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[RESENHA #152] Do inferno, Dylan Ricardo

Acervo pessoal | Divulgação

Uma obra poética tão prolífica, que dispensa prefácio. Dylan Ricardo possui uma escrita peculiar e unica que nos é apresentada como golpes de facada. Seu livro "Do Inferno", dispensa todo e qualquer comentário acerca das reflexões apresentadas em suas minúcias. Experimentaremos fortes doses de sensações e sentimentos evocados pelas incertezas que circundam nosso eu, de dentro para fora e de fora para dentro. "O luto é a luta da certeza com a negação" — (Pág. 15).

Pois desperdício de tempo é regar transitório e criar o que será destruído (pág. 63). Destituindo-nos de nossos sentimentos, somos entregues a mercê de alguém que conhece como ninguém os sentimentos que encontram e dilaceram nossas lembranças, passado, futuro e presente. Encontraremos uma narrativa repleta de suscetibilidades que ligam uma problemática á outra, tais como um "cotidiano", "lotado", repleto de "luto" e "revoltas". Paira sobre a dúvida acerca das vontades de Dylan com sua escrita que instiga, mas ao mesmo tempo, me rasga com relação às suas dúvidas existenciais com relação a vida, ao que vem a ser abstrato, real ou ilusório — "O passado as vezes traz a subjetividade, na mente quase torna-se encanto, como se criasse um máfico recanto de coisas boas demais para ser verdade(pág. 55). 

Sou uma falsa esperança esvoaçante como borboleta de asa rasgada (pág. 46). Ao mesmo tempo que nos encontramos dilacerados, somos apresentados à um universo paralelo "só nosso", onde nossas reflexões permutam em uma velocidade na qual não somos capazes de conduzir, por que em meio aos versos repletos do desastre que intensifica-se em nossa vida no sentimental, social e profissional, poderemos deliciar-nos com breves sensações de que talvez nem tudo esteja perdido, "cada vez que provava, eu me convencia, que momentaneamente, era o que eu queria" (pág. 34).

Acervo pessoal | Divulgação


"Eu tenho uma guerra na cabeça e uma criança morta nos olhos, que me faz recordar de quem fui a cada noite que não consigo dormir" — (pág. 35). Arrependimento que intensifica-se na forma de insônia, de incerteza ou de incapacidade de aceitar o presente. Um verdadeiro INFERNO. 

Por isso Dylan me surpreende cada vez mais. Cada linha, cada verso, cada poema é uma extensão de seus sentimentos intensificados. Posso sentir o êxtase que foi alcançado ao elaborar cada verso. Poetizar é a tarefa mais complicada de todos os tempos. É necessário identificar o sentimento, o momento e o tempo e transmiti-lo em escrita num pedaço de papel ou até mesmo em uma anotação rápida que ganhará vida logo em seguida, dando espaço para sentimentos e deixando espaço para incertezas. — A todos e tudo que de alguma forma contribuiu para a diária e gradativa destruição da minha sanidade. O inferno criado pelo autor remete-nos á inquietações diárias, repletas de uma sucessão de acontecimentos expressos em 104 poemas, que de alguma forma, mostra-nos um universo com o qual não queremos contribuir ou até mesmo fazer parte. Seu poema e sua forma de criar poesias e narrar fatos e acontecimentos, mostra-nos incertezas, desejos, vontades e sobretudo, contentamento.

COMENTÁRIOS PESSOAIS

Acervo pessoal | Divulgação


Eu ainda não consigo me localizar nas palavras de Dylan. Talvez a mágica da poesia seja essa: considera-la e sentir-se renovado e sentir que as palavras possuem à cada leitura, um novo e real significado. "Do Inferno" é um misto de tudo o que não gostaríamos de sentir ou viver, porém, também é um misto daquilo com o qual estamos habituados, centrados ou simplesmente contentados em receber da vida. 

A prolífica capacidade de Dylan em expor-nos ao seu mundo unico e paralelo, remete-nos á inquietações em uma viagem por páginas que prometem uma aventura rumo ao desconhecido. Realmente um trabalho incrivelmente louvável. Ah quem diga que estar no inferno é simplesmente questão de opinião, ou talvez de ponto de vista.

Uma obra profunda, clara e objetiva em diversos pontos e aspectos. Leitura indicada para todos amantes de um bom livro, de uma boa poesia, e sobretudo para os fãs de filosofia que indagam-se o tempo todo e procuram por respostas há muito não encontradas.
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