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[RESENHA #155] Log #1525, B. Demétrius

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LOG #1525. Demetrius, B. Portugal: Chiado Editora, 2017. 285p. ISB 978-989-519-949-5 

RESUMO: Log #1620 C Se você está lendo isso é porque provavelmente este maldito cubo de gelo gigante me venceu. Ou pior! Virei motivo para as masturbações mentais dos burocratas da companhia. Merda! O treinamento especial na Amazônia, os anos na “geladeira” nos confins do sistema solar, minha ex-mulher – nada me preparou para isso. Nada! Acordei sob os destroços de um pod de sobrevivência, em um planeta gelado e escuro. Estou com uma puta ressaca de hipersono, um gosto horrível de metal na boca e essa desgraça de implante cibernético na minha cabeça não para de falar! É a mesma coisa que ter uma velha com Alzheimer com acesso garantido aos meus pensamentos. Trabalho fácil, pagamento gordo e um contrato com letras bem miúdas. Claro que eu iria me ferrar, claro! Droga, tudo que eu queria agora era um café…

Palavras-Chaves: Sci-Fi, Literatura Nacional, #EuLeioNacional

Log #1525 é um dos Sci-Fi que prometem abalar o psicológico dos leitores brasileiros. Brasileiríssimo, produtor de arte, ilustrador, escultor e autor, B. Demetrius é fã número um de uma aventura espacial, do conhecimento pelo desconhecido e das galáxias que invadem nossa imaginação ao entrarmos em contato com uma boa escrita ou produção cinematográfica do gênero. Em log #1525 iremos adentrar nos registros espaciais de uma viagem que promete nos deixar perdidos, confusos e procurando por respostas dentro de seu enredo minuciosamente escrito com diversas referências.

Em um papo para lá de descontraído com o autor, tivemos acesso à algumas de suas referências para construção de seus personagens, paisagem e principalmente para seu ponto central de impacto: O referencial. Em um gênero que muito já se foi explorado, descrito, criado e recriado, B. Demétrius traz-nos a sensação de que nem tudo está perdido, e que SIM, é possível escrever um bom Sci-Fi sem ser previsível ou deixar-se influenciar por outras histórias. 

Nesta obra não iremos discorrer sobre os acontecimentos em si, mas sobre o que foi resgatado dos logs (registros) dos acontecimentos. Em um Sci-Fi que eu catalogaria sem nenhum problema em "Horror psicológico", somos guiados para lugar nenhum por alguém que encontra-se perdido, sem recursos e completamente isolado de uma civilização ou ajuda. Eis que nosso protagonista (major) encontra-se desperto em um planeta desconhecido, frio, escuro e completamente desertificado. Sem recursos ou saída, o major conta apenas com um sistema operacional de inteligência artificial implantado em um microchip em sua cabeça. Por diversos momentos somos guiados pela escuridão fria e gélida do planeta em meio aos monólogos e sustos psicológicos, não é de se admirar que alguém perdido no meio do nada comece a falar sozinho. 



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Como dito anteriormente, B.O.R.I.S é um sistema de inteligência artificial capaz de se conectar remotamente com qualquer hardware da companhia que possua os mesmos protocolos que ele. Ou seja, a nave na qual encontrava-se o major, anterior aos acontecimentos, era capaz de responder perfeitamente aos comandos de B.O.R.I.S. Crente de que o sistema operacional em sua cabeça se comunica consigo, nosso protagonista narra todas as suas vivências, necessidades e expectativas como se criasse um diário de bordo em seu psicológico, onde nós, somos convidados a adentrar, conhecer e esmiuçar pormenores desta viagem horripilante.

Com uma proposta rica em detalhes, o leitor deverá ter os pés no chão e ser atento a leitura para não se perder em meio a história. Rica e complexa em dados científicos, referências e acontecimentos, iremos criar questionamentos dentro de nós acerca dos monólogos, dos acontecimentos e da sucessividade da história, sempre nos questionando acerca da veracidade dos acontecimentos aos quais nosso protagonista está passando. Será que suas narrativas, medos e frustrações em um planeta desconhecido e gelado o fizeram ficar louco pela ausência de contato humano, ou será que ele realmente está lúcido e capaz de registrar e responder por si só? Como tudo começa é uma questão ponto de vista. Ser um leitor atento, buscar compreender os detalhes e escavar dúvidas, torna esta viagem cada vez mais desejável.


