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[ENTREVISTA] Gabriel Ribeiro, autor de "Ícarus"


Gabriel Ribeiro | Acervo Pessoal | Divulgação

Inspirado por jogos de RPG, Stephen King e J.K. Rowling, Gabriel Ribeiro desponta como um dos novos talentos da literatura fantástica do Brasil. Jornalista por formação e nerd por vocação, ele conseguiu no seu primeiro livro, Revelações – volume 1 da saga Icarus, desenvolver uma história espetacular, que nos leva para um futuro, não muito distante, onde uma grande corporação tecnológica é responsável pela evolução do planeta e pela segurança dos cidadãos, mas que, ao mesmo tempo, esconde um lado sombrio que pode causar uma guerra sem precedentes.  A trama gira em torno do adolescente Will Shepherd, que logo após descobrir que possui dons especiais, se vê afastado da família e dos amigos tendo que enfrentar um inimigo poderoso e imprevisível, além de ter que lidar com a desconfiança de outros Aprimorados. Uma história para amantes de ficção e aventura, que sem dúvida precisa fazer parte dos livros de cabeceira dos nerds de plantão.




1 – Assim que abrimos o livro damos de cara com um rapaz de óculos que se diz ser jornalista, game designer, colecionador e ocasional vlogger. Não tem como não dizer: “Esse cara é um nerd”. É essa a impressão que as pessoas têm de você? Você se considera um nerd? Por quê?

R: Eu com certeza sou um nerd e geek de plantão. E isso fica bem evidente tanto pelas minhas roupas (camisetas de séries, jogos e HQ’s), quanto pelas coisas que eu consumo normalmente. Não tem como passar um mês sequer sem que eu adicione alguma coisa à minha coleção. Pode ser uma esfera do dragão, um capacete tematizado, ou até mesmo alguma coleção de Lego para deixar nas prateleiras. E tem também o fato de que basicamente todas as conversas em que eu acabo fazendo parte giram em torno de livros, games, partidas de RPG e super-heróis.

2 – Quem são seus escritores favoritos e que influência eles tiveram, se é que tiveram, no seu processo criativo?

R: Definitivamente Stephen King, J.K. Rowling e Timothy Zahn estão entre os meus favoritos. Agora, em questão de influência, acho que dá para dizer que eu tive como base mais dos dois primeiros. A questão de desenvolvimento da personalidade dos personagens jovens veio um pouco dos livros da J.K., enquanto que o processo de criação da história como um todo, meio que deixando ela me guiar e não o contrário, veio muito do estilo de criação do Stephen King.

3 – Jogo rápido, só vale falar um de cada.

Livro favorito: Prayers For Bobby, de Leroy F. Aarons
Filme favorito: Shelter (De repente Califórnia)
Música favorita: atualmente seria Desire, do grupo Years & Years
Game favorito: The Legend of Zelda – Ocarina of Time
Quem você mataria se tivesse superpoderes: Tem que ser apenas um? Porque se eu tivesse superpoderes eu com certeza seria um anti-herói ou um vigilante meio barra pesada. E só pra constar, sim, eu já pensei nisso antes. (risos)

4 – Como surgiu a ideia para escrever Revelações, o livro 1 da Saga Icarus? Você um dia acordou e teve uma visão do futuro, ou foi desenvolvendo a história inspirado por seus hobbies?

R: A ideia do livro acabou surgindo da fusão de dois dos meus hobbies favoritos: histórias de super-heróis e partidas de RPG. Como, normalmente, eu fico encarregado de criar as histórias eu já estava acostumado a escrever longas narrativas. Ai, durante uma partida, justamente se passando em um mundo de pessoas com poderes algo dentro de mim se iluminou e eu sabia que deveria expandir ainda mais o cenário com aqueles personagens que eu havia criado apenas para me divertir com meus amigos. Daí foi apenas uma questão de adaptar alguns detalhes, fazer algumas alterações e começar a escrever. 

5 – Nos conte um pouco sobre o nome Icarus, qual o significado, o que representa este nome mitológico, há algum segredo místico por trás do nome da empresa?

R: A escolha não esconde nada místico ou sobrenatural, pelo menos dentro dos conformes da história que eu planejei. Na verdade, o nome da empresa foi mais pela lição contida nela, de como podemos alcançar determinados objetivos, mas sem levarmos nossa ganância e orgulho junto. Essa acabou sendo a causa da queda do Icarus original, mas, para os fundadores da empresa Icarus, o nome serve como é um lembrete constante de que a visão deles deve sempre levar em consideração um bem maior. A questão é que até mesmo os fundadores de algo tem que sair de cena em algum momento, e não necessariamente sua visão será mantida por seu sucessor.

6 – O livro se passa algumas décadas à frente, você acredita que o nosso futuro será como no livro, com drones fazendo a vigilância dos bairros, carros de polícia que escaneiam os cidadãos à procura de ‘bandidos’, ou ficaremos longe de tais tecnologias, assim como ocorreu com De volta para o futuro e seus skates e carros voadores?

