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[RESENHA #138] Senhor Z, Marcelo Alcaraz

ISBN-13: 9788562266331
ISBN-10: 8562266337
Ano: 2013 / Páginas: 150
Idioma: português 
Editora: Editora Inverso

Em Senhor Z, Marcelo transportou-se nos anos e na vida pregressa de um aposentado que com toda a ironia, deboche e falta de sutileza, transcreve em um blog os devaneios de sua existência, depois da morte da esposa, o afastamento dos filhos e a mudança para um balneário litorâneo de luxo em outro país. “Gosto de encarnar personagens mais velhos. A velhice é um destino comum a todos, mas poucos se preocupam que ela é a consequência de toda uma vida, e isso determinará como a usufruiremos”, diz o autor que já tem um novo romance a espreita.

As pessoas tem uma falsa noção de que a velhice acalma, traz sabedoria ou alguma espécie de luz interior.Tudo papo-furado, a velhice piora de certa forma, nossas tendências (...) — pág 08

Um pseudônimo na chamada "terceira idade", ou "melhor idade". Senhor Z decidi iniciar um blog para explicitar boas doses de filosofia. A arte na comunicação é prolífica, tanto quanto a escrita, que mostra-se filosoficamente única. Marcelo Alcaraz apresenta-nos um personagem que decide manter-se no anonimado na rede mundial de computadores enquanto expõe seu dia-dia nas páginas virtuais de um blog. Após perder sua mulher Emanoela para o Alzheimer, Senhor Z inicia uma série de reflexões acerca vida, da morte, da criação dos filhos e sobretudo, de si próprio.

Não quero parecer preconceituoso, mas sempre mantive distância da plebe, dos portadores do senso comum, das pessoas que aceitam o mundo como ele é, e não entendem que a realidade social é construída a partir de um jogo de interesses (p.40)

O personagem central é apaixonado por café, cinema e livros (se ele não tivesse mais de sessenta eu diria que ele sou eu) e boas doses filosóficas de reflexão. O autor formou-se em Filosofia, o que me faz pensar que por um motivo ou outro, trouxe seus próprios traços para dentro deste personagem. E esta não é a única "coincidência", o autor e o personagem são fãs de literatura. Traços como estes que refletem como um espelho e vão de encontro ao autor, muito me interessa. Torna-se quase palpável e trás uma vida quase que próxima de nossa realidade. 

Senhor Z teletransporta-nos de nossa zona de conforto para um emaranhado de reflexões acerca da vida na terceira idade. Não para sentir-nos de alguma forma envergonhados com nossa juventude e aprender com questões das quais não vivenciamos em pele à valorizar alguém de tal idade, mas creio que o livro tenha um propósito maior que este. Maior que qualquer questão na qual não poderemos pensar de forma banal.

Alcaraz possui um dom irrevogável e incrível com relação a criação de cenas do cotidiano com boas doses de filosofia. 

Pobre dos que estão com os dias contados: Se agarram com força a qualquer instante que resta (p.07)

Permita-se conhecer senhor Z e seus leitores assíduos. Uma viagem ao desconhecido, é como se estivéssemos de fato, ouvindo alguém reclamar o tempo todo, porém, desde o início ele nos atenta "Sempre fui ranzinza".

o livro foi publicado pela editora InVerso e está impecável em todos os sentidos possíveis. A escrita de Marcelo é única em diversos aspectos e a escrita discorre fluidamente entre os percalços encontrados e enfrentados pelo nosso querido senhor Z.
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