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[RESENHA #153] Emoções, Suely Abardes


Emoções, ABARBDES, Suely. Rio de Janeiro: Ler Editorial, 2017. 88p. ISB 978-856-892-544/7 / R$ 20,50

"Encontrei nosso amor escondido, num cantinho sombrio em meu peito, aninhado entre sonhos desfeitos" (pág.25) — Existe sempre um engasgo dentro daquelas pessoas que muito vivem e pouco relatam. A poesia é uma das formas mais doces, singelas, simples e objetivas de descrever aquilo o que não conseguimos falar. É como se nosso eu interior lutasse para se exteriorizar em uma folha de papel. É como se fosse um grito evocado de dentro para fora que luta para sair, quando todas as palavras já se foram. E devo dizer, ninguém melhor que Suely Abardes consegue transmitir-nos toda a essência da poesia. Este é o primeiro livro que leio da autora, e devo-lhe dizer que estou perplexo com tamanha capacidade descritiva. Pude sentir todo seu êxtase, paixão e todo seu descontentamento em algumas horas e nas suas "graças" em outras. 

"Sem alusões dúbias ou contemporização, a verdade é que sinto nessas questões alusivas aos nossos sentidos, que aqui no plano físico, todos nós estamos é mais para animais do que para anjos" (pág.24) — Com toda sutileza do mundo, somos levados à um universo alternativo de reflexões acerca da existência do nosso eu e de nosso próprio sentimento e até mesmo, a existência da existência. Existimos aqui e agora, nos contentando com divagações, achados, regressos, esperança e cansaço. Vivemos acreditando e seguindo rumo ao desconhecido, onde somos arremessados contra lembranças, sentimentos e emoções evocadas pelo nosso temperamento, pela vida e sobretudo por nosso consciente. 

Em narrativas claras e objetivas, Suely mostra-nos o lado doce, amargo e até mesmo o lado azedo do existir. Porém, também seremos capazes de experimentar o lado glorioso dos momentos de esperança em meio às aflições. Uma obra poética escrita por alguém que exala poesia por entre as narinas. Por alguém que respira e vive o que é palpável ao toque das mãos, visível aos olhos e por alguém que sabe expressar-se na forma, no gênero e no grau ideal da poesia.

Viajaremos por meio do mar da solidão — "Nas lembranças que guardei, vejo em teus olhos verdes, tua alma inconsequente. Adúltera e impura, revelando para mim a desconstrução de tudo" (pág.40). Pela incredulidade de atos mau executados em nome de um amor que foi em vão — "Simplesmente, não creio, no que fiz por te amar. Na insônia do meu leito, por tanto chorar de amor, preciso entender porquê, endurecido estão, meu coração e meu eu." (pág.50).

Permita-se navegar por ondas misteriosas e desconhecidas. Permita-se entregar-se aos devaneios e sobretudo à capacidade prolífica e audaciosa de Suely em entregar-nos e entregar ao mundo não somente seus manuscritos, mas também seus sentimentos escritos gloriosamente com todo esplendor e graça que um verdadeiro poema deve ter.

COMENTÁRIOS PESSOAIS

Suely Abardes possui uma capacidade genuína e prolífica com a escrita. A poesia é algo que está em seu sangue. Descrevendo entre um sentimento e outro, entre uma realidade e outra, poderemos observar sua capacidade de enxergar a profundidade dos acontecimentos e na maestria em relata-los de forma tão graciosa e singela em poesia. 

Esta é a mais nova aposta da Ler Editorial, e devo dizer — e atrevo-me — que Suely tem tudo para ser a poetiza mais conhecida deste Brasil. Ela tem tudo o que uma artista contemporânea possui: Audácia, ousadia, graça e singularidade. Tudo isso dentro de um universo próprio, onde poderemos experimentar, sentir e deglutir de seus sentimentos mais íntimos nas folhas deste livro que mais parece um mar de rosas.

Indicado para todos os amantes da poesia e das grandes artes que somos capazes de produzir. O trabalho editorial realizado pela Ler Editorial e pela Cátia Mourão estão impecáveis. 
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