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[RESENHA #124] Negação — Deborah E. Lipestadt


ISBN-13: 9788550301198

ISBN-10: 8550301191

Ano: 2017 / Páginas: 432
Idioma: português 



Nesta história real, Deborah Lipstadt enfrenta no tribunal David Irving – um dos mais conhecidos negacionistas do Holocausto. Acompanhe todo o processo do julgamento enfrentado pela historiadora e seu empenho em ter que corroborar que um dos episódios mais cruéis da humanidade de fato aconteceu. David Irving é um autor inglês que usa métodos pouco ortodoxos de pesquisa histórica em seus inúmeros livros sobre a Segunda Guerra Mundial e o Terceiro Reich, nos quais ora atenua os impactos e as atrocidades dos campos de concentração, ora questiona a própria existência das câmaras de gás. Irving chega até mesmo a negar a existência do Holocausto, que descreve como “uma lenda”. São justamente essas alegações negacionistas que levam a historiadora americana Deborah Lipstadt a descrevê-lo, em seu aclamado livro Denying the Holocaust, de 1993, como “um dos mais perigosos porta-vozes do negacionismo do Holocausto”. Indignado, Irving decide abrir um processo por difamação contra Lipstadt. Agora, a historiadora se vê obrigada a enfrentar, na Inglaterra, uma batalha jurídica que não se restringe à reputação de dois estudiosos, mas que diz respeito ao registro da própria História. Amparada por uma competente equipe de defesa, Lipstadt inicia uma minuciosa análise do trabalho de Irving para mostrar como, a partir de uma postura ideológica, antissemita e racista, ele perverte documentos e registros históricos com o objetivo de “absolver Hitler”. Em Negação, livro que deu origem ao filme homônimo com previsão de estreia para março de 2017, Deborah Lipstadt narra os dias do julgamento em Londres e revela o drama que foi ter de seguir o conselho de seus advogados e ficar em silêncio enquanto seu objeto de estudo e seus princípios eram desvirtuados diante de um tribunal e da imprensa de todo o mundo.


Acervo Pessoal | Divulgação

Ninguém nunca sabe como falar de um assunto delicado, ou melhor dizendo, é impossível dissertar sobre um livro tão icônico quanto os relatos, pesquisa e história de vida da professora e historiadora Deborah E. Lipestadt. Este livro não trata-se do embate entre dois professores historiadores, mas sim de uma ideologia de crença, onde a verdade luta de forma crua e visceral com a mentira daqueles que deturpam fatos e escondem-se atrás de declarações insustentáveis. Negação não é o embate entre duas pessoas que sofreram um conflito com relação ao exercer de suas funções, mas sim da verdadeira história, tal como foi e ainda é.

Negação, narra a vida da professora e historiadora Deborah E. Lipestadt. Deborah é especializada em história da guerra e do holocausto e dá aula em uma universidade renomada em Atlanta. Em um dia qualquer, Deborah recebe uma carta da Penguin Editora — responsável pela publicação do seu livro "Devying the holocaust", na qual a editora informava que um outro historiador chamado David Irving estava processando Deborah e consequentemente sua editora. Parecia surreal para Deborah algo do tipo, e até mesmo cômico. Em alguns momentos chegou a cogitar a hipótese de que talvez Irving pudesse voltar atrás, porém, suas ideias de prosseguir com o processo estavam intactas.

Em meu livro, dediquei alguns paragrafos a Irving, descrevendo-o como um "partidario de Hitler usando cabresto", que destorce[u] indícios [...] manipul[ou] documentos [e] alter[ou] [...] e deturp[ou] dados para chegar a conclusões históricas insustentáveis — Página 16 

Para piorar a situação de Deborah, David Irving abriria o processo no Reino Unido, onde o sistema jurídico é completamente o oposto da qual Deborah estava acostumada nos Estados Unidos, e isso iria dificultar extremamente suas chances de defesa, fora que ela estava desfavorecida em diversos aspectos.

O sistema jurídico britânico colocava o ônus da prova em minhas mãos como ré. Era uma imagem espelhada da lei americana: Nos Estados Unidos, Irving teria que provar que eu menti; no reino Unido, cabia a mim provar que  estava dizendo a verdade — Página 18
Além de ver-se em um processo sem cabimento, explicação ou precedentes, Deborah descobre que no contrato com sua editora existem clausulas que mantem a editora de fora de qualquer processo jurídico e todo e qualquer assunto jurídico teria que ser resolvido somente pela autora do livro, ou seja, Deborah teria que arcar com o valor de seu processo e da editora de seu livro caso perdesse, isso sem ajudas monetárias.

