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    terça-feira, junho 06, 2017

    [ENTREVISTA] Érika Batista, autora de "As terras de ninguém"

    Érika Batista | Acervo Pessoal

    Érika Batista, atualmente com vinte e cinco anos, é paulista, paulistana e são-paulina, mas mora em Santa Catarina desde a infância. Considera Jesus Cristo o centro da sua vida. É apaixonada pelas artes, pelas palavras, e especialmente pela literatura, que combina as duas coisas. Por meio da literatura, desenvolveu uma grande paixão pela Rússia, que faz com que se dedique à tradução de obras dos autores desse país, inicialmente por hobby, com traduções de poemas e contos publicados no blog "Literatura Russa para Brasileiros", possuindo, atualmente, projeto de se profissionalizar na área. Tem uma obra publicada na Amazon (7 Dias Perdida com o Inimigo) e vinte e oito obras publicadas no Wattpad, entre contos, romances, poemas, não-ficção, traduções e fanfics. Seu livro "Uma História Bárbara", escrito em coautoria com Karen Felsky, é destaque em Ficção Histórica no site. Atualmente escreve e publica o livro "Dias Vermelhos", outro romance histórico, com postagens todas as sextas-feiras. 

    1. Quando você percebeu que seu destino era se tornar um escritor?

    R: Depois de algumas tentativas mal-sucedidas de parar de imaginar e escrever histórias.

    2. De onde vem os personagens? São frutos de muita imaginação ou são baseados em pessoas reais?

    R: Depende. Nos contos eles são, geralmente, imaginários. Nos romances, quase sempre, os personagens centrais são baseados em pessoas do meu círculo de relações. Basear em pessoas reais acaba deixando mais fácil criar personagens humanos e profundos. E eu acho que não conseguiria parar de fazer isso; qualquer círculo social em que eu me insiro, eu já transporto mentalmente para outra época e universo e fico especulando como as pessoas agiriam naquele outro contexto. Tenho algumas ideias não executadas que surgiram assim, além das executadas.

    3. Quais seus autores favoritos? Estes livros de alguma forma, influenciaram diretamente na sua escrita?

    R: Na verdade eu tenho literaturas favoritas: a russa e a inglesa. Dentre os autores, meus favoritos são Dostoiévski, Gogol, C. S. Lewis, George Orwell, Vladimir Voinovitch, Bulgakov, Terry Pratchett, Agatha Christie, J. K. Rowling, Ariano Suassuna, Dias Gomes, Jane Austen, Charles Dickens, Oscar Wilde, e alguns poetas, especialmente Carlos Drummond de Andrade e Casimiro de Abreu. Não sei se influenciaram diretamente na minha escrita; indiretamente, com certeza. Meus escritos sempre têm uma veia de humor característica de alguns desses autores, o valor do diálogo para outros, o gosto das alegorias e mensagens sociais de outros. Minha poesia bebe muito em Drummond, também. E no livro que estou escrevendo agora, que se passa parcialmente na União Soviética, admito que teve uma influência direta de Vladimir Voinovitch e até costurei um intertexto com uma obra do Dostoiévski.

    4. Já aconteceu de você conhecer alguém que leu seu conto, ou que estava lendo?

    R: Pela internet, como eu publico no Wattpad, a interação é muita. A maioria dos meus leitores do livro atual, Dias Vermelhos, está no grupo Wattpad Brasil, e sempre falo com eles por lá, alguns são meus amigos no perfil pessoal também. Também tenho amigos que já viraram personagens e já leram meus livros. Pessoas que primeiro me leram e depois me conheceram, ainda não aconteceu. 

    5. Você encontrou alguma dificuldader em escrever seu livro no wattpad? Muitas pessoas escrevem receosas de serem rejeitadas por alguma editora futuramente. Você já passou por isso?

    R: Não... Editoras, para mim, por enquanto são mais como um sonho a ser estudado. Além disso, há editoras que contatam os autores pelo próprio Wattpad - nem todas honestas ou com boas propostas, é verdade - e também conheço muitas histórias de gente que fez tanto sucesso no Wattpad que conseguiu contrato com uma editora. Claro que não é o caso de seleções de editoras que exijam o livro inédito, né. Isso varia caso a caso.

    6.  Você costuma recorrer á opiniões de terceiros durante o processo de escrita? Se sim, por que?
    R: Não; exceto quando é coautoria, ou quando eu estou com alguma dúvida pontual, aí peço conselho para um amigo, ou até a leitura beta de algum texto mais curto.

    7.Você já possui algum conto finalizado? Quanto tempo demorou-o para finaliza-lo?

    R: Tenho vários, tanto contos como romances. Os contos, quando eu não paro na metade, costumo terminar em uns dois ou três dias, ou até uma semana, dependendo do tamanho, claro. Já escrevi uma noveleta de ficção adolescente em uma semana também; uma peça de teatro em uns poucos meses. Os romances levam mais tempo. A Amazona levou de seis meses a um ano - se bem me lembro, Uma História Bárbara levou dois anos - com um longo intervalo nesse meio período, e agora Dias Vermelhos eu estou escrevendo desde novembro do ano passado. Ainda vai um bom tempo para terminar. Fora outras três obras iniciadas que estão de molho, esperando dias melhores.

