• NOVIDADES

    segunda-feira, junho 05, 2017

    [ENTREVISTA] Um bate papo descontraído com Danilo Barbosa, escritor e agente literário



     Google imagens


    CONHEÇA AS OBRAS DO AUTOR:




    Sinopse:


    Como uma deusa cruel e vingativa, destruirei todos que estiverem em meu caminho...
    O que você seria capaz de fazer por vingança? Suportaria uma vida cercada de mentiras, traições, dores, crime e morte? Ana sobreviveu. Pagou o seu preço com marcas que o tempo nunca será capaz de apagar. Deixou para trás toda a inocência de criança para dar lugar a uma mulher fria e calculista, disposta a ser a perfeita arma de execução contra aqueles que tentaram destruí-la. Para conseguir os seus objetivos, não terá limites: irá mentir, enganar, seduzir e trair... Sem remorsos ou pena daquele que um dia julgou amar. Prepare-se para ouvir a história de Ana. Caminhe na tênue linha entre a paixão e a obsessão e veja como até os príncipes encantados tem o seu lado sombrio. Afinal, esta não é uma história de amor.




    Sinopse:

    Há tempos, entre os postes brilhantes e solitários da Lapa, houve um castelo feito de amores e ilusões perdidas. Nele, entre cortinas e brocados, existiu uma bela mulher, prisioneira de sentimentos perdidos e marcada pelo desejo dos homens. Uma mulher inesquecível, que foi chamada e ovacionada como a Princesa da Lapa. Jonas é um jovem escritor capaz de escrever as mais belas histórias de amor, mas não de vivenciá-las. Por ter sido abandonado por aquela que considerava a mulher da sua vida, ele não acredita mais em finais felizes. Até que, em uma noite, uma misteriosa senhora o encontra, disposta a lhe contar a sua história... A partir do momento em que a fantástica personagem começa a se revelar ao cético criador de histórias, um novo conto de fadas se revela aos olhos dos leitores, mostrando um mundo de paixões vorazes, sensualidade, poderes supremos e a eterna luta do bem contra o mal. Sejam bem-vindos à incrível e instigante história daquela que ficou conhecida para sempre como A Princesa da Lapa.





    ENTREVISTA COMPLETA


    CATRACA SELETIVA: Nos conte um pouco sobre a sua trajetória como escritor?

    Penso que a minha carreira de escritor veio da paixão pela leitura. Eu sempre li, desde que me conheço por gente e acho que a vontade de escrever veio naturalmente. Sempre digo que as ideias foram se acumulando em minha mente, até que tiveram de transbordar em forma de palavras.

    CS: Além de escritor, você também é agente literário. Nos conte um pouco como é que é lidar com o trabalho de outros escritores e acompanhar as suas respectivas obras e carreiras.

    É cansativo, como todo trabalho que vestimos a camisa, mas extremamente gratificante. Isso ainda é mais visível quando nos vemos em um mercado em crise, como o atual. Agenciar um autor e sua obra não é apenas negociá-lo com as editoras, é representar ambos os lados na negociação, avaliando o que é bom para ambas as partes. Você deve ter cuidado com cada obra como se fosse sua, e acreditar em cada título, mergulhar no universo do autor. Tem de lidar com prazos, esperas, ansiedades e frustrações. Mas cada vez que tenho uma obra negociada e, por fim, o exemplar pronto nas mãos; ao perceber a alegria do autor ao ver sua obra ali, viva, diante dele, você tem a certeza de que está na profissão certa.

    CS: Já houve divergência de pensamento entre você e um escritor agenciado? Quando isso acontece, como você busca resolver?

    Já, é claro. Somos pessoas diferentes e muitas vezes tenho de deixar o pensamento “meu livro, meu filho” de lado e pensar por questão mercadológica. Ás vezes temos obras incríveis, que simplesmente não seguem o rumo planejado, outras que são verdadeiros azarões, que acabam dando muito certo. E fazer o autor ver que nem sempre temos em mãos aquilo que ele sonhou para sua obra ocasionalmente é complicado. O que faço é tentar entrar em comum acordo, tentar achar um meio que reduza as expectativas e, consequentemente, as frustrações do autor.