Algo que me chamou bastante à atenção, foi o fato de Deborah relatar sobre sua vida e infância no livro, onde ela busca compreender o porque de tantas pessoas indagarem-se acerca de sua vontade de sempre buscar saber mais pelo holocausto ou do porque de querer prosseguir com o processo, visto que estava em julgo desigual em uma corte onde a desfavorecia completamente, porém, ela manteve-se forte e implacável em suas decisões. A frase mais forte do livro com toda certeza é sua afirmação "Não, eu não sou filha de sobreviventes do Holocausto" (pág 23) — As pessoas pareciam dizer de forma implícita que não existiria motivos aparentes para lutar uma luta que não era dela — porém, Deborah cresceu no meio de Judeus e estudou na infância com um rabino ao qual seus pais admiravam muito chamado Hebert Friedman, e ela iria até o fim para provar que não estava mentindo, afinal, o holocausto ocorreu de fato.

Irving está mirando em você, mas está acertando toda a comunidade judaíca e a verdade histórica — página 66
A partir do momento que o caso de Deborah espalhava-se ela foi encontrando forças para prosseguir a diante com o processo e provar com fontes confiáveis, pesquisas e escritos de seu diário pessoal que SIM, o holocausto de fato ocorreu. Com o tempo, Deborah acabou tendo ao seu lado os melhores advogados conhecidos em todo Reino Unido, Anthony e James, dois incríveis especialistas que iriam arquitetar minuciosamente de forma discreta como iriam prosseguir perante o julgamento.

O caso de Deborah tornou-se um filme baseado em sua vida que foi lançado no Brasil no dia 9/03/2017. Apesar de sua história ser extremamente fascinante, a obra cinematográfica não recebeu boas críticas no Brasil, principalmente em portais especializados em cinema. 

Confira a sinopse detalhada da obra cinematográfica:

Deborah E. Lipstadt (Rachel Weisz) é uma conceituada pesquisadora que, em seu livro, ataca veementemente o historiador David Irving (Timothy Spall), que prega que o Holocausto não existiu e é uma invenção dos judeus para lucrar mais. Julgando-se prejudicado pelo que foi publicado, Irving entra com um processo por difamação contra Deborah. Só que, pelas leis britânicas, em casos do tipo é a ré quem precisa provar a veracidade da acusação. Logo ela se vê em uma disputa judicial que, mais do que envolver dois estudiosos da História, pode colocar em dúvida a morte de milhares de judeus durante a Segunda Guerra Mundial.

A luta agora não é contra a possível difamação de Deborah sob Irving, está é a luta judicial que colocou a história e a veracidade dos fatos e das testemunhas sobreviventes da segunda guerra em julgo. O mundo todo sabe que o holocausto aconteceu, agora, ela terá que provar.


COMENTÁRIOS PESSOAIS

Este é simplesmente o gênero literário mais fantástico do planeta: Biografia. Deborah Lipestadt tinha todo um abismo a sua frente, tudo corroborava para que seu fracasso em um juri fosse absoluto e mesmo tendo as maiores chances de perder em um sistema judiciário diferente do qual estava habituada, ela não desistiu de prosseguir com suas ideologias e crenças acerca de seus estudos e do que acreditava.

Deborah que antes debochou de uma carta que anunciava o possível processo, viu-se em diversos momentos desesperada, afinal, todos os contrapontos era maiores do que os prós. Se perdesse o julgamento Deborah teria que pedir desculpas á Irving e ele ainda poderia tomar sua casa comprada em Atlanta, fora que teria que arcar com todos os prejuízos do processo seu e de sua editora, visto que algumas clausulas colocavam insentas a participação da editora em foros judiciais.


Deborah não só conseguiu provar que o holocausto existiu, como conseguiu calar Irving para toda sua sucessão de escrita. Podemos apostar sem medo que Irving não irá ficar ao lado do genocídio — que segundo ele, aconteceu sem o consentimento do Fuhrer (Hitler) — em seus próximos livros.


Este não é simplesmente o maior relato histórico já publicado. É a história sendo construída e monstrando-nos que os indícios são maiores que as dúvidas, e que sempre haverá rastros da verdade em meio às mentiras. Toda uma comunidade acreditou em Deborah, até mesmo quando a própria estava desacreditada, porém, lutou bravamente, pesquisou e procurou as melhores pessoas do meio jurídico para ajuda-la em uma tarefa que parecia quase impossível: Provar a existência de uma parte da história. Como fazer isso? Ela conseguiu.


O livro foi publicado pela Universo dos Livros e encontra-se fantasticamente fantástico. Um dos melhores livros que tive o prazer de ler este ano

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