    8. Considerando o primeiro conto/história que você escreveu: Você tem planos de escrever outro na mesma linha de raciocínio (mesmo gênero)?


    R: Faz anos que eu tenho vontade de reescrever a mesma história, na verdade. Eu tinha doze anos quando escrevi meu primeiro romance, e ele tem um enredo legalzinho, até, mas o tema é muito mais rico do que eu sequer tinha capacidade de explorar na época - isso sem contar as falhas técnicas. O livro se chama A Amazona e fala sobre igualdade entre gêneros; a protagonista mora numa sociedade matriarcal (as amazonas) em que não há homens, porque eles são considerados inferiores, e ela passa a questionar isso, quando conhece alguns homens que não correspondem ao retrato sinistro que tinham pintado para ela. Acho que é um tema muito importante e propício para se discutir hoje em dia, mas também é um tema delicado, e eu me divido entre o receio de causar uma confusão e a preguiça, e acabo nunca reescrevendo. O tema da igualdade entre os gêneros eu acabo trabalhando lateralmente em outras obras minhas, como Uma História Bárbara ou Dias Vermelhos, em que a limitação dos papéis sociais das mulheres é questionada em algumas ocasiões.

    9. Qual o pior inimigo de um autor no Wattpad nos dias atuais?

    R: A procrastinação. Na verdade, ela é o inimigo de qualquer pessoa que queira produzir, acabar algo, chegar a um resultado, aprender. E, querendo ou não, é fomentada pelas próprias redes sociais, que consomem muito do nosso tempo em inutilidades. É uma luta diária para vencer a procrastinação.

    10. O que você faz quando uma ideia maravilhosa surge enquanto você está fora de casa e precisa registrar aquela ideia?

    R: Eu carrego um caderninho lindo de notas para essa finalidade. Se ele não estiver por perto, anoto no celular mesmo. Ou, se não tiver celular, o jeito é torcer para não esquecer antes de chegar em casa.

    11. Você acha que escrever enquanto se ouve uma trilha sonora de fundo, dá inspiração ou atrapalha?

    R: Eu escrevo e faço tudo com música de fundo. Estou escutando música enquanto respondo a esta entrevista, inclusive. Claro, às vezes cansa e tem que dar uma pausa, mas música me ajuda muito a me concentrar, e às vezes inspira também. Só que isso é uma coisa bem pessoal; já conheci pessoas como eu, e pessoas a quem a música desconcentra.

    12.  De tudo o que você já escreveu, tem algo em especial que se orgulhe? Algum trecho, personagem ou terra?

    R: Gosto demais dos meus dois romances históricos, Uma História Bárbara (finalizado, em coautoria) e Dias Vermelhos (em andamento). Gosto do plano de fundo, dos personagens, e dos temas que as obras abordam (cristianismo primitivo, e comunismo, respectivamente).

    13. Como foi a recepção do seu público com relação à sua escrita?

    R: Meu público seriam os leitores do Wattpad? De modo geral, quando eu consigo fazer as pessoas lerem - divulgação é uma tarefa hercúlea à parte, no Wattpad - eles recepcionam muito bem minhas histórias, são simpáticos, até tenho uma proporção pequena de "leitores fantasmas". Cada livro acaba tendo um público à parte, tem poucos leitores que acompanham tudo que eu escrevo - porque os temas e estilos variam - e por isso cada livro tem as peculiaridades de seus leitores. Em Uma História Bárbara as leitoras eram bem empolgadas, comentavam a cada capítulo, se emocionavam, se enraiveciam, muito carinhosas. Os leitores de Dias Vermelhos, além de também serem carinhosos, são mais brincalhões também, e me ajudam demais na divulgação do livro, discutem e exploram possíveis spoilers que eu solto no grupo do Facebook. Amo mais que chocolate.

    14. Você acompanha contos e histórias escritas por outros usuários da plataforma? Se sim, quais você indicaria para que nossos leitores viessem a conhecer?

    R: Acompanho sim. Contos eu tenho vários que gostei, estão compilados numa lista no meu perfil, com destaque para os autores John Miller, Gabriela Severo, Lygia Camelo Santiago e Jéssica Tamyres dos Santos. De romances também tenho uma lista que li e amei, mas apenas três deles estão íntegros no Wattpad agora: O Anjo Inglês, Sob o Signo do Café e Como não perder o duque, uma trinca de romances de época muito fofos. E tem um livro que estou acompanhando as postagens ansiosamente, apesar de ficção contemporânea não ser o meu forte: O cheiro da rua, do José Artur Castilho.

    15. Se você pudesse deixar uma mensagem motivacional para nossos leitores e para todos aqueles que estão conhecendo sua escrita agora. O que você diria?

    R: Eu sou tão ruim com coisas motivacionais. Bem, mas eu acho que a marca distintiva da literatura brasileira é a esperança. Muitas desgraças acontecem, como na literatura europeia, mas os heróis sempre se reerguem ou se agarram a um raiozinho de fé e esperança para continuar. Então acho que seria isso: tenham esperança. Pode melhorar. E se não melhorar, a gente faz o que dá.

    16. Obrigado imensamente por me permitir conhecer um pouco mais do seu trabalho. Espero realmente que você consiga realizar todas as suas metas com a escrita e que consiga fluir bem no mercado editorial brasileiro. Sucessos!