R: Eu acredito que esse seria um futuro muito possível, levando em consideração, por exemplo, o uso de drones por parte dos militares americanos para ataques. Junte um banco de dados completo com os mais procurados, ou até mesmo dos presídios, com um sistema de detecção facial e pronto. Temos drones patrulheiros para ficar de olhos nas pessoas. A questão seria saber quem ficaria no controle de tudo isso, ainda mais se pensarmos que hoje em dia já conseguimos manipular imagens e informações digitalizadas com extrema facilidade. Algo que teria um objetivo benéfico poderia muito bem fugir do controle e servir apenas a quem estivesse no topo da pirâmide do poder. 

7 – Por que escolheu os Estados Unidos como cenário principal para trama?

R: Inicialmente a história até se passaria pelo Brasil, mas conforme ela ia avançando ficou muito claro que eu precisava de um ambiente maior em termos de avanço tecnológico. Eu até poderia considerar que, como a história se passa em algum momento do futuro, o Brasil poderia garantir o que eu estava buscando para a conclusão da história como um todo, mas seria algo muito forçado, levando em conta como o governo daqui funciona, sempre dificultando a inserção de algo novo e benéfico para a população. Dessa forma eu acabei escolhendo os Estados Unidos, mesmo tendo considerando também o Reino Unido, para ser o principal local onde a história iria se passar. Mas não que no fim minha escolha impeça que em algum dos próximos livros eu acabe trazendo um pouco de destruição para esses lados.

8 – A maioria dos personagens são jovens que ainda estavam vivendo as descobertas da adolescência quando, de repente, se viram com um grande desafio pela frente. De alguma forma, você precisou passar por esses desafios? Will Shepherd tem um quê de Gabriel Ribeiro?

R: Desafios, todos nós acabamos enfrentando em alguma parte da vida. Lógico que eu não acabei descobrindo que tenho poderes (pelo menos até o momento), mas dá para dizer que o Will tem sim um pouco da minha personalidade, ainda mais pelo fato de que na campanha de RPG que deu origem a ideia do livro, o Will era um dos personagens principais que eu interpretava em várias partes. Então dá para dizer que nós dois nos conhecemos muito bem. 

9 – O que é um Aprimorado e o que os diferencia de um X- MEN, por exemplo?
R: Os Aprimorados no livro são pessoas que acabaram recebendo suas habilidades especiais devido a resultados inesperados em decorrência de experimentos tecnológicos. Já no caso dos mutantes da Casa das Ideias, seus poderes existem em decorrência de uma evolução genética própria. A escolha por utilizar os Aprimorados acabou sendo mais por causa da minha paixão por sci-fi, especialmente os contos e filmes que tem como base essa evolução forçada da humanidade por meio da ciência.

10 – Este primeiro livro da Saga, como o nome já diz, foca em revelar a história dos primeiros Aprimorados e é recheado de cenas de ação e suspense. Em segundo plano temos uma rápida, mas extremamente importante, história de amor. Teremos mais romance no segundo livro, ou a ideia é mesmo focar na aventura?

R: A ideia de adicionar um par romântico para um dos personagens, para mim, serviu como um dos grandes motivadores para o prosseguimento da jornada. Mas mesmo com sua importância, eu não pretendo encher a história com um ar muito romântico, da mesma forma que eu não quero que ela seja a história de um herói. Ainda assim, é muito provável que ainda surjam alguns aspectos mais suaves na narrativa.

11 – Nos revele algum segredo. O que o leitor pode esperar da sequência da saga? Teremos o retorno de algum personagem no melhor estilo A volta dos mortos vivos, algum personagem novo surgirá para salvar a pátria. Por favor, coloque alerta de Spoilers e nos dê alguma dica.

R: Ah, novos personagens com certeza irão dar as caras nos próximos livros. Alguns até com um certo grau de importância para definir o rumo da história, outros para formar alianças contra um inimigo em comum. Mas a melhor coisa, por enquanto, é não entrar muito nesses detalhes para não estragar a surpresa.

12 – Para encerrar, por que você optou por lançar seu livro de maneira independente e que dicas você pode dar para os escritores que pretendem ingressar no mercado literário? Existe algum método mágico para escrever uma história de sucesso?

R: A escolha por lançar de maneira independente foi feita levando em consideração dois pontos principais: eu já conhecia alguém envolvido no meio, o que agilizaria o processo, e também a minha condição financeira (risos). Mas assim, eu achei o processo de lançamento bem tranquilo e é legal você estar bem próximo para saber exatamente o que está acontecendo a cada passo. E para quem quer se aventurar por esse rumo, o método mágico é bem simples, ler muito e escrever. Só assim é possível ir melhorando cada vez mais até encontrar sua própria voz dentro do mundo literário.
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