    CS: Você acha que o mercado literário está saturado?

    O nosso mercado é recente, não teve tempo de saturar. Acho só que ele precisa ser melhor estruturado, não só nas editoras, mas nos leitores. A falta de investimento no nacional, por exemplo. A segmentação dentro da livraria, ou até mesmo o preconceito dos leitores sobre alguns gêneros. Outra coisa é que quando algo dá certo, como “vampiros”, por exemplo, como foi na época de Crepúsculo, o mercado todo quer acompanhar a onda e publica o tema até a extinção, esquecendo-se de que o leitor não vai ler só aquilo. O resultado? Depois de um tempo, quem lê com frequência vai dizer: Nossa, mais um livro desse gênero?! Fazendo que as vendas caiam. Manter um catálogo diversificado, em proporção, é muito mais atraente e abrange uma gama maior de leitores. E isso é só um exemplo.

    CS: Como se dá o seu processo de criação?

    Com essa vida doida, o meu processo criativo é quase como um dique rompendo. Tenho de trabalhar muitas vezes com o meu personagem gritando na minha cabeça, pedindo atenção, enquanto cuido de lapidar os outros ou fazer negociações. Como estou trabalhando em dois livros no momento, tento dedicar em dois dias pelo menos um período a eles, para fazer um capítulo. Mas tem dias que não aguento e faço a noite mesmo, quando consigo deixar o agente de lado, após as 22h, normalmente. Aí fico escrevendo até as 3, 4 horas da manhã. E só acho o capítulo devidamente finalizado depois que olho uma, duas vezes e acho que está bom.

    CS: Como você definiria Erotismo?

    O erótico é o insinuar, é o jogo, quando a imaginação proporciona muito mais desejos que o próprio ato sexual. É aquilo que mexe com a libido, que incita e excita. Uma troca de olhares, um jogo de palavras, a textura de uma pele, as sensações proporcionadas. O que te deixa pronto para leva-lo ao ápice, que é o sexo em si. Se colocarmos apenas o sexo, sem o jogo de sedução, o erótico se torna pornográfico, o que muitas vezes é uma linha tênue.

    CS: Como surgiu a ideia do livro A Princesa da Lapa?

    O primeiro insight foi um filme que eu vi sobre uma releitura da Bela Adormecida, em que a protagonista tomava remédios para dormir para atender os seus clientes como prostituta. Achei aquela ideia surreal, e pensei se fosse para eu fazer a minha ideia de conto de fadas, como seria. Foi ali que foi plantada a sementinha. O resto veio aos poucos, tomando forma, criando laços com a minha mente. Foi um processo longo de pesquisa e escrita, entre 2 e 3 anos, mas quando terminei estava apaixonado pela trama e suas reviravoltas.

    CS: Como autor-leitor-agenciador, qual a dica que você daria para os jovens escritores brasileiros?

    Tenha muita humildade, disposição para trabalhar e perseverança. O caminho não é fácil e escrever é apenas o começo da jornada. Os primeiros passos em se tornar conhecidos serão seus, e de ninguém mais. Publique nas plataformas digitais, invista no seu trabalho, conquiste o seu público e o torne fiel. Esse é o primeiro passo para adentrar o mercado das grandes editoras. Portanto, ser escritor e viver de literatura não é status, ou fácil, é inspiração, muito trabalho e vontade de mudar o seu mundo e as pessoas à sua volta.

    CS: Para você o que é angústia?

    Angústia é o sentimento de estranhamento do mundo. É ter de se limitar para não assustar o outro, ver a violência e as coisas cruéis acontecendo, e as pessoas agirem como se fosse algo banal. É sufocar com as palavras que não podemos dizer, ou escrever.

    CS: Como você definiria a pessoa mais completa do mundo?

