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    terça-feira, maio 23, 2017

    [RESENHA #130] Arquivos do mal-estar e da resistência, Joel Birman

    Acervo Pessoal | Divulgação

    Arquivos do mal-estar  da resistência. BIRMAN, Joel. São Paulo, Civilização Brasileira, 2017. 418p. ISB 978-852-000-737-2 / R$ 44,90

    Em 'Arquivos do mal-estar e da resistência', o autor aborda questões como a compulsão por drogas e comida, a disseminação dos estados de pânico e depressão, e o desalento, categoria que ele utiliza para explicar a condição do sujeito da pós-modernidade, em substituição ao desamparo, característica da modernidade. Violência e barbárie também estão em debate, e não poderiam deixar de estar presentes numa discussão na qual o que se pretende é encontrar quais contribuições a psicanálise tem a dar no enfrentamento dos principais problemas da atualidade. Tudo isso serve como cenário para o debate sobre a crise da psicanálise que, explica o autor, realiza uma espécie de autocrítica de todas as ortodoxias que marcaram a sua história. Os 16 textos que compõem este livro têm como ponto de partida a idéia de que as diversas formas contemporâneas de sofrimento guardam forte relação com as profundas transformações impostas pela pós-modernidade. O mal-estar da pós-modernidade, uma relação direta com o célebre texto freudiano sobre o mal-estar da civilização. Com os artigos, o autor apresenta-se como um importante pensador das questões e das transformações da atualidade, impactadas por mudanças vertiginosas, em velocidade ainda maior. Este livro expõe a discussão sobre os elementos da crise contemporânea - o esfacelamento da perspectiva de futuro, os vínculos sociais e afetivos frágeis, a hipervalorização do consumo, a fragmentação do sujeito e as conseqüências da responsabilidade absoluta pela gestão da própria vida.


    Acervo Pessoal | Divulgação
    Joel Birman é psiquiatra, psicoterapeuta e doutor em filosofia. Nascido em Vitória (ES), Birman é autor de diversos livros. Em Arquivos do mal-estar e da resistência, o autor apresenta-nos em dezesseis textos uma série de problemáticas e suas respectivas causas. A maior delas — presente em quase todos os textos — é a ausência de amparo com aqueles que buscam uma ajuda para superar problemas com drogas, depressão, pânico e até mesmo bulimia.  

    Uma obra que nos remete às inquietações presentes nas problemáticas sociais encontradas pela maioria como forma de esconder-se ou alentar-se contra a ausência do companheirismo, ou até mesmo de apoio. Em "Arquivos do mal-estar e da resistência", iremos encontrar uma série de fatores que podem ser facilmente utilizados como objeto de estudo. Eis um emaranhado de questões que se ligam de forma visceral e transitam entre passado e presente da contemporaneidade. Repleto de temas com os quais estamos familiarizadamente problematizados, estes por sua vez, são representados na forma e conceito direto no título como "Arquivos".

    O livro propõe-nos um debate acerca dos temas apresentados na forma de problemáticas que podem mostrar a possibilidade de nossa ação frente à fatos e problemáticas por meio da existência da resistência do sujeito. Cabe-nos ressaltar que ao reconhecermos que somos de fato seres que resistem fortemente as problemáticas, seja por costume, por familiarização ou simplesmente por não conseguir abandonar determinados hábitos.

    A obra é composta por três partes distintas, sendo elas: Da servidão à fraternidade, poder e subjetivação e desejo e resistência. As partes obviamente de uma forma ou de outra se completam e se cruzam de forma magistral pelos capítulos que as compõe. Aqui iremos compreender o conceito da servidão como sendo voluntária e involuntária e seus respectivos efeitos sob a sociedade e o individuo. Pode-se notar a perplexidade e a complexabilidade com a qual os horrores da contemporaneidade são apresentados sob o mal-estar da sociedade atual. 

    A segunda parte da obra nos atenta para o mal-estar contemporâneo que nos cerca, melhor dizendo, como que os diversos mal-estares desta década exigem de nós, resistência. 

    A terceira parte do livro trata diretamente do desejo da resistência do sujeito. O autor apresenta-nos a resistência como tática estratégica e metapsicológica para adentramos nas problemáticas. 


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    COMENTÁRIOS PESSOAIS

    Acervo Pessoal | Divulgação
    Esta é uma de outras diversas obras onde Birman nos presenteia com seu intelecto genial sem fim, onde poderemos desfrutar de um arquivo de mal-estares que acomete diariamente nossa contemporaneidade. Sentir-se desconcertado ao deparar-se com esta obra, e principalmente ao lê-la é apenas o início de uma série de fatores que poderão incomodar o leitor que atentara-se aos mal-estares que a vida adentra na vida social.

    Psicanalista, Joel Birman apresenta-nos uma narrativa distribuída em dezesseis textos, que procuram explicar as problemáticas sociais do mundo pós-moderno, e como a psicanálise pode ajudar a compreender, entender e ajudar estes indivíduos acometidos por sérios problemas de reintegração social e a estabilização comportamental. Sabendo que a psicanálise é um sistema teórico sobre vivência e comportamento humano, Joel propõe-nos um debate, onde o centro é o mundo contemporâneo, e a ausência amparo social.