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10 obras modernistas que todos deveriam ler antes de morrer

GOOGLE | Redação Seletiva

Bem, é evidente meu amor pela literatura. Mas há um movimento literário que tem todo o carinho do meu coração: o Modernismo. Dividido em 3 tempos, é conhecido por abandonar toda uma estética dos movimentos e períodos anteriores, ser extremamente nacionalista e fazer reflexões sociais e políticas. Além de tudo isso, é um período com diversas análises do ser a suas angústias. Esse período é presente na grade curricular do nosso Ensino Médio e muito cobrado em grandes vestibulares. Apesar de ter dado início aos meus estudos sobre ele na escola, eu me aprofundei mais no conteúdo quando me formei e entrei de férias. Me apaixonei ainda mais pelos livros que eu já conhecia e adorava. Tendo isso em vista, vim trazer as minhas 10 obras favoritas desse período pra vocês!

1- Pauliceia Desvairada, Mario de Andrade
     
Publicado em 1922, foi responsável por traçar a estética das obras modernistas que viriam a seguir. Essa antologia de contos faz uma análise da sociedade paulista no início do século XX, quando a cidade de São Paulo ganhava um cenário cada vez mais urbano e menos rural, além do início da vinda de imigrantes de diversos países. Nas páginas de Pauliceia Desvairada, é possível observar deboches e perturbações sobre a grande cidade. Apesar de conciliar diferentes estéticas para apresentar o panorama da cidade, Mario de Andrade não incorpora os "ismos", que seriam as vanguardas europeias, em sua obra. 


2- Libertinagem, Manuel Bandeira
     O livro "Libertinagem" é um manifesto pela liberdade na poesia. Publicado em 1930, conta com trinta e oito poemas escritos entre 1924 e 1930, é o 4º livro de poesias de Manuel Bandeira mas é o primeiro considerado completamente modernista. Com uma união inovadora do cotidiano e do lirismo, Bandeira trata temáticas completamente novas em "Libertinagem", como cenas do dia a dia, recordações da infância e uma visão lírica do cenário urbano. Além da sutileza, Manuel Bandeira deixa uma marca de humor em todos os poemas presentes no livro, sem deixar nenhuma fase de sua vida passar. É um livro com poemas que podem ser considerados eternos e que deixaram marca na história da literatura brasileira. 

3- O Livro do Desassossego, Fernando Pessoa
     Publicado originalmente em 1984, é um livro que reúne centenas de fragmentos escritos por Fernando Pessoa e narrado pelo seu semi-heterônimo, Bernardo Soares. O livro não apresenta uma narrativa linear e oscila entre temas como seu estado psíquico, o amor, a moral e o conhecimento. É a obra de Fernando Pessoa que mais se aproxima do romance. Pessoa procura responder questões como "Quem sou eu?" e "Como posso explicar a realidade?", que são perguntas características do movimento modernista em Portugal, cujo Pessoa é um dos principais representantes. 

4- Sentimento do Mundo, Carlos Drummond de Andrade
     Sendo a terceira obra de Drummond e abraçando de vez contextos sociais, "Sentimento do Mundo" foi publicado pela primeira vez em 1940 e conta com 28 poemas. Os poemas do livro expõe uma reflexão dos momentos de instabilidade que o mundo passava com a ascensão de regimes totalitários como Hitler na Alemanha, Franco na Espanha, Mussolini na Itália e o Estado Novo de Getúlio Vargas no Brasil. Apesar de ter uma temática mais social, o aspecto do "eu" ainda é muito presente no livro, mas com uma busca de retratar assuntos universais como a morte, o amor e o tempo de diferentes maneiras. Em todos os poemas do livro, é possível perceber um utópico sentimento de esperança. O "Sentimento do Mundo" esteve na lista de leitura obrigatória da FUVEST até o ano de 2016, quando foi substituído pelo livro "Claro Enigma" do mesmo autor. 

