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    segunda-feira, junho 12, 2017

    [RESENHA #146] No. 1643, Wellington Fochetto

    Acervo Pessoal | Divulgação

    RESUMO: Que língua é essa, que tornada escrita, registro literário, continua ecoando em nossa mente, em nosso coração? Que se descortina sem se deixar ouvir por completo? Que papo é esse? Que língua é essa? Que história é essa? Onde se passa? Em que ano?

    Palavras-Chaves: Terror psicológico, Fochetto, Chiado Editora


    Acervo Pessoal | Divulgação

    No. 1643. JUNIOR, Fochetto. São Paulo: Chiado Editora, 2016. 112p. ISB 978-98-9516-351-9 / R$ 25,20

    No. 1643 é uma das poucas, porém, épicas narrativas onde a protagonista é uma figura feminina.  Catalogado dentro do gênero ficção, o livro pode ser considerado também um horror psicológico. Aqui iremos discorrer sobre Camila. Tudo começa com um diário, Camila possui em seu poder uma chave que faz com que tudo em seu diário ganhe vida (não literalmente). A chave pertencia à amigos, e curiosamente a garota começa a sentir um desejo de adentrar a residência e começar a registrar, porém, a pressão de se estar em um local completamente abandonado e sozinha é assustadora. Em uma narrativa instigante que permeia entre a dúvida e as incertezas.

    A narrativa do livro é inteiramente objetiva aos fatos nos quais se propõe narrar. O diário de Camila mostra-nos suas incertezas acerca de suas viagens, impressões e momentos dentro da casa. Este é um livro complexo, porém, com um enredo simples e objetivo. Até mesmo os leitores mais exigentes podem se sentir perdidos se lê-lo de forma banalizada (sem prestar atenção nos detalhes). A primeira parte do livro é inteiramente repleta de suspense e enigmas (perguntas e questionamentos que serão respondidos sucessivamente). 


    Acervo Pessoal | Divulgação

    Neste conto Fochetto optou por escrever uma história repleta de todo suspense que podemos encontrar em um livro. Camila narra personagens secundários e terciários sem citar seus nomes, apenas as iniciais de seu nome, isso com toda certeza desperta curiosidade nos leitores e faz-nos levantar mais questionamentos: Qual o sentido em abreviar o nome? O sentido existe, só está implícito e por este motivo é necessário lê-lo atentamente. 

    43. Vejo pessoas a morrer — Aqui mesmo, agora mesmo. Do outro lado do mundo. (pág. 68)

    Como podem observar na citação anterior, a obra é escrita como em forma de um diário enumerado, como se as anotações fossem feitas propositalmente seguindo uma ordem numérica, onde poderemos observar a minuciosidade o cuidado do autor para relatar, descrever e enaltecer detalhes que passam —por muitas vezes — desapercebidos por nossos olhos, são enfatizadas em outros manuscritos de Camila.

    O que é mais horripilante e aguça mais nossos sentidos? Camila e seus manuscritos cheios de tensão e indagações, ou a história da casa e "sua falecida"? Este é um convite que deixo aberto para que venham conhecer e se perder dentro de si, como camila se perdeu.

    3. Eu? Quem sou? Estranho-me a mim mesma. Há vezes em que não sei dizer se sou mulher ou homem — nenhuma conotação de orientação sexual —: Sinto-me um espírito — Apenas um espírito. (pág. 23)

    A melhor forma de compreender o universo criado por Fochetto é realmente adquirindo o livro. A leitura flui de forma rápida e prende o leitor até a última página, inclusive, a leitura não deve durar mais que duas horas (tempo em que finalizei minha leitura).