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Uma dica valiosa para quem deseja adentrar as páginas deste livro e caminhar por um mundo sombrio e gélido, é excluir todas as expectativas que surgirem em sua mente, afinal, este livro irá suprir todas. É claro que uma viagem ao espaço não é novidade dentro do gênero, mas se você for atento aos detalhes, as descrições e sobretudo, ao cenário imposto pelo autor, você será capaz de identificar um enredo diferente de todos os outros. Uma proposta nova, eficaz e capaz de despedaçar o seu psicológico. Sua saúde mental pode ir parar no espaço e perder-se em meio a um emaranhado de questões que podem surgir a cada anotação lida/observada. Sonho? Realidade? O que o major está realmente passando? Qual seu nome, de onde vem, o que seria B.O.R.I.S? Realmente, este universo tem muito a ser explorado.


Dotado de uma extrema habilidade descritiva, Demetrius leva nosso consciente para dar uma caminhada em meio a neve, a perdição e sobretudo a ausência de direção. 

O livro torna-se ainda mais rico se observarmos pela ótica de que o autor conhece bem o terreno ao qual criou para explorarmos. Ele é detentor de toda sabedoria científica (nos termos de leitor) para criar, desenvolver e até mesmo destruir caminhos e criar alternativas que casem com a lógica, que deu a ênfase necessária para viagem do major tornar-se cada vez mais intensa. Prolífico é a palavra a qual deveremos utilizar de agora em diante para categorizar este autor que aventurou-se e atreveu-se a escrever uma história cujos detalhes, personagens e paisagens são de extrema complexidade. A literatura brasileira realmente fica cada dia mais agradecida por autores ousados e destemidos aventurarem-se em novos ares e terrenos.

Embarque nesta viagem cheia de medo e incertezas junto com major, B.O.R.I.S e sobretudo, com sua consciência de que tudo pode mudar a qualquer instante. O livro foi impresso/editado pela Chiado Editora, a qual temos em grande estima pelo excepcional trabalho desenvolvido a cada livro lançado, e neste, não poderia ser diferente. Observemos o rigor com o qual foi tratado o desenvolver de cada trechinho inspecionado minuciosamente pela editora. 

COMENTÁRIOS PESSOAIS

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As questões mais importantes do livro obviamente só são desvendadas parcialmente no final de toda a leitura. E isso é algo extremamente interessante, visto que é uma manobra usada por poucos autores novos dentro do gênero Sci-Fi. B. Demetrius possui uma escrita rápida e objetiva em todos os sentidos possíveis. Em momento algum vemos seu personagem desocupado "ao vento", ele sempre está dentro do contexto seguindo a mesma linha de raciocínio, e este tipo de escrita é algo fantástico.

O fato do livro ser nacional é algo que me surpreende bastante. Eu já havia lido outros livros nacionais dentro deste mesmo gênero, mas quase nenhum deles me surpreendeu com uma aventura como a que está proposta neste livro. Aqui poderemos entrar em contato com universos alternativos que se alternam entre o que pensamos ser e o que de fato é. As desventuras (ou aventuras para o leitor) do major é um prato recheado e cheio de surpresas para os famintos de uma boa dose espacial.

Ler este livro excluindo as expectativas ou comparações com outros livros do gênero, nos proporciona uma viagem extremamente maravilhosa que surpreende-nos em todos os sentidos possíveis. Viaje conosco nesta eletrizante jornada ao desconhecido, e venha conhecer comigo a figura misteriosa do major em um mundo frio, abandonado, gélido e seus respectivos arquivos de memória.


SOBRE O AUTOR:

B. Demetrius | Acervo Pessoal | Divulgação

B. Demetrius é formado em Comunicação Social pela PUC Minas. É diretor de arte, ilustrador, redator e escultor – havendo se especializado no design de personagens e monstros. Atualmente, divide seu tempo entre trabalhar como professor e escrever. Apaixonado desde a infância por ciências, videogames, viagens espaciais e rock’n’roll, cresceu amontoando em sua mente tudo o que pôde sobre séries de ficção científica espacial, alienígenas – endoparasitários ou não –, robôs gigantes japoneses, supersoldados anabolizados, computadores com problemas de ego, artes marciais e piadas de mau gosto. Quando criança, morria de medo do Alien (aquele mesmo), que acreditava viver debaixo de sua cama; o que gerava aventuras apavorantes entre suas idas ao banheiro durante a noite.


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