5- Claro Enigma, Carlos Drummond de Andrade

     Pertencente à última fase da poesia de Drummond, o livro "Claro Enigma" aborda temas também universais, assim como em suas obras anteriores, porém com um maior destaque do homem em busca da compreensão desses temas como o amor, a morte, o tempo, o sexo e até mesmo a própria poesia. Publicado em 1951, o livro de Drummond dá espaço a um poeta mais introspectivo e filosófico que deixa de buscar soluções para os problemas sociais e começa a procurar por perguntas necessárias para aquele determinado período. Os poemas deste livro foram escritos no contexto histórico da Guerra Fria, num conflito político e ideológico (Estados Unidos e o Capitalismo contra União Soviética e o Socialismo) quando as pessoas se sentiam pressionadas a assumir um lado da briga para si. A poesia de "Claro Enigma" se conecta com outras obras literárias, como com o personagem Jacinto de "A Cidade e as Serras" e o conto "Conversa de Dois Bois" de Guimarães Rosa. O livro está atualmente na lista de leitura obrigatória da FUVEST, entrando no lugar de "Sentimento do Mundo" do mesmo autor. 

6- Doze Noturnos da Holanda, Cecília Meireles
     Publicado em 1952, o livro "Doze Noturnos da Holanda" traz em seus poemas a questão do encontro do eu-lírico com a morte. Conectado-se com o Romantismo e com o Simbolismo, a noite será de grande destaque nos poemas de Cecilia Meireles, graças a sua ligação com o reino místico. Apesar da temática incomum de um direto encontro com a morte, no último poema do livro fica claro que esse encontro não está associado à imagem tradicionalmente negativa da morte. 

7- Antologia Poética, Vinícius de Moraes
     A obra "Antologia Poética" é, sem dúvidas, a coletânea dos poemas mais importantes de Vinícius de Moraes. Lançado em 1954 pela editora Carioca, o livro aborda tanto questões pessoais como sociais. Dois dos poemas fundamentais para entender o conteúdo do livro são "Ausência" e "A Rosa de Hiroxima". O primeiro é considerado um dos melhores para retratar a amada de Vinicius e sua peculiar forma de enxergar o amor, mesclando aspectos físicos e espirituais. O segundo retrata um contexto mais social, produz imagens de gritos contra a guerra e a favor da paz. É uma denúncia à trágica utilização da bomba de Hiroshima. 

8- Sagarana, Guimarães Rosa
     Dando destaque para o regionalismo brasileiro, a primeira obra de Guimarães Rosa a ser publicada explora o universo do sertão brasileiro, aproveita-se de expressões típicas do povo e trata com mais universalidade os assuntos daquela região. O livro foi publicado pela primeira vez em 1946 e conta com 9 contos, entre eles "A Hora e vez de Augusto Matraga", considerado pela crítica como um dos contos mais importantes de nossa literatura. Ele está atualmente na lista de leitura obrigatória da FUVEST e o conto "A Hora e vez de Augusto Matraga" está presente na lista de leitura obrigatória da UNICAMP. 

9- Laços de Família, Clarice Lispector
      Publicado em 1998, a obra de Clarice Lispector é composta por 13 contos. Todos retratam a temática de aprisionamento dos indivíduos através dos "laços de família", de como as relações de interesse minam a união familiar e expõe formas de vida estereotipadas, que são passadas de geração em geração até que submetam-se as consciências e as vontades dos indivíduos. A autora do livro, ao escrever, sofre uma direta influência do romance psicológico e do chamado fluxo de consciência. Os contos mais famosos do livro são "Amor", "Uma Galinha" e "Feliz aniversário". O conto "Amor" está atualmente na lista de leitura obrigatória da UNICAMP. 

10- A hora da estrela, Clarice Lispector

     A obra publicada em 1977, pouco antes da morte da autora, é narrada pelo alter ego de Clarice Lispector e conta a história da imigrante nordestina Macabéa. No livro há marcas relevantes da terceira fase do modernismo, como uma intensa análise psicológica dos personagens -que revela o fluxo de consciência deles-, uso de digressões e de pontuações utilizadas de maneira inusitada, além da presença da metalinguagem. A "hora da estrela" conta com um recurso muito presente nos livros de Clarice: a epifania, o momento de iluminação da tomada de consciência de cada personagem em um certo momento de suas vidas. 
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