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[RESENHA #125] Cenas Londrinhas, Virginia Woolf



ISBN-13: 9788503013123
ISBN-10: 8503013126

Ano: 2017 / Páginas: 96

Idioma: português 

Editora: José Olympio


Um retrato da década de 1930 em Londres — e uma aula sobre como explorar a consciência da modernidade. Cenas londrinas compila seis crônicas nas quais Virginia Woolf confirma sua paixão por sua cidade natal. Virginia faz um retrato da década de 1930 ao observar o encanto da moderna Londres. Ao se deslocar para a perspectiva tanto de grandes homens quanto de cidadãos comuns, a autora oferece uma visão original, clara e atraente do movimento orgânico das ruas. Inicialmente publicado com cinco narrativas – produzidas entre 1931 e 1932 –, a este volume se soma a crônica descoberta na biblioteca da Universidade de Sussex, em 2005. É como se Virginia estivesse conduzindo o leitor por um passeio, começa nas docas de Londres, depois migra para o tumultuado comércio ambulante da Oxford Street, prossegue com um curioso giro por endereços de grandes homens – em busca de escritores ilustres. Há a contemplação das catedrais de St. Paul e de Westminster, e a visita à casa de Keats, em Hampstead. Por fim, o olhar se fixa na figura típica da mulher de classe média inglesa, para Ivo Barroso, “a visão de um microcosmo representativo de toda uma nacionalidade”.



Acervo Pessoal | Divulgação

Respirando a maresia soprada pelo vento, nada pode ser mais estimulante do que observar os navios subindo a Tâmisa.

Cenas Londrinas é um conjunto de ensaios de Virginia Woolf publicados originalmente na revista Good Housekeeping nos anos de 1931 e 1932. No Brasil, o livro foi publicado pela José Olympio Editora, como integrante da coleção Sabor Literário, que contou com títulos de Antonio Calado, Nathaniel Hawthorne, Ferreira Gullar, dentre outros. Os ensaios de Woolf contam com a apresentação do poeta Ivo Barroso.

Virginia Woolf é geralmente lembrada por sua ambiguidade sexual. (Virginia) casou-se com Leonard Sidney Woolf, porém, durante o tempo vigente de seu casamento, Virginia conheceu a aristocrata bissexual Victória Sackville-Weste, ao qual também era casada com um homossexual. À ela Virginia decidou seu romance "Orlando". 

Assim como em "Orlando, uma biografia", poderemos analisar a visão minuciosa da autora ao passear por sua terra natal, em uma narrativa leve e objetiva, convida-nos à experimentar as emoções impostas na simplicidade imposta pela vida. Em cenas muito bem elaboradas, redigidas e apresentadas, poderemos desfrutar de toda grandiosidade dos homens da época, dos altos prédios, docas, navios e de sua paixão interminável pelas ruas de Londres.


Acervo Pessoal | Divulgação


Em seis cenas — ou contos/narrativas — Virginia convergem uma série de fatores descritivos sobre Londres, que permeia entre olhares distintos de um conto à outro, como se fosse um olhar bipolar acerca da monopolização de empresas e pessoas nas quais aparecem brevemente em narrativas como cenas, partes íntegras de uma paisagem admirada e observada por Virginia.

As margens do rio estão crivadas de encardidos armazéns de aparência decrépita, amontoados numa terra que se tornou pantanosa, feita de lama escorregadia. O mesmo ar de decrepitude e decadência esmaga todos. Se uma janela é quebrada, assim continua. Um incêndio que recentemente tisnou um deles fazendo-o prorromper em bolhas não parece deixá-lo mais miserável e infeliz que seus vizinhos. Por trás dos mastros e chaminés, jaz uma sinistra cidade anã de casas operárias. Há guindastes e armazéns em primeiro plano, andaimes e gasômetros enfileiram-se e margeiam uma arquitetura-esqueleto. Após acres e acres dessa desolação, há subitamente a visão desconcertante ao se passar flutuando e ver uma casa de pedra em meio a um campo verdadeiro, com um grupo compacto de árvores verdadeiras. É possível que haja terra, que tenha havido outrora campo e colheita sob tal desolação e desordem? (Páginas 21-22)

Além de possuir uma escrita inteligente e crua, Virginia possui uma praticidade descritiva ao abordar locais, pessoas e sentimentos com relação à familiaridade imposta pelas ruas, pontes e vielas de Londres. Seis ensaios que conversam entre si, abordando questões que mostram de forma objetiva o comércio, as ruas e a grandeza de Londres por meio de uma narrativa fluida e praticamente poética. "Uma visão clara e atraente do movimento orgânico das ruas..."

“O delicioso de Londres era que sempre dava algo novo para observar, algo fresco sobre o que falar. Era preciso apenas manter os olhos abertos e sentar em sua própria poltrona das cinco às sete horas todos os dias da semana.” (p. 77)

Em cenas londrinas, poderemos observar com a narrativa de Virginia, as mudanças que ocorreram no cenário londrino desde de 1930.

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VIRGINIA WOOLF Estreou na literatura em 1915 com um romance (The Voyage Out) e posteriormente teria realizado uma série de obras notáveis, as quais lhe valeriam o título de "a Proust inglesa". Faleceu em 1941, tendo cometido suicídio. Virginia Woolf era filha do editor Leslie Stephen, o qual deu-lhe uma educação esmerada, de forma que a jovem teria frequentado desde cedo o mundo literário. Em 1912, casou-se com Leonard Woolf, com quem funda, em 1917, a Hogarth Press, editora que revelou escritores como Katherine Mansfield e T.S. Eliot. Virginia Woolf apresentava crises depressivas. Em 1941, deixou um bilhete para seu marido, Leonard Woolf, e para a irmã, Vanessa. Neste bilhete, ela se despede das pessoas que mais amara na vida, e se mata de forma triunfante

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