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    terça-feira, maio 23, 2017

    [RESENHA #131] Grana Torpe, Felipe Frasi

    ISBN-13: 9788568925416
    ISBN-10: 8568925413
    Ano: 2017 / Páginas: 114
    Idioma: português 
    Editora: Ler Editorial

    Uma obra que explora a realidade de forma nua e crua. O tema central abre caminho para um retrato das interações sociais em uma sociedade cada vez mais individualista e consumista. Os 15 contos apresentados abordam questões polêmicas, sem pretensão de que sejam respondidas, apenas refletidas e discutidas.
    Antes de iniciarmos à analise deste incrível livro, vamos deixar claro o significado de seu título para uma melhor compreensão acerca acerca dos detalhes aqui mencionados. O termo "torpe" utilizado para compor o título, refere-se a "decadência moral" ou "aquilo que fere os bons costumes", ou seja, o título do livro é poderia ser " A grana que trás a decadência moral" ou "A grana que fere os bons costumes".

    Felipe Frasi e seu dom irrevogável em criar questões e impor reflexões acerca de nossa existência humana. Frasi é graduado em Geografia pela UFRJ e pós-graduado em Artes cênicas, porém, proporciona-nos em grana torpe a reflexão do século XXI: O lado impactante do dinheiro sobre o sujeito como um todo e sobre a sociedade.

    Em quinze contos muito bem elaborados, Felipe Frasi faz-nos navegar entre reflexões acerca da importância do dinheiro na contemporaneidade. Em uma sociedade capitalista, onde cria-se cada vez mais obra-prima, cria-se também a necessidade da mão de obra e subsequentemente a alienação do trabalhador e a valorização exacerbada do sujeito com relação ao salário. Compras indevidas mascaradas por empresas relativamente muito bem preparadas para ludibriar uma necessidade que não existe com relação ao consumo da matéria dentro do estado capitalista. 

    O consumo desmedido e exacerbado por parte do sujeito em uma sociedade cuja mãe é a tecnologia e revolução industrial, faz-nos passar desapercebidos como meros instrumentos de uma revolução infundada dentro de uma ideologia onde a ideia central é o poder monetário, a criação de mão de obra e a "necessidade" tão plausível e próxima da realidade de propagandas e marketings elaborados para um publico que acredita que por um motivo ou outro, acredita cegamente naquilo o que vê, não por ter ciência, mas por acreditar que o capital adquirido pelo trabalho que torna-os alienável muita das vezes, lhe dá o poder de investir na matéria produzida por outrem.

    Os contos também permeiam entre a venda da mão de obra e das pessoas na sociedade sobre os interesses, onde o poder monetário rege e coordena as direções em que o vento irá soprar. Frasi ainda enfatiza a necessidade de conhecermos o poder monetário e a alienação à qual estamos sujeitos se não detivermos conosco a consciência do que estamos enfrentando, ou melhor, vivenciando.

    O livro é inteiramente reflexivo, desde o prefácio até o ultimo conto intitulado "Dona Augusta". — Há duas tragédias na vida: Uma a de não satisfazermos nossos desejos, a outra, a de o satisfazermos".

    Um livro rico em detalhes. Nota-se um empenho na criação de cenários e situações propícias e adequadas para enfatizar a mensagem central do livro com relação ao cenário que temos deixado o dinheiro tomar conta em nossas vidas e sobretudo, senhor de nosso tempo.

    Altamente indicado para todo e qualquer leitor que por um motivo ou outro necessita encontrar um sentido verdadeiro na vida além do materialismo, do dinheiro, da ganância e sobretudo, do que se pode adquirir ou conquistar com ele, afinal, há severas consequências. 

    SOBRE O AUTOR

    Felipe Frasi graduou-se em Geografia pela UFRJ e fez pós-graduação em Artes Cênicas. É autor e diretor de peças teatrais e estreou seu primeiro texto, "Os opostos se traem", em outubro de 2011, no Rio de Janeiro. Felipe também cursou Roteiro e Direção para cinema na New York Film Academy, em Nova Iorque.