Ads Top

[ENTREVISTA] Raphael Miguel, autor de "Ácido & Doce"

Raphael Miguel | Skoob | Acervo Pessoal | Divulgação

E a nossa entrevista de hoje é um "extra" complementar para a nossa resenha de Ácido & Doce. Raphael Miguel (30), é autor de "Criaturas do Submundo, 18 contos inéditos de dark fantasy", lançado pela editora wish em 2016. Após o sucesso estrondoso com uma escrita fantástica e cativante, o autor inspirou-se mais uma vez e presentou seu público com mais uma escrita surpreendente, nascendo assim "Ácido & Doce", lançado pela nossa querida Editora Xeque-Matte. Hoje iremos conhecer um pouco mais sobre o enredo, a elaboração, capa e ideias que fizeram surgir este livro incrível, e claro, muitas novidades. 

Confira:

01. PP: Fale-nos um pouco sobre como surgiu a ideia do enredo de "ÁCIDO E DOCE". 

RM: A criação de “Ácido & Doce” foi uma experiência surreal. De um dia para o outro já tinha a espinha dorsal da trama, com os personagens gritando para ganharem vida. Bastou parar, me organizar e começar a escrever para ver o projeto lapidando a própria forma. 

No percurso, alguns desvios de rota, alguns cortes, atalhos e remendos, mas sempre seguindo o mesmo rumo. A essência de “Ácido & Doce” se criou praticamente sozinha. Eveline, Lívia, Alejandro, Fyre, Lucy... Todos estavam lá. 

02. PP: Eveline é uma figura que chama bastante atenção durante todo o enredo. É confiante, possui uma personalidade forte, é bissexual. Como surgiu a ideia de trazer para seu livro a desconstrução de uma personagem bissexual como sendo uma protagonista?

RM: Gosto de acreditar que a sexualidade aflorada da Eve é apenas mais uma das características que a tornam única, é um reflexo de o quanto ela pode ser confiante, desinibida e até persuasiva. A verdadeira Rosa Fatal. Por outro lado, não sei dizer se ela sempre foi assim. 

Tudo indica que a transformação pela qual ela passou se deve muito aos seus anos perdidos na Europa e em função de suas intervenções a mando de Pettit LeBoun. 

03. PP: A mãe de Alejandro (Nina) possui um temperamento extremamente humanitário, porém, mesmo com todo amor e dedicação aparente, seu filho possui um intelecto e comportamento completamente contrário ao que ele recebe em casa. Como autor da obra, diga-nos: O que fez com que "o fruto caísse tão longe da árvore?"

RM: Você acredita que uma desilusão amorosa, ainda que na adolescência, pode vir a alterar drasticamente o caráter ou o comportamento de alguém? Acho que foi exatamente isso que aconteceu com Alejandro. 

O prólogo apresenta aos leitores um jovem de dezessete anos com a doce intenção de fazer com que a amada (Lívia) repense uma decisão tomada há algum tempo. Esse garoto era o próprio Alejandro e seu comportamento denotava certa educação vinda de berço. Mas ele mudou muito no salto de oito anos entre o prólogo e o primeiro capítulo homônimo ao protagonista. Muitas dessas mudanças têm a ver com o coração partido. 

Alejandro, bastante inseguro enquanto adolescente, precisou se reafirmar, sabe? Acho que foi nessa jornada tentando montar um “novo eu” que ele acabou se perdendo. Agarrou-se a alguns valores terrenos e moldou um caráter dúbio. 

Depois, com o decorrer da trama, o leitor ainda vai perceber que Ale está em uma nova fase de transição e desta vez quer impressionar ao amigo Rob Fyre. 

Ou seja, voltando à sua pergunta, Vidal é um cara que sempre busca se auto-afirmar e que quer a aprovação dos outros a qualquer custo. Faz parte da personalidade duvidosa dele. É o que explica o fruto cair tão longe da árvore. 


04. PP: O livro realmente terá uma continuação? Pretende escrever uma duologia, trilogia ou uma saga? Quais são seus planos para estes personagens?

RM: Nessa pergunta você me coloca contra a parede. A questão feita pelo narrador no epílogo é pertinente exatamente porque condiciona ao público uma possibilidade de continuação. 

Como autor, tenho plena consciência de que o universo inaugurado pela Rosa Fatal é bastante rico e comportaria tranquilamente uma expansão. Existem várias linhas que correm em paralelo ao momento que está sendo vivenciado por Alejandro e Eveline no livro. Há questões em aberto e personagens tão interessantes quanto os próprios protagonistas que podem ser trabalhados.

Irei deixar a pergunta no ar. Muitos dos meus leitores já vieram externar a vontade por uma continuação. Tudo que tenho a dizer é: Continua? 

05 . PP: Esta não é somente sua publicação mais recente, como também é a aposta da Editora Xeque-Matte para o mercado editorial. Como você imagina esta obra futuramente e sua respectiva recepção por parte do público?

RM: Primeiro, devo ser realista. Gostaria que meus trabalhos se tornassem verdadeiros marcos, que fossem conhecidos e reconhecidos por muitos, expostos nas prateleiras de inúmeras livrarias, mas não é bem assim.

O mercado editorial brasileiro não reflete esse sonho. 

Na realidade, espero sempre que sejam bem recebidos pela crítica especializada e que façam os leitores se prenderem. É tudo o que mais desejo.  