    A que estiver bem consigo mesma, em todos os sentidos. A que sabe ouvir a sua paz e voz anterior em plenitude. A que não precisa ultrapassar o espaço do outro, ou achar que depende do outro para ser feliz. Aquele que transborda coisas boas o suficiente para doar, sem se preocupar em retorno.

    CS: Você acredita na literatura como uma forma de denúncia das mazelas sociais?

    A maior arma de um povo é o seu conhecimento, a sua palavra. Quando falamos de um tema, quando orientamos as pessoas sobre ele, seja em histórias reais ou ficcionais, as colocamos para pensar. Então, sim, creio na literatura que tira da zona de conforto, que denuncia e começa a pedir por mudanças.

    CS: Quais as suas referências literárias?

    São tão variadas. Não consigo ler coisas de desenvolvimento pessoal, desses eu passo longe, mas ficção e biografias sou viciado. Acho que minha maior referência a nível mundial é Stephen King, que navega pelos mais variados gêneros da ficção com brilhantismo – apesar de algumas obras com final discutível. Também gosto demais de Sidney Sheldon – referência total, Ken Follet, Jeffrey Archer, Anne Rice, Jodi Picoult, Jojo Moyes, e por aí vai. No Brasil vou desde Lúcio Cardoso, Letícia Wierchowsky, Carina Rissi, Heloísa Seixas, Ana Miranda, FML Pepper, Raphael Montes, Vinícius Grossos, isso sem contar os meus agenciados, que sou fã incondicional. Poderia fazer uma entrevista inteira só sobre eles.

    CS: Quais os autores nacionais atuais que estão fazendo barulho por aí pelos quais você mais sente afinidade pela obra?

    Gustavo Ávila, Daniel Galera, Nana Pavoulih e Ana Beatriz Brandão, entre outros que falam com os leitores se tornando referência de seus segmentos, outros ainda vão dar muito o que falar. Entre o pessoal da DB temos ideias extremamente originais, como o Tarsis Tindarsam, com seu Unicelular, ou Thati Machado, com Singular. E autoras que saem da zona comum, como S.Miller com Profano e Um lugar no coração, Ju Mendes com Nosso Quarto e Ceres Marccon, com O Ascendente. E posso aumentar ainda o rol com Roxane Norris, LM Gomes, e por aí vai... Desculpa se esqueci alguém.

    CS: O que há em Arma de Vingança que não há em A Princesa da Lapa?

    Uma linguagem mais ágil, mais direta. Mais ação e muito menos romance hahahaha.

    CS: Nos conte sobre os Contos Secretos. De onde surgiu a ideia? O que você pretende com eles?

    A ideia surgiu após fazer o Tardes Sensuais com as meninas. Afinal, ser o único homem no meio de 30 autoras, na maioria deles de romances eróticos, permite que ouça muitas coisas, inclusive os fetiches e desejos da mulherada. Isso sem contar que muitas pediam para eu tentar escrever algo. Foi assim que surgiu o primeiro conto, finalizando em cinco best-sellers na plataforma Amazon e dois que ainda estão inéditos. Logo postarei na Amazon o livro completo, em um só volume. Pretendo ter planos de produzi-lo impresso mais para frente.

    CS: Faça-me uma pergunta.

    Quais os seus livros nacionais preferidos?

    CS: O que você tem a dizer para seus leitores e os leitores do Catraca Seletiva?

    Obrigado por fazerem do hábito de ler uma realidade. Leiam sempre, leiam mais, divulguem a literatura nacional. Afinal, o que são dos livros sem os leitores? Obrigado imensamente pelo carinho de todos vocês <3



    Respondendo a pergunta do Danilo, os meus autores prediletos são Clarice Lispector, Adriana Vargas e Josy Stoque. Amo de paixão. 


    E vocês seus lindos, o que acharam da entrevista? Deixam as suas opiniões e suas mensagens de carinho para o Danilo nos comentários.

    Beijos.