargo é solteiro, tem 31 anos e ativista LGBT na área artística. Mora em Nova Odessa, cidade do interior de Campinas-sp. Publica livros na plataforma do Wattpad a 2 anos, vindo se tornar um dos poucos autores LGBT mais lido do Brasil, somando mais de 4 milhões de leituras de todos seus trabalhos. Atua em projetos culturais na sua cidade. Filiado ao partido do PSB e já tem um livro publicado que conscientiza as crianças a não usarem cerol nas linhas de pipas, o qual foi distribuído 800 cópias de seu livro: A Viagem da Pipa Fênix – Conscientização Contra o Cerol em escolas municipais da cidade de forma gratuita com o patrocínio e a parceria do Rotary Club.

1.        Primeiramente apresente-nos um pouco de seu conto "Domínio".



Domínio é um romance juvenil, que aborda muitos fatores, como por exemplo, a amizade, coragem, preconceito e aceitação. É um romance que mescla de tudo um pouco junto, mistério, suspense, humor e drama. Conta à história de Breno, nosso adolescente de 16 anos que está sofrendo perseguição na escola por Denis e sua gangue, mas ele prefere suportar as provocações e humilhações a dar queixa deles, acreditando que um dia eles o deixaram em paz. O que não acontece, e a cada dia piora a sua situação. Sem poder contar com a ajuda dos pais, um casal cristão tradicional ele se vê de repente participando de um sorteio e qual sua surpresa é quando descobre que ganhou o prêmio, que mais tarde se transformaria no passaporte para que viesse conhecer Maycon, um dos jovens mais ricos do Brasil, onde iniciará uma amizade cheia de altos e baixos, e uma mudança radical em toda sua vida. Poderia um garoto de dezesseis anos despertar sentimentos intensos e conturbados em um homem extremamente frio, arrogante e temido por todos? É aí que a aventura começa.

2.        Seu personagem Maycon é alguém que está descobrindo-se. Sempre achou que tivesse o domínio de todos ao seu redor e de sua vida, até questionar-se sobre sua sexualidade. Esta duvida do personagem é o responsável pelo nome da história? O título veio antes ou depois da escrita do livro?


Sim e não, Domínio se trata dos sentimentos que Maycon tenta a todo custo dominar dentro do seu interior, que ao longo da trama vai resistindo o que ele acha ser impossível: Sentir interessado por outro alguém, além de si mesmo. E também Domínio seria o que Breno sentia de verdade ao se ver envolvido com Maycon. O título apareceu depois da metade da história concluída, até então a história bizarramente se chamava: Jovens da Academia. (Por céus, ainda bem que eu mudei).

3.        Por que optou em escrever um romance gay que inicia entre duas pessoas que encontram-se indecisas com relação à sua sexualidade? Não seria mais fácil construir uma história onde ambos fossem bem resolvidos com sua sexualidade? por que optou por este caminho?


Sou movido a desafio. Escrever um romance onde teria um adolescente e um cara mais velho contracenando diversas e hilárias situações me pareceu na época algo muito tentador a se fazer. Queria explorar minha capacidade literária e criar um livro onde o leitor que fosse lê-lo pudesse se identificar, e vesse em Breno um pouco de si, e buscasse na história uma orientação para sua vida. Acho que sou meio que psicólogo amador e uso dos meus personagens para alcançar os anseios e desejos mais profundos dos meus leitores.
Escrever é tudo de bom, queria conquistar o público LGBT com meus livros um tanto “amalucados” e acho que está dando certo. 

4.        Qual a principal mensagem que você quis passar no desenvolver de sua história?


Hum difícil... o livro aborda muito a homofobia vivida por Breno ao decorrer da trama. Ele vê como é difícil para a sociedade aceitar ou pelo menos souber tolerar o direito do outro viver a sua vida como quiser. Domínio mostra muito esse lado sombrio na vida dos jovens LGBT. Mas também mostra o sonho de Breno ser feliz, ao se aceitar como ele é, enfrentando sua família cristã e muito conservadora. Creio que a mensagem final que eu quis passar foi: Seja que você é e seja feliz.

5.        Como foi a recepção do público com relação à história? Superou suas expectativas?


O público adorou, pelo menos é o que sempre vejo nos comentários de cada capítulo postado. Claro que tiveram os que não gostaram de uma coisa e outra, mas isso faz parte. O legal que o Wattpad permite você ver e acompanhar o engajamento dos seus leitores entorno daquilo que está criando, por exemplo, jamais em minha vida acreditava que meu livro seria lido por leitores de mais de 40 países diferente! Domínio não só estava sendo lido em terras nacionais, e isso foi fantástico, superou minhas expectativas e muito.

6.        Quanto tempo demorou até que concluísse toda a escrita de seu livro?


Um pouco mais de um ano. Foram 33 capítulos longos e intensos, e também devo confessar que tenho um costume muito ruim de começar empolgado uma obra e depois desanimar, deixando-a um tempo de lado  e começando outra. Quando vou ver já estou com dezenas de obras começadas e nenhuma terminada. Mas graças ao sucesso que Domínio fazia na plataforma, isso me deu incentivo para pegar firme e concluir a obra, pois sabia que aquele livro não podia deixar parado e custe o que custasse eu tinha que finalizá-lo.