Devo dizer que tenho muito orgulho pela aposta da Xeque em meu trabalho. “Ácido & Doce” foi o segundo livro publicado pela editora (o primeiro foi “Brilho do Sol”, de Roseli Magro) e foi uma grande vitória para todos nós. Espero estar correspondendo aos anseios e gostaria muito de vê-los crescer cada vez mais. O potencial da Xeque-Matte é altíssimo.  

06 . PP: Você recorreu à alguém para ajustar alguns detalhes dentro desta obra? 

RM: A minha primeira leitora e crítica ferrenha é minha esposa. Há pontinhas do dedo dela em alguns detalhes da trama e sempre levo em consideração suas opiniões.  



07 . PP: Alguns dos seus personagens refletem de forma direta sobre algum conhecido ou pessoa que você tenha conhecido? Realmente alguns aspectos parecem muito reais (palpáveis, eu diria).

RM: Na verdade, Vitor, comigo não rola esse lance de se inspirar em alguém para criar determinado personagem. Uma vez, um senhorzinho que esteve presente ao lançamento d’ O Livro do Destino (meu primeiro livro solo), me disse que tudo que nós “criamos” nesta realidade existe em outro universo. Quem sabe não é verdade? Quem sabe em outro plano exista um Alejandro, uma Eveline, um Celso G...

08. PP: Sempre há algo que foge da visão e do entendimento do leitor durante uma leitura, por este motivo é bom ler e reler a obra para termos uma visão mais ampla acerca dos acontecimentos. Que acontecimentos o leitor de primeira viagem deve atentar-se mais durante a leitura de "Ácido e Doce"?

RM: Bem, costumo sempre dizer que nada é o que parece em “Ácido & Doce”. O recado é dado logo de cara ao leitor, assim que compara o prólogo com os primeiros capítulos. Assim, existem muitos fatores que devem ser percebidos com mais atenção e cautela. 

Alguns desses fatores primordiais são os personagens coadjuvantes e secundários. Claro, Eveline chama muito a atenção, assim como o próprio Alejandro à sua maneira. Mas, isso não quer dizer que o leitor deva menosprezar figuras como Rob Fyre, Kaline, Kaulir, Lucy e até Fred Castro. 
Garanto que se o leitor se atentar mais a esses outros personagens, terá uma experiência ainda mais interessante ao experimentar “Ácido & Doce”. 


09. PP: Pretende escrever outros livros dentro do mesmo gênero, ou pretende expandir seus horizontes e tentar navegar por novas águas?

RM: Como escritor, gosto sempre de me desafiar a navegar por águas novas. As participações em antologias foram cruciais para um melhor desenvolvimento das técnicas de narrativa pelos mais variados gêneros. Já escrevi histórias de terror, suspense, romance, drama, fantasia, ficção científica, policial entre outros. O próprio contraste entre meu primeiro livro, “O Livro do Destino”, e “Ácido & Doce” reitera isso. Então, procuro sempre expandir meus horizontes. 
Contudo, não quer dizer que não voltarei a visitar a linha impressa por A&D. Gostei bastante de trabalhar nessa temática, a forma frenética como o enredo foi construído e a interação entre os personagens. É bem possível trazer novos títulos nessa mesma pegada e gostaria muito de ter a oportunidade de fazer isso acontecer.  

10. PP: Qual a mensagem central do seu livro? Existe algo que você queira passar nas entrelinhas? 

RM: Penso que “Ácido & Doce” é um tanto quanto despretensioso em relação a deixar uma mensagem, sabe?  Talvez, a grande lição da história é que as pessoas são falhas e passíveis de decepcionar aos outros. Quase todos os personagens do livro são falhos, pessoas com defeitos e que, cada uma a seu jeito, decepcionaram outras pessoas.  

11. PP: Agora para finalizar: Que conselho você daria para quem está ingressando AGORA no mundo literário? Para as pessoas que estão começando a escrita do seu primeiro livro? Desde já, agradeço sua disposição e participação para responder nossas questões. Sucessos.

RM: Poderia fazer até mesmo uma série de dicas, mas vou mandar 3:

A - A primeira dica que posso dar é: se tens um sonho, escreva-o. O mundo literário é feito de sonhos e esses sonhos se tornam histórias para serem compartilhadas. O livro que não surge  de um sonho, não envolve paixão. Mesmo que seja um sucesso do mercado, será um trabalho sem alma, um livro vazio. 

B - Antes de tudo, escreva para si mesmo. O escritor deve ser seu maior fã. Se você está começando a escrever pensando na opinião dos outros, o que irão achar de seu trabalho, está fazendo algo errado! Se você não escrever aquilo que gosta, se não olhar para seu trabalho sentindo orgulho, estará fracassando muito em breve.  

C – Seja crítico quanto ao seu trabalho. Apesar de ter que amar aquilo que escreve, você deve ser capaz de enxergar aquilo que não está tão bom no final das contas e saber trabalhar com isso. As histórias quando terminadas tendem a ser cruas e devem ser revisadas quantas vezes forem necessárias, como um diamante a ser lapidado. Apesar de ser seu maior fã, deve ser seu maior crítico.

Muito obrigado pela entrevista e pelo interesse em meu trabalho. Espero que as respostas tenham sido a contento, pois sinceras. Sucessos! 

Tecnologia do Blogger.