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    quinta-feira, junho 01, 2017

    [ENTREVISTA] Glau Kemp, autora de "Maldito Seja"

    Glau Kemp | Acervo Pessoal | Divulgação

    Escritora de Terror e suspense, roteirista de HQ e Editora da revista Litere-se. Colunista de terror nos sites Boca do inferno e Iluminerds. Moça do campo, moradora de Itaipuaçu - RJ. Viciada em séries, chocolates e coisas misteriosas. Não tem medo escuro, mas às vezes fecha os olhos quando vai ao banheiro de madrugada.


    1. Quando você percebeu que seu destino era se tornar um escritor?

    R: Escrevi três livros antes de decidir que queria ser escritora profissional. Duas dessas experiências foram entre a infância e adolescência. Mas foi depois de escrever Sangria, um livro que está disponível no wattpad, que decidi seguir essa carreira. 

    2. De onde vem os personagens? São frutos de muita imaginação ou são baseados em pessoas reais?

    R: Geralmente são pessoas que conheci ou vi na rua. A caixa de uma loja ou o homem do ônibus. Pessoas que vi em uma fotografia ou pela janela do carro, gosto de imaginar para onde estão indo e o que gostam de fazer. 

    3. Quais seus autores favoritos? Estes livros de alguma forma, influenciaram diretamente na sua escrita?

    R: Não tenho autor favorito, tenho autores que admiro e são muitos para citar aqui. E acredito que os livros que leio me influenciam querendo ou não. Tudo que um escritor vive e lê está presente em sua escrita, mesmo de forma inconsciente. São todas essas experiências que compõe a voz do escritor.
      
    4. Já aconteceu de você conhecer alguém que leu sua obra, ou que estava lendo?

    R: Sim. É sempre emocionante ser abordado por um leitor. Muitos acabam virando amigos.

    5. Atualmente uma das maiores dificuldades encontradas por autores é publicar o livro no formato físico, até mesmo pelos valores altíssimos cobrados por algumas editoras. Você encontrou alguma outra dificuldade para publicar ou desenvolver sua obra?

    R: Eu não publiquei nenhum livro solo em formato físico. Participei de várias antologias, algumas pagas e outras não, mas preferi esperar uma boa oportunidade para publicar meus livros. Atualmente sou representada pela agência literária Increasy e essa negociação com editoras é feita por eles.

    6.  Você costuma recorrer á opiniões de terceiros durante o processo de escrita de um livro? Se sim, por que?

    R: Alba Milena, minha agente, é uma grande parceira. Sempre conversamos muito sobre o livro. Ela tem uma visão espetacular de mercado editorial, aponta erros e sugere soluções. Eu confio plenamente no julgamento dela e nada está pronto sem o aval da Alba. Essa troca é muito importante, principalmente se for uma visão técnica e imparcial. 

    7.  Quanto tempo demorou até que seu livro estivesse finalmente finalizado?

    R: O mal tem um nome que é o meu último livro demorou três meses, mas ele é um livro fino e foi baseado em um conto meu. Isso acelerou o processo. Acredito que seis meses é um prazo bastante razoável para escrever um livro de trezentas páginas.

    8. Pretende escrever outros livros dentro do gênero do primeiro livro?

    R: Sim, eu posso passear pela fantasia, ficção científica e até um romance, mas o terror eu não abandono

    9. Qual o pior inimigo de um autor?

    R: O preconceito e a pirataria. Infelizmente ainda há resistência de muitos leitores com a literatura nacional. Quando o preconceito é vencido e o leitor tem interesse na obra, a pirataria vem para reforçar a situação desfavorável do escritor nacional. Muitos leitores investem em livros de edições especiais de autores internacionais, mas o livro nacional é desvalorizado. Mas sou otimista e realmente acredito que o cenário está melhorando. 

    10. O que você faz quando uma ideia maravilhosa surge enquanto você está fora de casa e precisa registrar aquela ideia?

    R: Poucas vezes eu anoto no celular ou um pedaço de papel, guardo na cabeça e me arrependo depois (hehehe), a ideia nunca é tão maravilhosa no dia seguinte.

    11. Você acha que escrever enquanto se ouve uma trilha sonora de fundo, dá inspiração ou atrapalha?

    R: Eu não gosto muito, acabo dividindo minha atenção. Tudo depende do quão imerso você está no trabalho, posso estar em um local muito barulhento e escrever ou ler, mas se estou em casa prefiro o silêncio. 

    12.  De tudo o que você já escreveu, tem algo em especial que se orgulhe? Algum trecho, personagem ou terra?

    R: O meu preferido é sempre o trabalho atual e como nesse momento estou escrevendo “O Clube”, me orgulho muito dos narradores que escolhi. Como o trabalho não está concluído só posso adiantar que um livro bem diferente e vai surpreender meus leitores.

    13. Como foi a recepção do seu público com relação à sua escrita? Você acha que se surgisse a oportunidade de vendê-lo para fora do país, a recepção seria mesma?

    R: Estou no meu primeiro projeto de roteiro para cinema e exatamente por gostar de estudar a parte técnica, minha escrita se tornou muito visual. Essa é uma tendência internacional e tenho certeza que meu trabalho vai ser bem aceito em outros países. Fazer roteiro para quadrinhos também me ajudou muito nesse processo de desenvolvimento da “voz” do escritor.