7.        Já se deparou com algum comentário homofóbico?


Olha está aí uma coisa que sinceramente não sei dizer. Quero dizer, eu até hoje não vi nenhum comentário ou mensagem homofóbica em relação ao livro, talvez até tenha tido em algum capítulo publicado, mas eu ainda não tive conhecimento. Acredito que se tivesse os meus leitores dariam conta do recado e colocaria o homofóbico no seu devido lugar. Pois somos unidos.

8.        Qual foi sua maior fonte de inspiração para desenvolvimento do enredo?


Todo leitor já me perguntou isso. E a resposta sempre é a mesma, difícil e confusa. Acho que a gente se inspira em tudo que nos cercam, desde um acontecimento com você, de algo inusitado, ou que poderia ser inusitado mais foi simples e você acaba pensando como poderia ter sido, e assim cria ideias... o que acontece comigo muitas vezes. Me vejo no lugar das pessoas e vivendo tais situações de um jeito diferente, e aí começo a escrever, e a história vai ganhando vida. As vezes a inspiração se dá ao assistir um lindo filme, uma cena marcante de uma novela ou aquele final de um livro que você sabe que podia ter sido melhor.

9.        Você acha que as dificuldades encontradas pelos autores de romance heterossexuais são as mesmas que as de um autor LGBT?


Pergunta difícil essa hem? Nossa estou agora entre a cruz e a espada. Espero que minha resposta não seja interpretada com maus olhos, longe de mim querer ser injusto com a classe heterossexual que amo e admiro tanto. Mas eu acredito que em partes os autores heterossexuais tem o campo mais aberto, e mais apoio dentro da sociedade. Existem muito que torcem o nariz quando olha e vê um romance tratando de um tema gay, pois estão criados num sistema de que a homossexualidade é algo ruim e proibido. Isso acaba de alguma forma prejudicando nosso trabalho? Eu acredito que sim, e os romances heterossexuais que já são visto como normais, vai continuar se sobressaindo sempre, onde quer que ele esteja. Mas eu sou otimista, e vejo isso mudar a cada dia que passa, a literatura LGBT está crescendo e seu público se manifestando, e graças a plataforma como o Wattpad todos tem o mesmo direito, heteros e gays, há espaço para todos diante do sol.

10.   Desde sempre o intuito era publicar "domínio" no wattpad, ou foi uma forma de rascunho para uma futura publicação através de alguma editora no formato físico?


Não, eu já tinha Domínio dois anos antes de conhecer a plataforma do Wattpad, mas sonhava um dia poder publicá-lo, quer fosse numa editora ou num site online, pois meu objetivo era ser lido e usaria todas as ferramentas possíveis para isso. Depois que conheci o Wattpad coloquei esse sonho em ação e deu certo. Agora o que vier será bem-vindo.

11.   Como você acha que as pessoas recebem a literatura homoafetiva nos dias de hoje?


Eu só posso dizer o seguinte, se o seu livro for destinado ao público certo, ele terá seu êxito e sucesso, do contrário seria a mesma coisa de um judeu tentar converter um mulçumano ao judaísmo. Pode até conseguir, mas vai dar trabalho.
As pessoas que não são gays devem só ter em mente o seguinte quando estiver em mãos uma obra LGBT: Não vou virar gay se eu ler um romance gay.
Se ela conseguir se convencer disso, ela vai se divertir e ver as obras LGBT com bons olhos, e vai virar fã de carteirinha. 

12.   Como você classificaria o trabalho dos blogueiros na divulgação das obras literárias nos dias de hoje? Você acha que a visibilidade do autor através do blogueiros influencia no crescimento de alguma forma?


Se eu não fosse escritor seria um blogueiro! Admiro demais as pessoas que tiram do seu tempo precioso algum momento para dedicar a divulgar um trabalho alheio, é algo que para mim não terá preço nunca, e fico imensamente feliz que isso aconteça. Sem vocês blogueiros muitos leitores não conheceriam os livros que vão de alguma forma ou outra ajuda-lo a passar por suas crises emocionais, ou fazer parte de seu lazer.
A missão do blogueiro é divulgar um trabalho e outro, e tem muita chance de ajudar que novos leitores conheçam a obra do autor. Agora se os leitores vão gostar é outra coisa, os blogueiros estão absolvidos de qualquer culpa . Só tenho a agradecer muito o trabalho lindo e precioso que você e seus amigos fazem, são grandes parceiros nossos.

LEIA "DOMÍNIO" gratuitamente no Wattpad: https://www.wattpad.com/story/29776453-dom%C3%ADnio-romance-gay

Maycon é um jovem de 28 anos, grego e radicado no Brasil desde os 15 anos e mora em São José dos Campos, virou presidente-executivo de sua própria empresa, que gera milhões para seus sócios, mas o jovem grego não é flor que se cheire, arrogante, orgulhoso e temido por muitos, essas são algumas de suas "qualidades", mas o seu maior defeito foi achar que estava sob o domínio de todas as coisas e de todos a sua volta, mas descobrirá que nem tudo na vida pode dominar, principalmente seus próprios sentimentos... O que ele viu em Breno, aquele adolescente de 16 anos, de 1.66, magricela, frágil, de classe média baixa mas com um radiante sorriso e um jeito delicado de um pequeno príncipe, que aos poucos vai virando seu mundo de ponta cabeça?
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