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[RESENHA #151] Carne Viva, Carla Torrini

Acervo Pessoal | Divulgação

CARNE VIVA. TORRINI, Carla. São Paulo: Cultura em Letras Edições. 2017, 109p. ISB 978-856-820-913-4 / R$ 35,00

Resumo nas palavras da autora: Não sou poeta da correção e nem da poesia correta. Não sigo regras nem políticas que se denominem absolutas. O meu grito é o coração, é a veia que arrebenta, é a paixão que explique, é a alma que se dá. Desculpem os falastrões das normas enquadradas do social estipulado pela ditadura da normalidade e do discurso da perfeição. Sou poeta, sou vida, sou falha, sou erro, sou profana, santa, andrógina, escatológica. Simplesmente sou!

Palavras-Chaves: Poesias, Carne Viva, Cultura em Letras Edições

Mais uma vez Carla Torrini tira-nos o chão e coloca-nos para voar desnudos em  um emaranhado de sentimentos que evocam nosso interior à se exteriorizar.  Trazendo-nos para fora de nossa zona de conforto, Carla Torrini permeia em narrativas eloquentes, complexas e contemporâneas acerca dos sentimentos que corroem, destroçam e ferem nosso interior. Um misto de desejo e desespero transpassam suas páginas e atinge-nos de forma visceral e  imprescindível.

Mostrando-nos os desejos, vontades e sentimentos já conhecidos por nós, Carla traz consigo uma nova visão de um mundo só seu, onde poderemos desfrutar de suas próprias verdades, desejos e delicias. Um misto de tesão profano, sentimentos insanos, verdades insensatas e desejo transcendentes.  E a paixão? "A paixão de me sentir e de te sentir, a sensação de sentir tudo o que me bate a porta, de dizer sim ao destino, seja ele qual for. Sentir o sangue se derramar, anemia de amor, leucemia de paixão, overdose de tesão, vício de sedução, mania de emoção e o lupanar da carne na essência do coração (pág. 42)".


O desejo de provar do tesão e sentir a emoção que excede da excitação da carne — A carne me fascina e me seduz, a carne me excita. Seus contornos, odores, fraquezas, tonalidades, espessuras e seus suores... A carne me excita (...). Um misto prolongado de toda sua ousadia descritiva presente em sua primeira obra "Heterônimos da dor", porém, mais intenso e mostrando-nos sua capacidade de sentir além das vontades e dos desejos, é como se Carla fosse capaz de desmembrar qualquer ser sem ao menos toca-lo, somente decifrando-o e colocando seus desejos a mercê das vontades carnais.


"Curvei-me às tuas vontades, assim como se curva ao seu Deus único e soberano" — (pág. 51). Com toda sua altiva e objetiva, leva-nos à passear por seu universo de sentimentos e desejos, onde sentiremos não uma, mas diversas vezes a excitação de suas palavras, o calor de seus sentimentos e o tesão explícito em sua narrativa. Seremos como uma exposição de carne viva entregues aos sentimentos mais mundanos e profanos existentes, onde seremos convidados à nos fartar de todo sentimento de posse e  desejos dentro dos labirintos que desconhecemos dentro de nós.


Carla entrega-nos um manuscrito repleto de todo desejo ardente, sedento e excitante que a vida pode nos permitir — "Há um lado dizendo sim, mas tantas coisas dizendo não. Não sei para onde ir, nem que caminho traçar" — pág. 67


Convido-os para deliciarem com essa chacina de emoções descritivas e corrosivas expressar por Carla Torrini.


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COMENTÁRIOS PESSOAIS

Acervo Pessoal | Divulgação


A obra de Carla Torrini intensifica-se e ganha novos horizontes à cada linha linha. Desde seu primeiro livro "Heterônimos da dor", Carla proporciona-nos um misto de emoções e sentimentos à "céu aberto", onde poderemos experimentar os mesmos sentimentos que outrora sentimos, só que intensificados e redobrados. Com uma escrita inconfundível, este livro é um convite ao nosso interior, e principalmente aos nossos desejos e pecados.

Carla antes de escritora e poeta, é acima de tudo, talentosíssima e repleta de todo ardor que possa existir na vida e alma de um verdadeiro poeta. Sua escrita mostra-se cada vez mais prolífica e altiva nos tópicos aos quais se propõe apresentar. Realmente um livro para quem deseja sair da zona de conforto e abandonar o raso e nadar por áreas desconhecidas e inabitadas. 
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